Mobilidade e muito mais

No excelente conjunto de matérias publicadas no paporeto a respeito de mobilidade, por desorganização minha, não contribui nem com meia palavra. Bom, vou tentar meredimir.

Primeira

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O jornalista Marcos Villlela, editor da revista Transporte Mundial, pinçou alguns dados bem interessantes a respeito do transporte público em Bogotá. Vamos a eles:

– A capital da Colômbia tem 200 ônibus híbridos e até 2015 deve mais que dobrar a frota passando a operar 500 veículos.

-Por lá, o transporte público de passageiros não conta com subsídio público para as empresas de ônibus, não há evasão de receita e nem gratuidade, porém há vale-transporte concedido pelas empresas privadas aos seus funcionários. De qualquer forma, para o operador do sistema a palavra eficiência é mandatória.

No ano passado, as ruas das capitais dos estados brasileiros foram tomadas por protestos contra o aumento das passagens. De lá para cá ninguém discutiu o modelo de transporte de passageiros, só quanto e quando seria repassado o aumento. Ou seja, os prefeitos foram cuidar de suas respectivas vidas.

Segunda

Mudei de opinião: que botem abaixo o elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão. Já escrevi aqui que ele podia virar parque linear com um VLT por cima. Porém me rendo aos argumentos de quem  mora nas imediações e que não quer trocar o barulho do motor e o dióxido de carbono emitido pelos carros pelo som das festas e outras manifestações culturais e o cheiro de maconha invadindo suas residências.

Joga no chão e diante do fato consumado vamos ver como é que a cidade se resolve. Porque não há agente cultural capaz de me provar que o sossego não é necessário.

Terceira

No dia 24 de setembro escutei de manhã a reportagem a bordo do helicóptero da CBN informar que havia um congestionamento de bicicletas na ciclovia do rio Pinheiros. Puxa, então de fato tem bastante gente optando por esse meio de transporte? Sim tem sim e isso é inegável. Mas nada de aplausos ainda porque algumas considerações são necessárias.

A ciclovia do Pinheiros não é do programa da Prefeitura e foi criada porque alguém sabiamente decidiu otimizar a margem da linha do trem.

As ciclovias da Prefeitura são discutíveis, mas não vale parar o programa só porque são discutíveis. Vale aprimorar, como por exemplo escolher melhor as ruas porque em algumas – e não são poucas – a ciclofaixa está inclinada.

Isso acontece porque as ruas da capital ainda seguem o modelo romano de engenharia viária, ou seja, com as laterais mais baixas que o meio para ajudar a escorrer o estrume despejado pelos cavalos. Ah, não se usa mais cavalo?

Quarta

O Valor Econômico publicou em duas matérias – uma assinada por Marli Olmos e outra por Eduardo Laguna – a decisão do governo de incentivar os carros híbridos. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), aprovou a redução do Imposto de Importação para carros híbridos dos atuais 35% para percentuais que vão de 0% a 5%.

Veículo híbrido é aquele que tem dois motores – um elétrico e outro a combustão, que se encarrega de abastecer o elétrico.

Ficou fora da resolução o carro 100% elétrico, justamente o que tem zero de emissão de dióxido de carbono. Um dos motivos é simples: o governo sabe que não há infraestrutura para abastecer esse tipo de carro. Se puser a lupa na palavra “infraestrutura” você será capaz de ler entre as letras que não é só a falta de postos de abastecimento adequados mas sim capacidade de oferecer energia elétrica.

O sistema não consegue abastecer o País por razões diversas – linhões que perdem energia, parques eólicos desconectados do sistema geral, etc e mais etc – e o risco de apagão é constante, fazendo o governo gastar ao optar por soluções poluidoras. Basta conferir sua conta de energia elétrica e verá que ela já veio com aumento para bancar o óleo diesel das termoelétricas que foram acionadas.

Neste papo reto tratei do tema de oferta de energia fazendo pelo menos duas vezes. Uma foi lembrando uma iniciativa da Caixa Econômica Federal, publicada na Folha de S. Paulo, de financiar um condomínio de casas populares em Juazeiro (BA) que se transformou em uma usina de energia solar.

A outra foi a partir da experiência da Eletrosul em Florianópolis, que teve apoio do governo da Alemanha, e instalou 4.144 painéis solares em sua sede capazes de gerar 1,2 gigawatt-hora por ano, suficiente para abastecer cerca de 540 residências. Em uma conta simples, se dispuséssemos painéis solares sobre as UBS espalhadas de norte a sul do Brasil a energia gera ultrapassaria 1 terawatt.

É bom que se saiba que já existe indústria instalada no Brasil que produz os componentes e as peças dos coletores solares. A ampliação do mercado, com incentivo, criaria o ambiente para a evolução natural dos equipamentos, melhorando preços e eficiência como é natural na história da indústria.

Energia solar não gera gases tóxicos e vem todo dia de graça para todos nós. O programa Cosmos, exibido aos domingos às 22h pelo canal pago NatGeo, defende abertamente o uso da energia solar, informando que o tema tem a atenção de alguns humanos mais preocupados desde o século XIX.

Feche os olhos e imagine por um momento as faces cegas dos inúmeros edifícios da cidade, hoje espaços inexplorados, com metade de suas superfícies cobertas por painéis solares. Eis um futuro que merece ser pensado.