O adeus a Plínio

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Morreu na última terça-feira, 8/7, Plínio de Arruda Sampaio, aos 83 anos. Tive a sorte de conhecer o maravilhoso ser humano, quando o entrevistei, anos atrás, para uma revista em que trabalhei, do Movimento do Ministério Público Democrático. Nascido em Jaú (SP), Plínio integrou o Ministério Público de São Paulo. E foi militante político aguerrido. Durante a ditadura militar, viveu exilado, com sua família, no Chile e nos Estados Unidos.

Na volta ao país, ajudou a fundar o PT. Participou intensamente da Constituinte. Depois do mensalão, saiu do Partido dos Trabalhadores e fundou o PSOL.

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Religioso, testemunhou as modificações pelas quais passou a Igreja Católica no Brasil e no mundo. Mas sabia que uma coisa era a sociedade, que se transformava, e outra a religião. O religioso tinha suas convicções, o homem público não misturava uma coisa com outra.

Sobre sua biografia, é possível encontrar material farto nos sites de busca. Aqui neste espaço, rendo uma pequena e singela homenagem a este admirável homem público que nos deixou no mesmo dia em que estávamos todos juntos, vestidos com as cores da bandeira, assistindo ao Brasil sofrer sua mais acachapante derrota no futebol.

Foi apenas uma coincidência ele nos deixar neste dia infeliz.

Plínio era otimista e um homem de luta. Acreditava no Brasil. Era de uma geração de pessoas que enfrentou o golpe militar, mas não se curvou. Talvez fizesse parte de um mundo em que se acreditava ser possível alcançar altos ideais. A política era o lugar onde esses homens e mulheres buscavam esse objetivo.

Em 2010, muitos eleitores reconheceram em sua candidatura à Presidência um espaço especial para falar de política. Algumas de suas tiradas nos debates na televisão viralizaram, e ele se tornou popular entre jovens, ganhando até a página “Plinio comenta” no Facebook.

Segue aqui o link da entrevista, na íntegra. E abaixo alguns trechos que selecionei:

Reforma política
“Não acredito em reforma política. Ela só vai acontecer no Brasil se houver ruptura do sistema de poder”
“Sistema eleitoral, financiamento de campanha, lista feita por partido, fidelidade partidária, tudo isso vai ser milimetrado pela maioria, de maneira a criar condições
legais para que continue imune”

Cotas raciais
“Sou favorável (…) Temos uma dívida com os brasileiros de origem africana”
“Sei que não é o ideal, tem aspectos negativos, mas é um preço que o Brasil precisa pagar”

Uniões homoafetivas
“Não é casamento”
“Mas é união estável e gera direitos”

Aborto
“Sou contra o aborto”
“Mas não pode mais ser criminalizado. Não tem sentido isso”
“Sou um homem de convicções religiosas profundas. Mas eu achei o seguinte: a sociedade é uma outra coisa. Ela é uma sociedade civil, pluralista”

Sistema prisional
“Regredimos de maneira brutal (…) Renunciamos à possibilidade de reformar o criminoso”