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Bovino criado solto no Pampa produz carne mais saudável

Por Silvia Sibalde, para COALIZÃO VERDE (1 Papo Reto, Cenário Agro e Neo Mondo)

Um estudo iniciado em 2006 sobre a qualidade da carne de animais criados soltos no Pampa divulga seus primeiros resultados. Realizada pela Embrapa Pecuária Sul, a pesquisa apontou que do ponto de vista nutricional, a carne de bovinos produzida nos campos naturais deste bioma tem perfis de gorduras benéficos. “Além da questão nutricional, esse sistema de produção mostrou-se sustentável porque preserva o meio ambiente, respeita o bem-estar animal e ainda gera benefícios à saúde humana”, explica Fernando Flores Cardoso, chefe adjunto de Pesquisa e Inovação da Embrapa.
“A carne desses animais tem sabor diferente por conta da gordura produzida. Esta gordura está diretamente relacionada à dieta que ele recebe. Os bois estão naturalmente prontos para fazer a digestão de fibras. Para digerir grãos, ele passa por uma adaptação. E isso influencia na formação de gordura da carne e também no sabor e aroma”, explica Cardoso.

O pesquisador fala também sobre a influência das características naturais do Pampa na prática desse sistema de criação de animais. “Este bioma favorece a criação de animais soltos por conta da rica biodiversidade de espécies vegetais, além de se mostrar economicamente viável”, completa. “Outro ponto também importante que observamos no estudo é que a pecuária praticada no Pampa além de emitir menos gás metano por causa do bom manejo, ainda acumula carbono. Ao contrário do que diz alguns órgãos internacionais, temos condições de produzir carne carbono neutro”, enfatiza Cardoso.

Carne certificada

Desde 2006, a carne bovina da região conhecida como Pampa Gaúcho da Campanha Meridional teve seu registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Esta região é a única indicação geográfica (IG) das Américas para carne bovina.

Desde esta época, nasceu também a Apropampa, associação de pesquisa formada por produtores rurais, indústria frigorífica, varejo e outros agentes da cadeia de bovinocultura. “A Associação foi criada para preservar e proteger a pecuária de corte produzida aqui”, conta Custódio Magalhães, produtor e presidente da Apropampa.

Com 150 associados, dos quais 100 possuem certificação, a expectativa hoje é de que haja uma produção de 50 mil cabeças ao ano, sendo deste montante 12 mil para exportação. “Nosso maior desafio hoje é fazer com que a indústria enxergue valor no nosso produto”, diz Magalhães. “O que queremos é que a carne que produzimos aqui seja fomentadora do desenvolvimento da região”, finaliza.

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