Seleção 2.0

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Por causa da Copa, “ganhei” vários feriados, tendo que fechar as portas de minha agência de comunicação, dar folga aos funcionários, mas trabalhar sábados, domingos, de dia e também de noite, mesmo durante os jogos para dar conta de tanto trabalho acumulado. Daí demorei um pouco para escrever uma nova coluna. Desde o primeiro jogo entre Brasil x Croácia tive a ideia da Seleção 2.0 – se alguém já postou sobre isso, desculpe, mas não vi.

O que chamo de Seleção 2.0 representa a evolução da participação, do envolvimento do torcedor brasileiro com sua seleção de futebol.

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Por mais que a CBF seja uma entidade privada, que a liga de futebol internacional esteja sob a batuta da Fifa, outra entidade privada, na hora dos torneios nos passam a ideia de que seleção brasileira e Brasil é uma “coisa” só: a seleção é “o país de chuteiras”, hino nacional à capela, aquela música desgastada do “sou brasileiro com muito orgulho” etc.

Tudo para levar a crer que os onze milionários de uniforme esportivo chutando uma bolinha representam nossa nação contra as demais, que é “a nossa” seleção – e não da CBF ou da Fifa, como realmente ocorre.

Ou seja, o torcedor tem participação nula na escolha da direção da CBF, da comissão técnica, do técnico, dos jogadores titulares e reservas. Nula! Mas a seleção não é “nossa”? Nunca vi dono não mandar no que é seu!

Com o advento da comunicação digital em tempo real, da internet, das redes sociais, do compartilhamento de opiniões e fatos, acredito que até já passou da hora de o torcedor brasileiro – e o de outros países – passar a ter o direito de influir na escolha, pelo menos, do técnico e dos jogadores.

Parece ser algo fácil de implantar, sob o ponto de vista da tecnologia da informação: um sistema que colete opiniões dos torcedores, tabule as informações e forneça planilhas para que os gestores (sic) da CBF respeitem e acatem o clamor popular sobre os que devem dirigir e jogar na seleção.

Assim, se considerássemos a opinião da torcida nesses últimos jogos, o Fred, por exemplo, já poderia ter sido substituído, se as opiniões devidamente coletadas e analisadas resultassem em um consenso.

Aí o técnico colocaria o Jô, por exemplo, e mesmo ele jogando mal (como foi contra o Chile), a torcida não poderia chamar o técnico de “burro” ou mandá-lo tomar caju – afinal, foi a torcida quem decidiu pela troca.

Poder de escolha

Ou seja, o compartilhamento do poder de escolha com a população aliviaria o nível de cobrança da torcida sobre o desempenho da seleção – todos estão vendo como os jogadores choram a toda hora, alegando pressão pela vitória.

E, após partidas mal jogadas, o técnico não precisaria mais dar aquelas entrevistas coletivas em que apresenta uma versão fantasiosa e positiva, enquanto a torcida e os analistas esportivos descem a lenha no time porque não são cegos nem ingênuos. A responsabilidade passa a ser compartilhada: nas vitórias e nas derrotas. Quase como em um casamento!

Mas vamos colocar os pés no chão de novo e reconhecer que logo de cara não daria para achar que a CBF e a Fifa topariam algo desse jeito.

A experiência inicial poderia valer pelo menos para escolher alguns jogadores, uns dois por exemplo. A gente sabe que a CBF gosta de escolher técnico amigo para não melar negociações às quais não temos acesso, daí eu não gostar de nenhum deles que ocupa o cargo. Ou alguém aí aprovou o Sebastião Lazaroni? Na Wikipedia tem uma lista dos treinadores do Brasil para você dizer se aprova ou não. Entre eles, Mano Menezes e Dunga. Veja a lista.

O mesmo vale para jogadores: por que só foram convocados pouquíssimos atletas que jogam no Brasil para a seleção? Acho um desprestígio para os nossos torneios locais e para os atletas que os disputam. Será que a torcida gostaria de mais atletas “locais” no time?

Se a torcida pudesse influenciar na escolha de pelo menos parte do elenco, aí sim já daria para pensar em considerar a seleção como nossa.

A experiência da escolha pela torcida pode até ser estendida para os campeonatos regionais e nacional.

Gestão pública 2.0

O maior envolvimento do público geraria maior interesse da população, estádios mais cheios, arrecadação maior. Ainda mais diante da expectativa de que alguns se transformarão em elefantes brancos.

No próximo texto vou tentar estender essa ideia para a política. A gestão pública 2.0.

Isso porque a sociedade brasileira é pouco participativa, e as quadrilhas continuam disputando entre si quem vai comandar o Brasil, os estados, as cidades de olho no nosso dinheiro. E só.

Sergio Cross é diretor da Profissionais do Texto Agência de Comunicação