Dia Mundial do Meio Ambiente

A sustentabilidade e a classe C

Data: 02/06/2014 | Em: Dia Mundial do Meio Ambiente

Com a pesquisa exclusiva do Data Popular, abrimos a série de reportagens especiais em homenagem ao DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE. Fique ligado. Uma novidade a cada dia!


O brasileiro sabe o que é sustentabilidade? Talvez não com esse nome. Ele a pratica no dia a dia quando nota que a situação é alarmante, ou quando seu bolso é afetado, como na questão da escassez de água, presente na mídia após o verão pouco chuvoso de 2014. Em muitos casos, a mudança de hábitos ainda depende de incentivos do governo ou empresas, em propagandas e campanhas. Por exemplo, a minoria recicla, mas a maioria (77%) o faria se tivesse um sistema de coleta eficiente em sua rua.

O dado consta da pesquisa quantitativa nacional sobre hábitos sustentáveis dos brasileiros encomendada ao Instituto Data Popular, por 1 Papo Reto.

Aderindo a causas

“O brasileiro tem uma característica de funcionar bem em ondas. Quando enxerga que faz parte de um movimento, em geral adere”, afirma Renato Meirelles, presidente do Data Popular, em entrevista concedida após sua participação no programa de rádio 1 Papo Reto, na rádio Mega Brasil Online. Na ocasião, ele explicou os dados da pesquisa cujas principais conclusões podem ser vistas nos quadros abaixo.

Para ele, não adianta usar campanhas educativas com a lógica do “eu sei de tudo e você não sabe de nada”. É necessário observar o que a população já tem como hábito e dar um sentido para todas as ações. Não é à toa que somos um dos campeões mundiais de reciclagem de latinhas de alumínio, afinal, existe um ganho financeiro embutido nesse tipo de atitude.

Um bom exemplo de incentivo a uma prática sustentável aconteceu há quase uma década no Ceará. A ideia foi da Companhia Energética do Ceará (Coelce). Os consumidores do Estado que levam a postos da companhia resíduos sólidos já separados, como garrafas PET, embalagens e latinhas de alumínio, ganham em troca um desconto em suas contas de luz. Para Meirelles, isso faz com que eles continuem a separar o lixo, pois enxergam uma vantagem clara.

A pesquisa revelou ainda que há disposição, de 52% dos brasileiros de todas as classes sociais, de mudar hábitos de consumo por causa do meio ambiente. Em geral, é o jovem, antenado em tecnologias e na internet, que define o que será adquirido dentro de casa.

Jovem mais sustentável

O jovem, hoje, tem um pensamento mais sustentável que há 20 anos, diz Meirelles. E isso deve ser relacionado ao fato de que ele tem mais estudo que seus pais. Isso é mais evidente nas classes C e D, em que 71% dos jovens estão nesta situação.  Essa turma, que pela primeira vez conclui curso superior, está mais atenta ao impacto que a sustentabilidade tem em suas vidas. “Até por uma questão de sobrevivência no futuro”, brinca Meirelles.

“Este contingente rejeita marcas que não têm preocupação ambiental”, conta o presidente do Data Popular. “Os consumidores desta faixa da pirâmide social possuem a  predisposição para comprar outros produtos ecologicamente corretos.” Um bom exemplo são os eletrodomésticos mais eficientes, como as geladeiras que consomem menos energia elétrica. Contudo, eles ainda não se dispõem a pagar mais caro apenas porque os itens não agridem o meio ambiente. Em geral, esses produtos custam 20% mais caro que os tradicionais. “Isso não cabe no orçamento, e o que vale para esses consumidores ainda é a lógica financeira.”

Desonerar produtos verdes, diminuindo a carga tributária que incide nesses bens, seria necessário. Do contrário, diz Meirelles, fica complicado dizer a alguém para adquirir produtos menos agressivos à natureza.

O presidente do Data Popular faz um alerta aos que impõem um discurso ambientalista radical: “Cansei de ver pessoas sérias que culpam o consumo da classe C como o grande problema do século 21. Não dá para falar para o cara que, na vez dele, ele não pode consumir porque o mundo não aguenta. A culpa não é dele, e sim de quem sempre consumiu, produziu muito lixo e não se preocupou com o meio ambiente”.

Os políticos e a sustentabilidade

Neste contexto, Meirelles destaca que o debate em torno da sustentabilidade tem chances de entrar na agenda da campanha eleitoral deste ano. Mas para que a mensagem seja absorvida por grande parte da população seria necessária uma adaptação no discurso utilizado pelos políticos em geral.

É preciso ser pé no chão, falar da realidade. “A sustentabilidade vai entrar na pauta quando for traduzida para o cotidiano de quem recicla papelão e latas de aço ou de alumínio, e quando as pessoas entenderem que a adoção de um estilo de vida mais sustentável define se haverá ou não enchente no bairro onde mora, se terá ou não água na torneira e se ela irá sofrer ou não com a falta de energia elétrica”, conclui.

VEJA PRINCIPAIS DADOS DA PESQUISA SOBRE OS HÁBITOS SUSTENTÁVEIS DOS BRASILEIROS

 

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O que é? Poucos entendem o conceito de sustentabilidade. Entre os que mais entendem estão os de classe A (34%)

 

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Tá caro ainda! A maioria (63%) gostaria de adquirir produtos ecofriendly, porém em geral eles custam 20% mais que os tradicionais

 

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Só para classe A? Todos querem produtos mais sustentáveis, porém na hora de comprá-los, os que menos se importam em pagar mais são os ricos

 

 

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Quero mudar! A disposição para mudar os hábitos para ser mais sustentável aparece na pesquisa, porém é uma maioria apertada, de 52%

 

 

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Todos queremos mudar! A surpresa positiva no dado sobre mudança de hábito é que ela é comum a todas as classes sociais

 

 

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Quem  recicla mais? A minoria recicla, e ainda é a classe A que lidera o ranking de separar o lixo e reciclá-lo

 

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Falta incentivo Fica claro que falta incentivo na hora da reciclagem, já que 77% dizem que o fariam se bairro tivesse coleta de lixo mais eficiente

 

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Água rara Brasileiro já economiza água: 75% fecham torneira enquanto escovam os dentes e isso é comum em todas as classes sociais

 

 

 

Nota da redação: A pesquisa investigou os hábitos de consumo dos brasileiros durante o mês de março. Foram ouvidas três mil pessoas de 53 cidades de todas as regiões do País. O contingente foi dividido em três classes: alta, média e baixa.

Por: Carolina Stanisci | 02/06/2014

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