A tecnologia dá o tom

A sul-coreana Samsung aposta nos secundaristas para popularizar a Internet das Coisas, no BrasilDifícil não notar a ansiedade e o nervosismo estampados nos rostos (que em alguns casos ainda exibem espinhas) e nos gestos do verdadeiro batalhão de adolescentes que ocupa os 296 estandes espalhados pela tenda montada ao lado do Instituto Politécnico da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Também, pudera, muitos deles vieram de longe para apresentar o “trabalho de suas vidas” na 15ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que vai até quinta-feira (23/3). O evento reúne algumas das mais criativas engenhocas e sistemas bolados por estudantes do ensino médio da rede pública e privada. Engana-se quem pensa que o grupo é formado majoritariamente por marmanjos e nerds. Na verdade, as meninas são maioria e nenhuma delas deixa de caprichar no visual, apesar de usarem o uniforme escolar ou uma camisa alusiva ao evento. [caption id="attachment_13945" align="alignleft" width="300"]a-tecnologia-da-o-tom Girassol Fotovoltaico[/caption] Quem caminha pelos estandes pode ver equipamentos que simulam projetos científicos de grande envergadura. Duvida? Pois logo na entrada o visitante dá de cara com um Girassol Fotovoltaico que capta energia solar. A engenhoca é assinada pelo trio Eduarda Grizoste, Roberto Corazza e Tiago Leal, alunos do Instituto Federal de Salto, cidade do interior de São Paulo. A energia renovável também serviu de mote para Amanda Rodrigues, Julia Zorovich e Theo Dubini, alunos do renomado colégio Porto Seguro, situado no Panamby, bairro de classe média alta da Zona Sul da cidade de São Paulo. Para construir a Turbina Vertical eles usaram de plástico reciclável a náilon de paraquedas, passando por madeira reaproveitada e muitas polias. Na hora de simular o vento, eles lançam mão de um potente (e barulhento) aspirador de pó. A diversidade de iniciativas boladas por estudantes de escolas públicas e privadas dos diversos recantos do país deixa claro que os jovens estão antenados em relação às principais demandas da sociedade: mobilidade urbana, melhoria da qualidade de vida de deficientes e idosos, além da automação predial. [caption id="attachment_13946" align="alignleft" width="300"]a-tecnologia-da-o-tom Turbina vertical[/caption] Neste último quesito, o sistema desenvolvido por Marielly da Silva Rodrigues, Juliana Duarte e Paola Palheta, moradores de Ananindeua, município da periferia de Belém, chamava a atenção. Afinal, tratava-se de uma das poucas equipes oriunda de escolas públicas não técnicas. “O projeto começou como forma de ocupar nosso tempo à tarde, no contraturno escolar”, conta Marielly. “Tivemos muitas dificuldades. O grupo começou com 20 estudantes, mas apenas nós três ficamos até o final”. Na Smart Home - Casa Inteligente das perseverantes alunas da Escola Estadual Regina Coeli Souza e Silva, as luzes são controladas por um app instalado no smartphone. Além disso, a rega do jardim e das plantas se dá por meio de sensores de umidade, instalados no gramado ou nos vasos de plantas. Jovens curiosos e com capacidade de trafegar com desenvoltura pelo universo da tecnologia têm cada vez mais entrado no radar de empresas que buscam nos bancos escolares os talentos que poderão fazer a diferença no futuro. A sul-coreana Samsung, por exemplo, foi uma que enxergou no evento o local ideal para lançar o programa Code IoT. Trata-se de um curso focado no desenvolvimento de programadores de Internet das Coisas (IoT, da sigla em inglês). [caption id="attachment_13947" align="alignleft" width="300"]a-tecnologia-da-o-tom Smart Home - Casa Inteligente[/caption] A aulas começam no dia 5 de junho e serão ministradas pela internet. As disciplinas foram elaboradas por professores do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (o LSI-TEC). A grade curricular inclui programação, eletrônica básica, robótica e desenvolvimento de aplicativos android. “Nosso objetivo é unir o conhecimento tecnológico da academia com a criatividade dos jovens”, diz Helvio Kanamaru, gerente sênior de cidadania corporativa da Samsung América Latina. O Code IoT faz parte do programa Tech Institute, que oferece a oportunidade de formação técnica por meio da concessão de bolsas de estudos. Kanaura conta que até seu lançamento foi percorrido uma longa jornada, iniciada em 2015. Para testar o conceito, foram rodados dois dois projetos-piloto em escolas públicas de São Paulo. Depois, aperfeiçoou-se ainda mais a proposta, com um terceiro grupo. "Tínhamos dúvidas até mesmo em relação à possibilidade de o nome Internet das Coisas não ser assimilado pelos jovens", lembra o executivo. Bem, pelo que pudemos observar na Feira, dá para dizer que está tudo dominado. Pelos jovens!   SAIBA MAIS: Sobre o Code IoT Sobre a história da rede e a criação da IoT                

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