Comunicadores periféricos se unem em coalizão nacional pra enfrentar pandemia

 O portal de notícias 1 Papo Reto aderiu a mobilização de comunicadores da periferia, no esforço de divulgar orientações sérias, denunciar eventuais abusos e dar visibilidade a saídas que incluam as necessidades dos milhões de brasileiros que vivem à margem da sociedade. A partir de hoje (quarta-feira, 25/3) vamos republicar textos de parceiros engajados nesta causa. Contamos com todos os nossos leitores e curtidores nas redes sociais para nos ajudar na missão de compartilhar informações de qualidade, sem excluir nenhum brasileiro. Afinal, estamos todos no mesmo barco!

 Segue a íntegra do manifesto:

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 “Estamos diante de uma pandemia. A palavra ainda soa estranha para muita gente e tudo que ela carrega por trás também.

 Covid-19, o que todos conhecemos por coronavírus, chegou ao Brasil e seus efeitos são reais. Há infectados, há mortos.

 
Para conter maiores problemas os governos federal, estadual e municipal – muito timidamente ainda – têm divulgado e estabelecido uma série de ações às quais a população inteira do país precisa se submeter.

 No entanto, mais uma vez, as favelas, periferias, guetos, quilombos, sertões e toda população à margem está à mercê da sua própria sorte.


Vamos começar pelo básico: lavar as mãos! Esta tem sido uma recomendação amplamente divulgada. Como é possível que isso seja realmente feito a fim de evitar a contaminação se a quebrada e a favela estão sem água? O governo e várias organizações indicam o isolamento social como o principal meio de prevenção da doença. Isso não é permitido à nossa realidade! 

A periferia é a empregada doméstica, o porteiro, o motorista de app, o entregador, o trabalhador informal que precisa estar no busão e no metrô vendendo seus produtos para levar renda pra dentro de casa ou o comerciante local que não pode suspender suas atividades.

O quanto nossos patrões estão dispostos a seguir os passos que a humanidade pede e permitir que cada um destes profissionais pratique o isolamento e mesmo assim pagar seus salários?

Ficar em casa, se isolar, não pode ser sinônimo de falta de renda. Se for assim, como garantir que a população periférica consiga comprar sequer um álcool em gel para ajudar na prevenção da contaminação? Se o governo vai ajudar os grandes empresários a não quebrar, vai ajudar ao favelado pagar suas contas também?  Vai ajudar a senhora que vende guarda-chuva na esquina a não quebrar?

O foco agora é fazer o máximo de esforço para se conter a disseminação da doença. É tentar fazer com que o número de infectados possa ter atendimento hospitalar gradualmente e, ao mesmo tempo, evitar um colapso no Sistema Único de Saúde (SUS), tão negligenciado e abandonado pelo poder público, mas tão necessário e um marco no enfrentamento a tudo que ainda está por vir para conter o Covid-19, o coronavírus. 80% dos usuários do SUS são pretos e pretas.

Diante de tantas recomendações, a periferia – mesmo sendo a mais afetada -, ainda não está conseguindo participar e se informar como realmente precisa. Precisamos saber apontar caminhos que realmente levem as nossas realidades em consideração. 

 

É aí que entramos. Nós, comunicadores periféricos e periféricas de várias partes do país, estamos juntando esforços para colaborar com informações precisas e que realmente consigam alcançar os nossos. Precisamos saber informar nossas crianças, nossos jovens, nossos idosos, nossos pais, mães e familiares. De nós para os nossos!

 

Assim, lançamos uma coalizão nacional de enfrentamento ao coronavírus através da frente #CoronaNasPeriferias  

 Ações com lideranças das periferias fazem a diferença em meio ao avanço do Covid-19. Foto: Coletivo Papo Reto

Assinam esta carta:

 

NOME / COLETIVO OU QUEBRADA / ESTADO

 Priscilla Castro – Coletivo Nós por Nós (GO) 

Marcelo Vinícius – Coletivo Duca (DF) 

Tony Marlon I Campo Limpo, SP 

Thiago Borges I Periferia em Movimento, Grajaú, SP 

Thais Siqueira – Desenrola E Não Me Enrola, Jardim Ângela (SP) 

Ronaldo Matos – Desenrola E Não Me Enrola, Jardim Ângela (SP) 

Mariana Belmont, Parelheiros, SP 

Simone Freire - Alma Preta / Preto Império – Brasilândia (SP) 

Dimas Reis – Preto Império – Brasilândia (SP) 

