Quando uma andorinha

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Há 50 anos a lei de Direitos Civis que proibiu a discriminação racial nos Estados Unidos nasceu como fruto da atitude de uma costureira negra. Rosa Parks, uma mulher humilde, foi a propulsora por mudar a história de racismo e segregação naquele país. Ao dizer um veemente “não” Parks se negou a ceder a um branco o seu assento num ônibus. E esta atitude libertadora culminou no maior marco antirracista na história das lutas do movimento negro.

História

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Em Montgomery, capital do Alabama, a segregação entre negros e brancos era marcante no transporte público. As primeiras filas dos ônibus eram, por lei, reservadas para passageiros brancos e somente atrás vinham os assentos nos quais os negros podiam sentar-se. Estes precisavam pagar na parte dianteira, voltar a sair, subir pela porta traseira e sentar-se apenas nas áreas indicadas para as pessoas “de cor”.

Contrariando a esta pré-determinação, no dia 1° de dezembro de 1955, a costureira Rosa Parks, quando retornava do trabalho para casa, sentou-se num dos lugares situados ao meio do ônibus. Imediatamente o motorista do ônibus, branco, exigiu que ela e outros três negros se levantassem para dar lugar a brancos que haviam entrado no veículo. Ao negar-se a se levantar e ceder o assento Parks foi detida e levada para a prisão.

A partir de então o Conselho Político Feminino com o apoio de Martin Luther King Jr. organizou um boicote de ônibus urbanos, como medida de protesto. Milhares de negros se recusaram a tomar ônibus a caminho do trabalho mesmo, muitas vezes, tendo que caminhar quilômetros e quilômetros, suportando por vezes inclusive xingamentos e agressões.Várias personalidades apoiaram o boicote, até mesmo realizando shows beneficentes para ajudar os ativistas do movimento que se encontravam presos.
A greve durou 381 dias e as empresas de transporte coletivo começaram a ter prejuízos cada vez maiores, pois os negros representavam 75% dos usuários de ônibus.

Então, no dia 13 de novembro de 1956, a Corte Suprema norte-americana aboliu a segregação racial nos ônibus de Montgomery. Em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, sacerdote branco, entraram juntos num ônibus e ocuparam lugares na primeira fila.

Legado
Em pouco mais de uma década, os afro-americanos, através dos advogados da Associação Nacional para o Avanço de Gente de Cor (NAACP), conseguiram que a justiça extinguisse: as escolas segregadas, as estações e os trabalhos reservados aos brancos. Em 2 de julho de 1964, Lyndon B. Johnson, o vice-presidente que assumiu após o assassinato do presidente John F. Kennedy, sancionou a lei que acabou com a discriminação no espaço público dos Estados Unidos.

Análise
Para Rosenildo Ferreira, jornalista da revista IstoÉ Dinheiro, empreendedor social e criador do portal de notícias 1 Papo Reto (www.1paporeto.net.br), Rosa Parks conseguiu energizar a comunidade negra.

“O boicote, como instrumento efetivo de protesto, se consolidou neste movimento porque teve como fio condutor a coragem de uma mulher, a parte mais fraca em um processo violento de exclusão, que simplesmente resolveu dizer não a uma situação prá lá de ilegal”, acredita o jornalista que completou: “Muitas vezes, um incêndio de grandes proporções acontece por conta de uma centelha. E neste caso, a centelha desta ‘chama de batalha’, foi a atitude dessa grande mulher”.

Quanto ao apoio de Martin Luther King Jr, para o êxito dos protestos, a análise de Ferreira é contundente.

“Martin Luther King Jr. entra para a história como o herdeiro direto da política de não violência pregada por Gandhi. Por outro lado, o protesto pacífico só dá certo com uma boa dose de pressão feita por outros atores em uma batalha como esta. Neste contexto, a comunidade judaica (assistam o filma Mississipi em Chamas), especialmente de Nova York e da Costa Oeste, foi uma parceria de primeira hora. Não podemos nos esquecer da ala radical do movimento, os Panteras Negras, e também do movimento liderado pelos mulçumanos. Afinal, dar a outra face serve mais como filosofia do que como instrumento efetivo para vencer uma guerra. Mas a figura do doutro Luther King Jr., sem dúvida, foi essencial para unir os democratas de todas às cores à causa que não era apenas dos negros, mas de todos os seres HUMANOS!”, avalia.

Por fim a este processo segregacionista era imprescindível, pois segundo Rosenildo “as leis segregacionistas não apenas eram desumanas, como também praticamente permitiam que um branco pudesse matar um ou mais negros sem que nada lhe acontecesse”

*Texto escrito pela jornalista Rejane Romano para a Afrobrasnews