A arte para milhares, mas vista por poucos!

Todos os dias, quando estou a caminho da faculdade, que fica perto da estação Carrão do metrô, passo pela estação República da Linha 4 Amarela. Percebo que frequentemente o metrô realiza exposições de diversos artistas, famosos ou não, cujas obras ficam à disposição do público durante um mês.

No início de setembro a artista escolhida foi Maria Bonomi, uma conceituada xilogravurista que tem diversas obras espalhadas por São Paulo. A série exposta era batizada de CIRCUMSTANTIAM e composta de peças criadas a partir do uso de alumínio degradável e papel reciclável, colocando em discussão o uso de elementos leves e pesados, lixo ou sujeira ambiental que não conseguimos dar fim. Pois, de algum modo, tudo que produzimos pertence e está em nós.

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Infelizmente a mostra se encerrou no dia 30 de setembro.

Mas o que me levou a escrever sobre estes trabalhos é o fato de a exposição ter sido realizada em um lugar acessível, por onde milhares de pessoas trasitam todos os dias. Contudo, todas as vezes que passei pelo local, via e contava nos dedos as pessoas que estavam visitando a obra.

Por que motivo isso acontece?

Não sei ao certo, mas acredito que nas grandes metrópoles parece que o tempo é um produto que não pode ser “desperdiçado” com momentos de Arte, especialmente nesse cotidiano louco que São Paulo nos propicia.

Será que a culpa não seria dos responsáveis pela curadoria do METRÔ?

Pois se é sabido que pelas estações passam milhares de pessoas todos os dias, por que colocam as obras em locais que apenas servem de encontro para casais de namorados? Creio que se estivessem em áreas mais acessíveis com certeza não seriam poucos, mas sim milhares, que apreciariam as obras.

Por outro lado, mesmo que as obras continuem sendo vistas por poucos, espero que ao menos estes amantes das artes possam propagar esta mensagem e incentivar seus amigos, que moram em SP, a ficarem sempre de olho nas estações do metrô. Em especial na da República, da Linha 4 Amarela, onde todos os meses tem um artista mostrando parte de seu trabalho.

Aqui, procurei apenas passar minha percepção para mostrar que a arte está entre nós, mas cabe a cada um deixar, ou não, que ela seja parte integrante dessa rotina louca que temos todos os dias.

Uma boa semana e até mais!

Rodrigo Garcia é designer gráfico e arte-educador.

Para ele, o que o move no mundo é a possibilidade de ver a arte, seja ela em grafite, ilustração ou em tela