Wallace Morais – Vozes das Periferias (SP)  

Cesar Gouveia – Vozes das Periferias (SP)  

Antonio Benvindo – Instituto Cultural Coletivo Semifusa/Ribeirão das Neves (MG)  

Buba Aguiar – Coletivo Fala Akari (RJ) 

Pedro Stilo – Coletivo pão e tinta / Jornalistas livres (PE)  

Tainá Oliveira Barral – Na Cuia Produtora Cultural (PA) 

Kalyne Lima – Vila Manoel Satiro – Jornalistas livres (CE) 

Ingrid Farias – Brasília Teimosa – Escola Livre de Redução de Danos (PE) 

Bruno Sousa – The Intercept Brasil – Favela do Jacarezinho (RJ)  

Pedro Borges – Alma Preta (SP) 

Raull Santiago – Coletivo Papo Reto (RJ) 

Gizele Martins – Coletivo MARÉ 0800 (RJ) 

José Cícero – DiCampana Foto Coletivo (SP) 

Lucas Barbosa – Usina de Valores (RJ, SP, BA, PE) 

Marcela Lisboa – Naya\ Usina de Valores (RJ, SP, BA, PE) 

Francisca Rodrigues – Paraisópolis (SP) 

Bruna Hercog – CBCOM e Rede ao Redor (BA) 

Adriana Gerônimo – JBD Lagamar – Fortaleza (CE) 

Rebeca Motta – Jornal Embarque no Direito – Jd. Ângela ( SP) 

Rosalvo Neto – Instituto Mídia Étnica / Correio Nagô (BA) 

Wellington Frazão – Periferia em Foco – Belém do Pará (PA) 

Gisele Alexandre – Agência Mural de Jornalismo das Periferias (SP) 

Renato Silva – Favela em Pauta (RJ) 

Alex Hercog – CBCom (BA) 

Lucas Abreu Antonio – Jaçanã (SP) 

Rick Trindade – Itabuna (BA)  

Clara Bispo – Movimento Pela Paz na Periferia: Família MP3 – Teresina (PI)  

Riviane Lucena – Embarque no Direito (SP) 

Jéssica Moreira – Nós, mulheres da periferia (SP)  

Jefferson Barbosa – PerifaConnection – Voz da Baixada (RJ) 

Michel Silva – Fala Roça (RJ) 

Daiene Mendes – Favela em Pauta (RJ) 

Tiê Vasconcelos – Voz das Comunidades (RJ) 

Biatriz Santos – Coletivo de Juventude Negra Cara Preta – Camaragibe (PE) 

Rodrigo Gonçalves Benevenuto – Coletivo Salve Kebrada (SP) 

Lola Ferreira – Magé, Baixada Fluminense (RJ) 

Amanda Pinheiro – Fala Roça – Rocinha (Rj) 

Eloi Leones – data_labe – Rio de Janeiro 

Marcelo Rocha – São Paulo, na visão dos cria – Mauá (SP) 

Mirian Fonseca- Lauro de Freitas – CBCOM (BA) 

Anderson Meneses – Agência Mural de Jornalismo das Periferias (SP) 

Muller Silva – ONG Interferência (Capão Redondo – SP) 

Mariana Assis- Voz das Comunidades (RJ) 

Yane Mendes – Rede Tumulto – Recife (PE) 

Natália Bezerra – Recife (PE) 

Taís Sales de Moraes – Cine e Rock – Rio das Pedras (RJ) 

Walter Oliveira da Silva – Coletivo Jovem Tapajônico – Caranazal, Santarém (PA) 

Gabriel Santos – Movimento Afronte – Projeto Alternativo para Meninas e Meninos de Rua – Erê – Vila Brejal, Maceió (AL) 

Jusciane Rocha – Belém (Pa) 

Naldinho Lourenço – LABirinto Agência Maré (RJ) 

Aline Rodrigues – Periferia em Movimento (SP) 

Jessica Ipolito – Revista Afirmativa – Salvador (BA) 

Anisio Borba – LABirinto Agência Maré (RJ) 

Lívia Lima – Nós, mulheres da periferia (SP) 

Enderson Araujo – Mídia Periférica (BA) 

Juliana Pinho – LABirinto Agência Maré (RJ) 

Andreza Delgado – Capão Redondo São Paulo 

Wesley Teixeira – Morro do Sapo na Baixada Fluminense (RJ)

 

Texto original publicado no portal Periferia Em Movimento