R$ 460 milhões sobrando no Brasil

Você gostaria de ter este valor aplicado em benfeitorias para a população? Eu, sim. Ainda mais sabendo que boa parte desse expressivo volume de dinheiro irá sustentar 38 dias de funcionamento do Congresso Nacional, sem que haja pelo menos as votações necessárias de projetos e outras matérias. O cálculo é do site Contas Abertas.

Repercutiu na imprensa, mas provocou ZERO de mobilização entre a sociedade, embriagada com fatos que “realmente interessam”: assuntos relacionados à Copa como a vitória alemã e o fracasso da seleção nacional.

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O orçamento total da Câmara dos Deputados para este ano é de R$ 4,9 bilhões, ou R$ 13,6 milhões ao dia. O do Senado é de R$ 3,8 bilhões, ou R$ 10,4 milhões por dia.

Fazendo uma conta, vemos que para cada um dos 81 senadores, o recurso anual é de R$ 46,9 milhões; já para cada um dos 513 deputados, R$ 9,55 milhões.

Em nota, o jornal DCI informa:

“Pela previsão inicial, a Câmara e o Senado teriam 25 dias de votações em agosto e setembro, porém apenas 12 contarão com sessões. A Câmara fará apenas quatro sessões nos dois meses que antecedem as eleições. As votações deverão ocorrer apenas nos dias 5 e 6 de agosto e 2 e 3 de setembro, apenas nas terças e quartas-feiras.”

São dezenas de milhares de servidores que trabalham nas duas casas legislativas, que dão expediente independente de os parlamentares lá comparecerem. É uma máquina que não para, nem mesmo nos períodos de recesso. Só quem para excessivamente são os parlamentares.

Daí, quando o cidadão comum, que luta para atender às suas necessidades e pagar impostos, vê que R$ 460 milhões poderiam ser mais bem justificados se os “Excelências” cumprissem seu papel, bem que poderia ficar um pouquinho, só um pouquinho indignado.

Ainda mais que os parlamentares recebem salários e complementos integrais, trabalhando ou não.

Fazendo pouco dos contribuintes

Mas paira o silêncio. O Congresso Nacional é essencial para a democracia. Mas muitos de seus integrantes abusam de sua posição privilegiada e fazem pouco dos contribuintes.

As manifestações de 2013 assustaram muito a classe política. Tive a oportunidade de ouvir alguns representantes. Medo de serem agredidos, ofendidos etc. Passaram a fingir maior interesse no trabalho legislativo, apressaram as votações.

Foi um alvoroço no Congresso. Durou pouco tempo, o suficiente para esperar a gritaria baixar nas ruas.

Por mais que as depredações e agressões tenham que ser criticadas e combatidas nas manifestações de rua, o fato é que a classe política de Brasília (a capital administrativa e não a cidade, hein!?) está precisando encarar de novo a voz das ruas em relação à falta de empenho dos “Excelências”. Em ano de eleição, então, nada melhor…

Sergio Cross é diretor da Profissionais do Texto Agência de Comunicação