Dividendos naturais

Empresas buscam na natureza algumas soluções para diferenciar seus produtos da concorrência. Isso vale para cosméticos e até para água mineral

Barcelos, cidadezinha às margens do rio Negro, no Amazonas, não difere muito das milhares de comunidades ribeirinhas situadas no país chamado Amazônia. Mas uma intensa movimentação pelo município vem despertando a atenção que quem passa por lá. A ação acontece dentro de galpões pertencentes a Ô Amazon Air Water, nome da primeira água mineral produzida, em escala

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industrial, a partir do ar. Apesar de parecer coisa de filme de ficção científica, o funcionamento industrial é relativamente simples e, grosso modo, é similar ao de um aparelho de ar condicionado. “A operação é sustentável e não causa qualquer dano ao meio ambiente”, diz Cal Júnior, como é mais conhecido o empresário José Henrique Cal Jr., fundador da empresa. De acordo com o empreendedor, o efeito no meio ambiente será nulo. “Precisaríamos produzir continuamente por um período de 660 mil anos para consumir o equivalente ao volume transpirado pela floresta amazônica em um único dia.” O investimento total no projeto é estimado em R$ 20 milhões e toda produção será exportada para os Estados Unidos e os países da Europa. “Nosso foco é a fatia premium do mercado mundial de água mineral.” [caption id="attachment_7918" align="alignleft" width="300"]Foto: os sócios da Ô Amazon Water/Divulgação Foto: os sócios da Ô Amazon Water/Divulgação[/caption] Distante 3.350 quilômetros de Barcelos, Curitiba (PR) também se firmou como celeiro de inúmeras experiências inovadoras. Em todas as áreas. Uma delas é no segmento de higiene e beleza, comandado pelo Grupo Boticário. Em suas unidades fabris e Centros de Distribuição na Bahia, Paraná e São Paulo, a palavra de ordem é a ecoeficiência. Isso vale tanto para os insumos e as embalagens usados em suas linhas de produtos, quanto para os projetos construtivos de suas fábricas e de suas lojas. Apesar de ocupar um lugar de destaque entre as empresas mais socialmente responsáveis do país, a empresa paranaense raramente fala disso em suas campanhas publicitárias. “Temos um posicionamento de marca que não contempla este tipo de divulgação”, explica gerente de Sustentabilidade do Grupo Boticário, Malu Nunes. Para saber mais sobre esta faceta da empresa só mesmo “fuçando” no site corporativo da empresa (veja o diagrama abaixo). Além das ações empresariais, o Grupo Boticário também criou um braço destinado a patrocinar projetos de preservação do meio ambiente. O trabalho é feito pela Fundação Grupo Boticário, que recebe 1% da receita líquida de vendas obtida pela fabricante de produtos de higiene e beleza. É neste ponto que a história da emergente Ô Amazon Air Water e da empresa paranaense coincidem. Mesmo antes de engarrafar a primeira “safra” do produto, o quarteto Cal Júnior, Paulo Ferreira, Ricardo Rozgrin e James de Araújo Lima Jr. elaborou um plano de manejo sustentável para a região. “Tão relevante quanto a produção água serão os projetos sócio-ambientais”, explica Cal Júnior. Segundo ele, os moradores de Barcelos foram colocados no centro desta estratégia desde o início. Tanto que as contrapartidas sociais estão sendo implantadas antes do início oficial da produção, marcado para julho. A lista inclui a construção de um polo cultural, o fornecimento de água pura para consumo, (espantosamente um problema crônico e uma região cercada de rios) e a criação de um fundo de investimentos ambientais, resultante da doação de R$ 1 de cada garrafa de água mineral vendida. A expectativa é atingir um montante de R$ 60 milhões, por ano, a partir de 2022, quando a produção chegará ao pico. [caption id="attachment_7919" align="alignleft" width="192"]Foto: reprodução de parte do relatório de sustentabilidade do Grupo Boticário Foto: reprodução de parte do relatório de sustentabilidade do Grupo Boticário[/caption] Outros itens que comporão o DNA de sustentabilidade do produto são: a utilização de 100% de energia solar na unidade e o uso de embalagens infinitamente recicláveis, como o vidro, além da tampinha feita de biopolímero de fibras da cana-de-açúcar, que se decompõe na natureza. Mais que utilizar insumos verdes, o Grupo Boticário aposta, também, em embalagens capazes de pressionar menos o meio ambiente. Dois bons exemplos são os perfumes Lilly e Malbec, cuja produção tem um impacto ambiental 51% e 25% menor, respectivamente, comparado com as versões anteriores. Conseguiu isso por meio da redução de componentes na embalagem e da mudança no processo produtivo. Segundo gerente de Sustentabilidade do Grupo Boticário, Malu Nunes, estas medidas se tornaram um componente do dia a dia da empresa. “Todo mês tem um projeto novo de ecoeficiência sendo estudado ou colocado em prática.”