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Água de coco, propósito e consciência social

Em meados de 2016, Adriano Meyer, diretor de pessoas, organização e governança da Obrigado, marca baiana de água e produtos à base de coco, estava na plateia de um seminário sobre empresas que adicionam propósito de ganho social ao seu negócio. Durante o evento, realizado na sede da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB), em Salvador, o executivo foi ouvindo com atenção os palestrantes enumerarem as principais características das empresas que integram o chamado Sistema B (B Corporation). A cada item ele ia se animando. Até que, num determinado ponto, não aguentou a ansiedade e gritou: “Então eu sou B!”.

De fato, o modelo de negócio do Grupo Aurantiaca (Frysk Industrial e Aurantiaca Agrícola), criado em 2006 para explorar a cadeia produtiva do coco, a partir de um investimento de R$ 570 milhões, é bastante inusitado para os padrões brasileiros.

Antes mesmo de implantar a unidade fabril no povoado de Pedra Grande, no município de Conde, situado no litoral norte da Bahia e distante 180 km de Salvador, a empresa construiu uma escola para atender os futuros funcionários e seus familiares. Além disso, sempre atuou com a lógica da geração de lixo zero, reincorporando os resíduos na cadeia produtiva ou convertendo-os em novos produtos. Mais. O processo de plantio de coqueiros, sua principal matéria prima, obedece a uma lógica pautada pela redução de insumos: água e fertilizantes. Todos os 600 funcionários são registrados com base na CLT.

“Nossa grande certificação são as histórias reais das quais somos indutores”, destaca. “Poderíamos ter instalado a fábrica em Alagoinhas, onde já existe um grande polo de bebidas e que conta com mão de obra treinada. Contudo, preferimos levar desenvolvimento econômico e social para outra região.”

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Adriano Meyer, diretor da Obrigado

Mas, apesar do ar blasé, a meta de entrar no seleto clube das B Corp, que, no Brasil, reúne gigantes, como a Natura, e grifes de prestígio como a Mãe Terra e a Maria Farinha Filmes, passou a ser encarada quase como uma obrigação. Especialmente para quem pretende ampliar as vendas globais, dos atuais 20% para 75% da produção, em cinco anos. “Para vender para o mercado americano passamos pelo crivo da FDA (agência que controla alimentos e medicamentos). Além disso, os executivos da Disney também estiveram aqui para conhecer o negócio antes de licenciar os personagens, usados para enfeitar as embalagens”, conta.

Meyer diz que tão importante quanto o rigor ambiental e social, contribuiu para o sucesso da Obrigado o desenvolvimento de um modelo produtivo e industrial exclusivos: a água de coco é extraída por seringas sem contato com a luz ou o oxigênio. De acordo com o executivo, isso ajuda a preservar a pureza e a qualidade do produto. “Dentro de nossas embalagens o consumidor vai encontrar apenas um componente: água de coco”. O que, aliás, foi comprovado em análise do Proteste, que fez um raio-X das principais marcas do setor.

Em apenas há cinco anos, a Obrigado já ocupa a quinta posição com uma fatia que oscila entre 8% e 9% de um segmento que comercializa 120 milhões de litros, por ano. A expectativa é crescer sobre os concorrentes – os líderes são Kero Coco (controlada pela Pepsico) e Ducoco –, e também adicionar novos consumidores ao setor. Afinal, nos Estados Unidos, onde não existem plantações de coco em larga escala, o consumo chega a 200 milhões de litros por ano. Um dos limitadores é a renda média dos brasileiros. Afinal, um caixa com um litro de água de coco custa entre R$ 4 e R$ 9. Neste último pelotão estão a Obrigado e a Do Bem (que pertence à Ambev), que se posicionam como marcas premium.

Para continuar crescendo. O diretor da Obrigado diz que o grupo aposta em diversas frentes: ampliação do portfólio de produtos e aumento da capacidade produtiva. Para viabilizar o plano, estão previstos investimentos de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos. Hoje, a tradicional água de coco já convive com bebidas de água de coco saborizada com frutas e o leite de coco. Tudo isso focado nos consumidores locais. “O mercado interno seguirá como nossa maior prioridade”, garante ele.

 

SAIBA MAIS:

Sobre o mercado de água de coco

Sobre a análise da Proteste

 

 

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