A medida do sucesso na área social

A medida do sucesso na área social

Por Rosenildo Ferreira, para COALIZÃO VERDE (1 Papo Reto, Cenário Agro e Neo Mondo)

Algumas das empresas mais bem-sucedidas do planeta possuem diversos pontos em comum. Um deles é a obsessão por medir o ganho obtido com cada centavo investido. No linguajar dos financistas, estamos falando do ROI, acrônimo para Retorno do Investimento, da sigla em inglês. Mas essa métrica sempre esteve restrita às atividades ligadas ao, digamos, lado business de quem atua com a fabricação ou venda de produtos ou com a prestação de serviços. A partir da década de 1990, quando as ações de Responsabilidade Social Corporativa começaram a ganhar corpo no Brasil, diversos executivos pensaram em trazer para o chamado Terceiro Setor alguns mecanismos mais sofisticados de gestão. Afinal, o investimento social privado responde por cerca de R$ 3 bilhões de tudo que é destinado às mais diversas causas, por ano, no Brasil. E tão importante quanto se engajar em causas é saber que os recursos estão sendo bem utilizados.

Pois quem saiu na frente neste quesito foi a Fundação Iochpe, criadora dos programas Arte na Escola e Formare, de capacitação para o primeiro emprego. A partir de uma parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), de São Paulo, foi desenvolvida uma metodologia inédita de avaliação do retorno econômico de programas sociais. “Nós sempre trabalhamos com indicadores”, explica Claudio Anjos, diretor-executivo da Fundação Iochpe. “Mas, até então, nos focávamos nas métricas qualitativas das ações, como o impacto na vida dos beneficiados”.

Para estruturar a ferramenta, foi usado como base o Programa Formare. Das 46 empresas convidadas, 17 toparam levar adiante o projeto. Em nove delas, verificou-se que o ganho foi superior ou igual ao investimento feito na implantação e manutenção do sistema de desenvolvimento do jovem profissional. A construção do indicador levou em conta os custos evitados nos diversos aspectos que envolvem a contratação de um funcionário: consultoria de RH, treinamento, despesas com anúncio em jornal etc. Também foram analisadas as economias obtidas com a aplicação dos projetos sugeridos pelos aprendizes, item que faz parte do trabalho de conclusão do ciclo de treinamento.

E os resultados surpreenderam. Apenas o ganho anual obtido pela unidade da Maxion Sctructural Components, fabricante de chassis e longarinas automotivos, situada em Cruzeiro, cidade da região do Vale do Paraíba, em São Paulo, chegou a R$ 271 mil. Neste ponto, faz-se necessário ressaltar que se trata somente dos benefícios diretos, sem incluir dividendos intangíveis e importantes em relação à imagem das empresas junto aos stakeholders: funcionários, clientes, acionistas e a comunidade.

Trata-se, sem dúvida, de um valor considerável, também por outro aspecto. Para aderir ao Formare as empresas pagam franquia mensal de R$ 5,4 mil à Fundação. Por sua vez, os jovens recebem uma ajuda de custo, fixada em meio salário-mínimo, além de usufruírem dos benefícios oferecidos aos demais funcionários, como assistência médica. O resultado positivo verificado não apenas no nível de empregabilidade (cerca de 85% dos jovens são efetivados) está diretamente vinculado ao sistema de ensino dual, copiado do modelo alemão, no qual os jovens aprendizes atuam dentro da empresa a partir de questões práticas.

Ao final do curso, realizado ao longo de quase um ano, no contra turno escolar, cada um deles é instado a desenvolver um Projeto Integrador, no qual sugere medidas e estratégias para resolver um problema vivido pela empresa, notadamente vinculado à redução de custos. Item que sempre soa como boa música aos ouvidos de empresários e executivos, como o CEO da Maxion, Joaquim Borges Rodrigues. “A definição de orçamentos em geral tem sido cada vez mais desafiadora. Por conta disso, é importante entender a viabilidade econômica do investimento social para que possamos alocar recursos adequadamente e garantir a sustentabilidade de programas e iniciativas no longo prazo”, destaca.

A ideia, agora, é oferecer o indicador para outras parceiras da Fundação Iochpe e empresas interessadas em medir o impacto de sua ação social. Afinal, tão importante quanto investir é saber o resultado de cada centavo gasto.

 

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