A busca de novos caminhos para o Brasil

O mercado de capitais movimenta todos os anos cerca de US$ 85 trilhões, alocados nos mais diversos tipos de investimentos. Trata-se de uma quantia superior à soma do Produto Interno Bruto (PIB) de todos os 193 países somados: US$ 80 trilhões. Um detalhe curioso é que uma expressiva fatia desta bolada que vem sendo aplicado na modalidade batizada de finanças sustentáveis. Tratam-se de investimentos feitos em fundos ou empresas que adicionam o propósito (lucro social, defesa de causas e resolução de problemas) ao cerne de seu negócio. “Nada menos que US$ 228 bilhões estão investidos, hoje, em negócios de impacto social”, destaca Rodrigo Tavares, fundador e CEO do Granito Group. “E a perspectiva é que o volume de investimentos continue crescendo na faixa de 25%, ao ano, de acordo com estimativas do (banco) UBS”.

Números soaram como boa música aos ouvidos da atenta plateia que lotou um dos espaços do Palace Hotel & Cassino, em Poços de Caldas (MG), no segundo dia do Fórum de Inovação e Impacto Social 2018. (Veja detalhes abaixo). Até porque, sem dinheiro não será possível tirar do papel projetos capazes de melhorar a vida das pessoas e fazer com que as empresas reduzam seus impactos socioambientais.

Especialmente no caso das startups, que precisam de um olhar mais generoso por parte dos investidores, de acordo com Marcel Fukayama, cofundador da Din4mo e integrante do Sistema B, que reúne empresas com propósito. “Os negócios sociais precisam de aporte para atravessar o chamado Vale da Morte e se firmar no mercado”, diz. “Para isso é necessário pensar em fontes alternativas de recursos”.

Uma delas é o equity crowdfunding, derivada das vaquinhas virtuais. Só que em vez de doação, os beneficiados recebem aporte de investidores que buscam retorno financeiro ou social. O Programa Vivenda, startup que realiza reformas de habitações precárias, em condições financeiras vantajosas, foi beneficiado com um aporte de R$ 1 milhão, nesta modalidade. “Foi a primeira vaquinha virtual a atingir este valor, no Brasil”, destaca. O aumento no interesse de investidores de grande porte, fundos patrimoniais familiares e mesmo empresas não financeiras só faz crescer.

No próximo mês será lançado o Movimento Bem Maior, reunindo donos de grandes fortunas interessados em causas sociais. O grupo é liderado pelo bilionário Elie Horn, fundador da Cyrela, o único brasileiro integrante do grupo Giving Pledge (Compromisso de Doação), criado por Bill Gates e o financista Warren Buffet. A ideia do grupo é dobrar, em 10 anos, o montante de doações no Brasil. Ação mais do que necessária, pois o Brasil caiu da 75ª para a 122ª posição no World Giving Index 2018, ranking formado por 146 países. A primeira posição é de Mianmar, seguida pela Indonésia.

O FIIS 2018 acaba na quarta-feira (7/11/2018). Até lá, estarão em discussão temas que cobrem boa parte da agenda dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU). O Festival é uma realização da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais e acontece em paralelo ao Congresso Sorriso do Bem, da Turma do Bem, e o Fórum Melhores Práticas para Saúde no Terceiro Setor, da Aliança Latina.

 

SAIBA MAIS

Sobre o FIIS 2018

Sobre a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais

Sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

 

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