É viável! 

Estudo confirma a viabilidade econômica de edifícios sustentáveis para incorporadores e clientes  
Estamos vivendo tempos de grave crise política e econômica, o que gera apreensão às empresas do setor da construção civil, como as incorporadoras imobiliárias, pela baixa demanda por unidades. Com a incerteza de como se comportará a economia nos próximos anos – o que interfere significativamente no desenvolvimento de projetos futuros – e a necessidade de utilizar os recursos naturais de forma eficiente, aumenta-se a importância de um estudo de viabilidade econômica e de conceber um empreendimento de forma sustentável.
Por isso, coletei importantes informações de meu estudo sobre a viabilidade econômica de empreendimentos corporativos sustentáveis. O trabalho envolve várias áreas do conhecimento: administração, economia, arquitetura e engenharia e interessa não só aos profissionais do ramo de construção, mas também a nós, amantes da sustentabilidade! Em linhas gerais, essa pesquisa mostra que empreendimentos sustentáveis podem ter custos iniciais adicionais. Além disso, busca responder a polêmicas e a intrigantes questões que envolvem a viabilidade econômica de construir um empreendimento corporativo sustentável, bem como os custos destas soluções e os benefícios para incorporador e para o cliente. É sabido que uma gestão sustentável é aquela que lança um olhar sistêmico sobre o projeto, considerando toda sua vida útil e também os aspectos externos. Isso se dá a partir de algumas premissas: redução de custo e dos impactos sociais e ambientais negativos. Por outro lado, é evidente que o amplo emprego do desenvolvimento sustentável, por parte das empresas, só ocorre quando indicadores de viabilidade econômica fazem brilhar os olhos dos incorporadores, com a perspectiva de resultados positivos. A dificuldade de investir mais na realização de um edifício, devido aos custos de implantação com incorporação da sustentabilidade, principalmente em períodos de crise, ainda é predominante entre os empreendedores, pois os custos adicionais elevam o nível de exposição do empreendedor ao final desta fase de implantação. No entanto, um green building pode ter um valor de venda mais elevado, que é um dos maiores benefícios para o incorporador que opta por este tipo de empreendimento. No que se refere à renda, o proprietário – que pode ser o próprio incorporador ou um administrador de imóveis – se aproveitará diretamente da economia com a operação e manutenção, podendo, inclusive, optar em trabalhar com um aluguel mais elevado que a média do mercado. Soma-se a isso benefícios como: valorização do imóvel para revenda ou arrendamento, modernização e menor obsolescência da edificação, aumento da velocidade de ocupação, aumento de retenção e valorização da imagem e da marca da empresa. No entanto, essa jornada precisa ser precedida de estudos criteriosos. Afinal, os possíveis benefícios podem ser percebidos a partir da comparação com os projetos convencionais. A partir dos seguintes quesitos: o aumento dos custos iniciais, seguido pelo aumento do valor de venda, o aumento da velocidade de venda, o tempo de retorno do investimento e o interesse do seu público alvo com relação às diferentes soluções sustentáveis. Definidas estas questões, o incorporador e o escritório responsável pelo projeto arquitetônico poderão optar por tecnologias sustentáveis mais adequadas aos interesses dos clientes. Um exemplo de interesse das empresas por edifícios sustentáveis se dá em empreendimentos corporativos classificados como Triple A, que são desenvolvidos para serem ocupados por grandes empresas nacionais e multinacionais, e essas empresas têm como condição obrigatória ocupar edifícios sustentáveis, o que faz com que eles já tenham um público final predefinido. O custo adicional de um empreendimento sustentável, comparado a empreendimentos tradicionais, é justificável, do ponto de vista da viabilidade, de forma que o aumento do valor de venda seja repassado ao cliente, mas que ainda se enquadre em um valor de seu interesse. Por isso, o presente estudo (que pode ser acessado no link abaixo) traz os percentuais de custo adicional para dar a dimensão dos desafios econômicos para a implantação de um edifício sustentável, comparado com edifícios convencionais e ele verifica que, em média, o percentual é de 4,2% em nível Brasil, dependendo do tipo da edificação, nível de certificação ambiental (se houver) e do local onde será construído. O maior valor pesquisado no Brasil foi de 8,6% de custo adicional de construção no Brasil. Por meio de um estudo da viabilidade econômica do empreendimento EZ Towers (da EZTEC, localizado na cidade de São Paulo), e da análise dos indicadores obtidos, verificou-se que há viabilidade econômica na realização de um empreendimento corporativo sustentável. https://www.slideshare.net/ThiagoGebaraFerreira/estudo-de-viabilidade-econmica-de-empreendimentos-corporativos-sustentveis-81503045
 
Thiago Gebara Ferreira é engenheiro civil, graduado pela FAAP-SP. O texto tem como base sua monografia de conclusão de curso, apresentada em junho de 2017.  

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