Com que roupa

A especulação imobiliária vem cada vez mais mudando a face das cidades. E isso não acontece apenas no caso das capitais. Municípios de porte médio do interior e de regiões metropolitanas do Rio, de São Paulo e de Curitiba, por exemplo, já sentem os reflexos da intensa verticalização. Não se propõe, aqui, deter a marcha do progresso, mas sim apostar na preservação de um passado que dialoga com a história de seus moradores e faz uma conexão, porque não dizer, segura, com o futuro.

Na cidade de São Paulo, um dos focos de resistência é o bairro da Mooca, ou República da Mooca, como gostam de dizer seus moradores mais antigos. Mas cultivar as raízes não é apenas uma questão que envolve os descendentes de italianos que chegaram ao bairro operário no início do século 20. Jovens e outros nem tanto, como Rogério Coutinho, de 36 anos, vêm apostando em iniciativas destinadas a preservar a memória do bairro e também fortalecer o sentimento de pertencimento e de solidariedade.

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Para isso, ele criou e administra a página Viva Mooca, no Facebook. A ideia é, por meio do registro iconográfico, resgatar e preservar pontos marcantes da história do bairro. “Sou morador da Mooca e vejo em todas as pessoas o orgulho que elas têm do lugar em que vivem”, conta. “Mas vi que podia ir além de colocar apenas fotos em uma página da internet.” E foi aí que veio a ideia de ajudar o próximo com a campanha Moocalor.

Trata-se de uma iniciativa, no mínimo inusitada, que tem como ferramenta a colocação de placas de coleta de roupas, pelas ruas do bairro. Tudo começou em meio à campanha do agasalho, cujo mote era “Se está precisando PEGUE, se está sobrando DOE”.

Passado o inverno, que nem tão severo foi neste ano, ele decidiu manter a iniciativa. “Resolvi estender este trabalho porque, muitas vezes, as pessoas mais humildes não dispõem de roupas adequadas para ir a uma entrevista de emprego, por exemplo”, diz ele.

Dessa forma, Rogério espera aproximar ainda mais os moquenses em uma corrente de solidariedade, tendo por base a sustentabilidade.

Sem dúvida, um belo exemplo.