Alimentação para o corpo e a alma

Nas andanças pelos diversos bairros de São Paulo, não é difícil se deparar com alguns achados preciosos. Lojinhas charmosas que vendem roupas e bijuterias, pequenas galerias de arte e de artesanato, cafeterias tão convidativas que somos compelidos a entrar, degustar uma bebida e ficar por ali vendo o tempo passar. Sem pressa. Um destes locais é o chamado Baixo Pinheiro, região que ganhou projeção a partir das obras de revitalização do histórico Largo da Batata.

Apesar da abertura de um sem número de lojas, bares e restaurantes no entorno, quem continua levando a melhor é a badalada rua Ferreira de Araújo. Sua localização privilegiada fez com que se convertesse em local de moradia, trabalho e lazer para muitos paulistanos. Ao longo das últimas duas décadas, a via funcionou como uma espécie de conexão entre o passado e o futuro do bairro de Pinheiros. Hoje, quem caminha ao longo dos cerca de dois quilômetros da via percebe claramente os sinais da passagem do tempo e os efeitos dessa transmutação.

Os prédios de arquitetura modernosa convivem em harmonia com estabelecimentos comerciais clássicos. Em cada quadra podem ser vistos sobrados enfeitados com plantas e flores. Não apenas nos jardins, mas também decorando suas fachadas, o que reforça o ar bucólico e fazendo-nos transportar, num átmo, para uma vila do interior.

E foi numa destas casas, no número 369, que foi instalado o restaurante Pandan, um espaço aconchegante que possui um cardápio limitado em opções de pratos quentes, doces e pães, mas suficiente para dar conta do recado.

Chef Mailson e Daniella, parceiros do Pandan

Na sóbria decoração de seu espaço interior chama atenção o sistema de iluminação, composto majoritariamente de lâmpadas pendentes por fios que “brotam” de dentro de canos de cobre. A remissão à iluminação à gás é imediata. Mas estamos num lugar que serve comida e, certamente, é ela que deve causar a impressão derradeira.

Quem pilota as caçarolas é o jovem chef Maílson da Silva, 25 anos, blogueiro do portal 1 Papo Reto e finalista do Hell´s Kitchen 2016. No fundo do pequeno salão um balcão expositor com doces variados nos faz salivar diante de opções convencionais de doces, como brigadeiro, e alguns achados como o cheesecake de frutas amarelas. Os pães artesanais chamam a atenção. Primeiro pelo visual, depois pelo sabor.

Na cozinha do Pandan o glúten não entra. A casa foi desenhada para receber a todos, inclusive os celíacos, que são as pessoas com intolerância ao componente encontrado na farinha de trigo convencional. Trata-de se um contingente estimado em 2 milhões de pessoas, no Brasil, de acordo com pesquisa do Ibope. Uma delas é Daniella Vlasic Kobayashi, 45 anos, proprietária do local batizado com um neologismo resultante da associação das palavras pani (pão, em italiano) e das três primeiras letas de seu nome.

Ela descobriu a intolerância durante os quase 12 anos em que viveu na Itália. “Fui tomando consciência sobre o problema aos poucos”, diz. “Após as refeições eu sentia desconforto estomacal”. Graduada em gestão de hotelaria, Daniella decidiu investir no filão gastronômico mesmo antes de voltar ao Brasil.

Para isso, convocou uma consultora para ajudar a desenhar o projeto do que seria a Pandan. O chef Maílson se integrou ao time logo no início. “Contratei-o sem provar um prato sequer feito por ele”, lembra. E não se arrependeu. “Somos uma espécie de almas gêmeas na gastronomia. Tudo que ele sugere eu aprovo”.

 

 

 

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