Pequenos grandes guerreiros do meio ambiente

Lutar por uma causa como a da conservação do meio ambiente é um desafio que se ganha, de verdade, no dia a dia. Isso não quer dizer que desconsideramos a importância de ações de grande vulto adotadas por organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial (Bird), ou que devemos reduzir a importância de espaços como o Fórum Econômico Global e o Fórum Social Mundial. De forma alguma. Contudo, a ação de governos e entidades da sociedade civil, como as ONGs, só se tornam realidade quando conta com o apoio da população.

E é neste contato do dia a dia do varejo feito por militantes das boas causas e no atacado das ONGs que a luta segue adiante. A influência e a insistência em colocar esses temas na agenda político-econômica e no cotidiano de brasileiros, em especial, e dos moradores dos Estados Unidos, da Europa, da África e de muitas nações da América Latina, no geral, se constitui, em muitos casos, em atitudes que envolvem até o risco de vida.

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O Projeto Colaborativo 1 Papo Reto listou alguns destes heróis conhecidos e anônimos que fazem do trabalho em prol de valores socioambientais a sua razão de viver. Buscamos contemplar a diversidade de causas e também introduzir personagens novos no debate. Sabemos que outras milhares de pessoas, daqui e do exterior, também mereciam ser perfilados. Na medida do possível, eles aparecerão nas páginas virtuais de nosso portal.

José Lutzenberger – agrônomo e ambientalista
Por que sua luta foi importante: pioneiro no debate sobe ecologia e meio ambiente no Brasil, o agrônomo nascido em Porto Alegre (RS) praticamente introduziu o debate sobre meio ambiente no Brasil com a obra “Manifesto Ecológico Brasileiro: O Fim do Futuro?”. Como secretário-especial do Meio Ambiente, no período 1990-1992, ajudou a demarcar a terra dos ianomâmis.

Andy Didorosi: criador e CEO da The Detroit Bus Company
Por que sua luta é importante: em meio à falência de Detroit, berço da indústria automotiva mundial, o governo local cancelou o sistema de ônibus que atendia a região central da cidade, por conta do enxugamento das despesas públicas. Em 2012, aos 25 anos, o fundador da The Detroit Bus Company não apenas topou o desafio de operar o sistema como montou o primeiro serviço de passageiros com veículos abastecidos unicamente com biodiesel. A frota é composta por ônibus reformados e o combustível adquirido de fornecedores da região.

Junia Machado – diretora da Elephant Voices Brasil
Por que sua luta é importante: a paulistana trouxe para o Brasil, há quatro anos, a ONG Elephant Voices, entidade que luta pelo fim dos maus tratos a estes mamíferos gigantes. O trabalho consiste no resgate dos bichos aprisionados em circos ou abandonados em fazendas, a partir da edição da lei que proíbe o uso de animais como atrações circenses. Em nível global, os elefantes ainda enfrentam risco de extinção por conta do comércio ilegal de marfim, na África, e pelo desmatamento, na Ásia.

Estela Renner – cineasta
Por que sua luta é importante: documentarista, dirigiu o filme “Muito Além do Peso”, hoje a melhor ferramenta de comunicação de denúncia da epidemia de obesidade na infância brasileira, mostrando o papel de pais e especialmente das empresas no problema. Fundadora da produtora Maria Farinha, de São Paulo, Estela traz na bagagem o curta “Criança, a Alma do Negócio”, no qual fala sobe os efeitos deletérios da propaganda na cabeça dos pequenos em formação.

Kevin Bales e Fiona David – fundadores da Walk Free Foundation
Por que sua luta é importante: pode parecer absurdo, mas a chaga da escravidão continua presente na sociedade. E isso vale tanto para as ricas Nova York, São Paulo e Londres, quanto para as empobrecidas economias da África e do Sudeste Asiático. Só que, ao contrário do que acontecia no século 19, hoje os trabalhos forçados assumem até mesmo uma aura de legalidade. Lutar para debelar este tipo de exploração se tornou um imperativo quando se pensa na construção de um mundo mais sustentável.

Christian Kroll – fundador do Ecosia
Por que sua luta é importante: baseado no desafio de plantar um bilhão de árvores em diversas regiões do mundo, inclusive o Brasil, o Ecosia coloca as ferramentas de busca na internet (alimentados pelo Big e o Yahoo) a serviço da ecologia. O mais bacana nesta plataforma é sua característica participativa, uma vez que envolve os internautas nesta luta. Isso porque 980% da receita de publicidade com cada busca é destinada à ONG The Natural Conservancy (TNC).

Dionísio Ribeiro Filho – ecologista do Grupo de Defesa da Natureza
Por que sua luta foi importante: ex-policial e ecologista, foi assassinado com um tiro à queima-roupa em 2005. O carioca lutou pela criação da Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao longo de 40 anos defendeu os ativos da fauna e da flora, lutando especialmente contra a extração ilegal de palmito-juçara, a exploração de areais, a instalação de complexos turísticos e a especulação imobiliária em um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica.

Virgílio de Farias – advogado e ambientalista
Por que sua luta é importante: retirante nordestino, deixou o sertão de Pernambuco para tentar a sorte em São Paulo. Estabeleceu-se em Diadema e na efervescência da recriação do movimento sindical, ajudou a fundar o Movimento em Defesa da Vida do Grande ABC. Seu principal eixo de luta é a conservação das represas Billings e Guarapiranga, que garantem boa parte da água consumida por paulistas e moradores da região metropolitana de SP. Graduou-se em Direito, em 2008, com especialização em direito ambiental.

Ingrid Newkirk – fundadora do grupo PETA
Por que sua luta é importante: com campanhas irreverentes, provocantes e às vezes chocantes, os integrantes do PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, da sigla em inglês) fizeram a cabeça de muitas pessoas em seus 30 anos de existência. O grande mérito da instituição criada pela inglesa Ingrid Newkirk foi ter mudado a forma como a indústria da moda e de cosméticos lida com os animais, em testes de produtos ou no uso de peles em suas criações.

Rachel Carson – bióloga marinha e ativista
Por que sua luta foi importante: os movimentos ecológicos têm nesta americana uma combatente de primeira hora. Sua luta pelo banimento de pesticidas nocivos à saúde, como o DDT, na década de 1960, acabou culminando na criação da EPA (Agência de Proteção Ambiental, da sigla em inglês) dos EUA. Graduada em biologia marinha, se tornou uma celebridade com o livro “O Mar que nos Cerca”. Mas foi com “Primavera Silenciosa” que ele se eternizou. Neste ano, faz 50 anos de sua morte, e Rachel continua mais viva do que nunca.

Susana Prinzendt – arquiteta e ativista do MUDA-SP
Por que sua luta é importante: a paulistana Susana é uma incansável batalhadora da causa da alimentação saudável no Brasil. No Estado de São Paulo, coordena a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Integra a rede MUDA-SP (Movimento Urbano de Agroecologia de São Paulo) e participa como ativista e educadora de grupos nas áreas de saúde, cultivo orgânico, segurança alimentar e arte-educação ambiental.