A nova aposta da veterana Vinícola Guatambu

A nova aposta da veterana Vinícola Guatambu

Com o passar dos anos, alguns produtos foram sendo envolvidos em rituais de usos e costumes, destinados a separar os consumidores em duas castas: a dos iniciantes e a dos conhecedores.

Um território no qual esse tipo de abordagem ganhou terreno foi no mundo dos vinhos. Afinal, para muitas pessoas, mais que degustar a bebida o importante é falar de suas propriedades: aroma, sabor, textura, notas... É claro que tudo isso é importante e deva ser levado em conta entre os especialistas. Afinal, eles influenciam na decisão de compra de muitos consumidores.

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Mas daí a imaginar que é preciso fazer um curso de enólogo para degustar a bebida de Baco, vai um oceano de distância. Aliás, a preocupação em desmistificar o vinho como uma bebida de poucos, começou há cerca de 20 anos graças à mobilização de produtores da região Sul, que apostaram fortemente em variedades mais ao gosto dos brasileiros.

E é de lá, também, que continuam surgindo outras novidades. Uma delas é o vinho em lata. Mas, ao contrário do que aconteceu com o casal de viticultores mineiros Israel Pinheiro e dona Chiquinha, que apostaram nessa embalagem em 1972 (leia mais detalhes aqui) de modo experimental, dessa vez, a lata chega embalada numa tendência global.

Quem puxou a fila foi a australiana Barokes, em 2011. Desde então, suas versões vêm acumulando prêmios em concursos internacionais, o que incentivou outros fabricantes ao redor do planeta a seguir a mesma trilha. Um deles é o gaúcho Valter Pötter, 72 anos, sócio-fundador da Vinícola Guatambu, baseada em Dom Pedrito (RS), cidade da região da Campanha Gaúcha.

Conhecido por atuar apenas com vinhos e espumantes de alta qualidade, Pötter estudou este nicho durante um ano, antes de decidir pela criação da startup Mysterius, na qual investiu R$ 180 mil. O valor modesto, para os padrões do setor, se justifica pela sinergia entre a “nave mãe” e a startup. “Nosso maior gasto foi na aquisição da linha de envase”, conta o veterano agro-empreendedor que começou a apostar na viticultura em 2003, a partir de mudas importadas da Itália e da França. A influência veio da filha Gabriela, formada em agronomia e especializada em enologia.

Pötter, da Vinícola Guatambu e da startp Mysterius *Valter Pötter, criador da Mysterius*Muda a embalagem, mas o líquido continuará o mesmo. As quatro versões: Veraz (tinto), Solstício (branco), Das Marias (rosé) e Intuição (espumante brut) têm como foco os consumidores das classe A e B. Um pack com seis unidades custa R$ 210, na loja virtual da Mysterius.

A expectativa de Pötter é que a empresa cresça na velocidade das startups. Para o primeiro ano, a meta é comercializar 60 mil latas, batendo 500 mil unidades, por ano, em 2023. Para atingir este patamar, a empresa está negociando com redes de hotéis e empórios do eixo Rio-São Paulo, cidades que respondem por 25% do Produto Interno Bruto (PIB), do Brasil.

A Mysterius é comandada em parceria com três sócios com larga experiência em distribuição, marketing e digital, a partir de um escritório em São Paulo. Pötter conta que fez questão de levar para este empreendimento a cultura de sustentabilidade, considerada um dos principais ativos da empresa. “Vamos destinar 1% dos lucros para projetos de recuperação do Pampa”, conta.

Um cuidado adicional em relação ao que já acontece na Vinícola Guatambu, onde toda energia é obtida com placas solares e os rejeitos da colheita e da produção são reciclados ou utilizados como insumos.