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É no buteco que (quase) todos se encontram

A cultura do boteco não é exclusiva do Brasil. Na Inglaterra e nos demais países de língua inglesa eles são conhecidos como pub, abreviação de Public House (Casa Pública, em inglês). Os portugueses têm as tascas, enquanto os italianos vão à cantina quando desejam matar a sede e jogar conversa fora. Aliás, o primeiro registro destes locais de congraçamento em torno da bebida e de refeições ligeiras data de 3.500 a.C.: as tabernas situadas na Suméria, região hoje ocupada pelo sul do Iraque e pelo Kuwait. No Brasil, o boteco é a face mais popular do segmento de bares e restaurantes que conta com quase 6,5 milhões empresas, sem contar as informais. No total, elas movimentam cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por se tratar de um setor bastante fragmentado e no qual o nível de profissionalização nem sempre é o ideal, os botecos engrossam as estatísticas de mortalidade de empresas que fecham antes de completar dois anos de existência. Outros tantos, operam no limite, garantindo pouco mais do que os recursos necessários para seus donos subsistirem.

Neste contexto, eventos gastronômicos voltados a valorização da Baixa Gastronomia passaram a ser encarados como uma alavanca para muitos estabelecimentos. A mais tradicional disputa do gênero é o Comida di Buteco. Criado em 1999, em Belo Horizonte, a competição ganhou o país. Na edição 2018, que começa a partir de sexta-feira 13/4, nada menos que 511 botecos de 21 cidades, de todas as regiões, vão disputar os prêmios local e o nacional.

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Receita Campeã: bolinho de bacalhau garantiu o prêmio local e nacional, em 2018, ao Bar do Jão

Na edição 2017, quem levou a melhor foi o Alexandre Alves, proprietário do Bar do Jão, localizado na Penha, bairro da Zona Leste de São Paulo. Ele ganhou a dupla coroa ao vencer entre os conterrâneos e no ranking nacional. O bar começou a funcionar em 1962, como uma aposta do pai dele, Seu João, que, aliás, ainda se mantém no negócio. Nascido na Ilha da Madeira, o patriarca trouxe algumas receitas da terrinha e aprendeu outras tantas por aqui, especialmente com o casal de feirantes Dona Arminda e Seu Carolino que o acolheram e ajudaram-no a se fixar em São Paulo. O petisco campeão, o bolinho de bacalhau da Dona Arminda, foi uma homenagem aos amigos.

Mais do que apenas gerar um buchicho, o concurso tem um peso econômico preponderante. “Estou surfando nesta onda até hoje”, celebra Alexandre. “Desde que entrei na disputa meu negócio não parou de crescer”. De fato, a mídia é espetacular. Além de contar com a parceria da TV Globo, o Comida di Buteco criou um sistema de votação bastante democrático, que inclui o público e uma comissão de jurados, encarregada de visitar ao menos dois estabelecimentos em cada cidade. O vencedor precisa se destacar em quatro quesitos: sabor do petisco, temperatura da cerveja ou do chope, limpeza e qualidade do atendimento.

Em 2017, foram depositados nas urnas 520 mil votos. A mídia espontânea bateu na casa dos R$ 70 milhões e foram gerados seis mil empregos. O Bar do Jão continua dando sua contribuição para o fortalecimento dessa estatística. “Atuava com apenas um funcionário fixo. Hoje, são sete atendendo nos finais de semanas, além de minha mulher, meu pai e eu”.

Haja bolinho, hein!

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