A fazenda foi para dentro

A disputa por um pedaço de terra para plantar e criar animais é histórica. Especialmente em países da América Latina, como o Brasil, onde existe um delicado equilíbrio entre a necessidade de produção em massa, especialmente de itens para exportação: soja, café, algodão e milho, e a preservação de áreas verdes. Sem contar a concorrência com projetos destinados ao cultivo de espécies usados na fabricação de combustíveis renováveis: etanol, derivado de cana, e o biodiesel, da soja ou da mamona.

Produtos embalados para consumo

Este, aliás, tem sido um dos pontos de atrito entre os produtores de etanol brasileiros e os de óleo de palma, da Indonésia, com os ecologistas daqui e da Europa. Afinal, acredita-se que extensas plantações com foco na produção de combustíveis limitam e/ou reduzem o espaço do plantio de alimentos.

Mas no que depender de algumas empresas americanas, essa questão estará, em breve, pacificada. Pelo menos é o que pensam os acionistas da AeroFarms (fazendas aéreas, na tradução literal). A empresa produz hortaliças dentro de galpões num sistema que lembra o de estações espaciais, mostrados em filmes de ficção científica.

Na sede da empresa, em Newark, estado de Nova Jersey (EUA), uma estrutura de 6,5 mil m² vai garantir 44 mil toneladas de legumes, verduras e tubérculos por ano. A fazenda do século 21, de acordo com os empreendedores, amplia o conceito de produção hidropônica, na qual as hortaliças são cultivadas sem o uso de solo e a partir de uma solução de nutrientes incorporados à água. No processo tecnológico desenvolvido pela companhia, a iluminação possui uma função vital. Assim como a irradiação sola, tudo mais é controlado pelo computador.

Agricultor high-tech

O projeto da AeroFarms é global e já consumiu US$ 30 milhões com a instalação de filiais em diversos países da Europa e da Ásia. Ou seja, no que depender da empresa, em vez de agricultores e pequenos sitiantes serão os técnicos de laboratório que terão a tarefa de alimentar o mundo. Com algumas vantagens: consumo de água 95% menor do que o de fazendas similares e sem uso de agrotóxicos. Será?

Bem, promessas de processos revolucionários de produção de alimentos não são novidade. No início da década de 2000, dizia-se que as sementes geneticamente modificadas, também conhecidas como transgênicas, iriam acabar com a fome no mundo. E, como sabemos hoje, isso ainda está longe de acontecer.

 

 

SAIBA MAIS:

Sobre fazendas urbanas no telhado de edifícios no Brooklyn (em inglês)

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