Energia fotovoltaica não é somente para gente grande

No sábado (19/5), integrantes do governo da Bahia, acadêmicos e empresários do setor de energia fotovoltaica ocuparam o principal palco da Campus Party (CPBA2) para lançar o Atlas Solar da Bahia. Trata-se da principal aposta para atrair investidores interessados em instalar fazendas solares no estado. A estimativa é que o brilho do astro-rei possa garantir a produção de o equivalente a 443.920 quilowatts (kW), ou o suficiente para fornecer eletricidade para 400 mil residências. “As regiões de maior insolação poderiam gerar 70% da energia possível de ser produzida em todo o Brasil”, destacou o secretário de Infraestrutura da Bahia, Marcus Cavalcanti.

O que acontece no Nordeste é apenas uma parte de um movimento que vem ganhando força em todo o Brasil, nos últimos cinco anos. Dados da Absolar, que reúne empresas do setor, indicam que o país deverá fechar 2018 com a geração de 2 mil MW (Megawatts) de energia obtida com a radiação solar. Deste total, 85% virão de usinas e o restante da chamada geração distribuída: placas instaladas na cobertura de casas, edifício garagens etc.

O aquecimento do setor de energia fotovoltaica (perdão pelo inevitável trocadilho) é tão intenso que o segmento está atraindo até mesmo startups que apostam num modelo diferenciado de atuação: as enertechs. A pioneira neste nicho é a Sun Mobi, baseada na cidade de São Paulo e que ganhou notoriedade após um processo de 18 meses no qual esteve incubada na Universidade de São Paulo (USP).

Apesar de novata, a empresa comandada pela dupla Alexandre Bueno e Guilherme Susteras já entrou até no radar de investidores-anjos. Quatro, para ser mais preciso, que acabam de aportar R$ 1,2 milhão no negócio. Com estes recursos eles esperam acelerar seu crescimento. A usina Solar Maurício Valter, instalada em Araçoiaba da Serra (SP), foi construída para ser ampliada de forma modular. Na fase de testes, iniciada em outubro de 2017, atendeu a 16 clientes, hoje conta com 50 e a expectativa é atingir 1 mil em até dois anos; mais em longo prazo, a perspectiva da empresa é somar 5 mil clientes em quatro anos e cruzar os 10 mil em seis anos. Em termos financeiros, a meta é atingir, em 2025, uma receita bruta anual de R$ 2 milhões. Para isso, os empreendedores estão finalizando o primeiro processo de expansão do parque de energia fotovoltaica: de 200 para 1000 placas.

Lançamento do Atlas Solar da Bahia aconteceu durante a Campus Party 2018, em Salvador

O modelo de negócio da Sun Mobi é bastante diferenciado em relação ao convencional. Primeiro porque a proposta não é zerar a conta de luz do usuário. Mas sim permitir que todos possam “trocar” a fonte de energia suja, obtida a partir de termelétricas movidas a óleo combustível ou gás, por exemplo, pela energia fotovoltaica que é 100% natural. “O cliente tem acesso à energia solar sem desembolsar um real sequer na compra de placas, inversores ou outros equipamentos”, destaca Guilherme.

De acordo com Alexandre, sistema é semelhando ao de um serviço de assinatura como a Netflix. “A cada mês é descontado um valor fixo no cartão de crédito do usuário, e o mesmo montante já vem abatido na conta de luz enviada pela concessionária”. Tudo é gerenciado por um aplicativo que faz o acompanhamento direto do consumo, além de alertar sobre possíveis perdas no dia a dia.

Segundo os empreendedores, o público alvo é formado por pessoas que gostam de novidades, amantes de esportes outdoor e aquelas que gostam de saber de onde vêm o produto que consomem. Para os, digamos, mais cartesianos, o “argumento de venda” é a possibilidade de escapar das oscilações da conta em momentos de bandeira vermelha ou amarela, que encarecem a conta de luz em até 8%.

 

 

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  • O repórter viajou a Salvador a convite da Aceleradora Vale do Dendê

Texto atualizado às 12h30 de 23/5/18

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