A Super aposta da Scania para o Brasil

A Super aposta da Scania para o Brasil

Houve um tempo no qual a adesão aos princípios da sustentabilidade era tida como um diferencial competitivo. Especialmente no segmento industrial, em geral, e no automotivo, em particular. A assinatura de acordos para redução do aquecimento global, no entanto, colocaram pressão sobre o setor de transporte. Principalmente na Europa, onde os órgãos reguladores pretendem eletrificar toda a frota de veículos até 2030. Ou seja: nenhum carro, ônibus ou caminhão zero km poderá ser comercializado no continente se não for 100% elétrico. Com isso, os motores a combustão, alimentados por combustíveis fósseis (diesel) ou mesmo os alternativos e renováveis (biogás, biodiesel e células de hidrogênio), não terão mais vez.

Um baita problema para as montadoras que atuam globalmente e dependem enormemente das vendas fora da Europa. No segmento de caminhões, a sueca Scania já definiu sua estratégia para, ao mesmo tempo em que cumpre os acordos de mitigação, seguir crescendo em mercados onde o diesel é soberano, como o Brasil.

Seu principal trunfo é a Plataforma Super, de caminhões pesados e semipesados, cujas entregas começam a partir de fevereiro de 2023. Seu desenvolvimento consumiu cinco anos em pesquisas, e exigiu investimentos de dois bilhões de euros, na Europa, e outros R$ 1 bilhão nas fábricas de São Bernardo do Campo (SP) e Tucumán (Argentina). Apesar de esteticamente lembrar em muito os “irmãos mais velhos”, o Super é, na prática, um novo produto.

Especialmente no que se refere ao conjunto propulsor, chamado tecnicamente de trem de força, que reúne motor, câmbio, eixo cardan e diferencial. Mudanças radicais, também, nas funcionalidades de assistência ao motorista. Exemplos: o sensor que lê a faixa de rodagem, corrigindo a rota em caso de distração do condutor,  e o dispositivo que funciona como freio-motor nas descidas – uma espécie de banguela inteligente e segura!

Scania marcelo gallao 1 papo retoGallao, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania 

A “tropicalização” do modelo, que já roda desde o final de 2021, na Europa, se deu a partir de uma bateria de testes por diversas regiões. Ao longo de dois anos, 37 caminhões do modelo Super percorreram 4,2 milhões de km. Tudo acompanhado pelos departamentos de engenharia do Brasil e da Suécia. O resultado é um veículo cuja emissão de dióxido de carbono (CO2), o principal gás causador do efeito estufa, é 8% menor em relação às demais opções da família Scania. “Esse patamar chega a 20%, se somarmos os 12% de economia proporcionados pelos modelos lançados em 2019”, destaca Marcelo Gallao, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania no Brasil.

Economia com aumento da potência, como faz questão de ressaltar o executivo, pois o motor do Super é 120 Kg mais leve em relação ao que existe no mercado. Do ponto de vista do cliente, o vice-presidente de Vendas & Marketing da Scania Latin America, destaca a durabilidade do veículo, cuja vida útil é de 104 milhões de Km (o equivalente a 2,6 mil voltas ao mundo) e a melhoria no desempenho. “Queremos proporcionar aos nossos parceiros que seus negócios sejam mais rentáveis e, com isso, mais sustentáveis.”

Tudo isso, faz com que o Super seja encarado como a principal aposta para melhorar o desempenho da montadora sueca. No acumulado janeiro-setembro, o principal modelo da empresa, o R 450, aparece como o quinto mais vendido do país, em todas as categorias. A ideia é ganhar terreno com o seu substituto, oR 460, um dos mais vistosos integrantes da família Super.

ECONOMIA PARA O BOLSO E O PLANETA

“Desde 2019, quando foi introduzida a nova família de caminhões, a marca garantiu aos seus clientes uma economia de 120 milhões de litros de diesel, equivalente a R$ 864 milhões. Mais. Do ponto de vista ambiental, isso representou a não emissão de 997 mil toneladas de dióxido de carbono na atmosfera”

O Super chega em um momento de desafios para todo o setor, obrigado pela legislação a adaptar seus veículos ao PROCONVEP 8, ou Euro 6, que entra em vigor em janeiro de 2023 e prevê parâmetros mais rígidos de emissão de gases poluentes. Neste cenário, a subsidiária espera, ainda, que seu modelo movido a gás ganhe ainda mais competitividade. Idealizado para pequenas e médias distâncias (entre 400 km e 600 km), o P 340 custa cerca de 30% mais caro que os mesma categoria, a diesel. Em cerca de 18 meses já foram comercializadas 600 unidades. Para 2023, a expectativa é vender outros 700 caminhões.

Scania paulo gianezini 1 papo retoGianezini, gerente de Sustentabilidade da ScaniaA estimativa leva em conta diversos fatores: necessidade de as empresas reduzirem as emissões de CO2, maior número de postos de abastecimento de GNV e biogás, além do aumento de preço nos veículos da faixa do P 340, movidos a diesel, devido às adequações ao PROCONVEP 8. “O modelo a gás já nasceu com todos os requisitos exigidos nessa norma”, diz Paulo Genezini, gerente de sustentabilidade da Scania Brasil.

Sem dúvida, o discurso da sustentabilidade, tanto ambiental quanto financeiro, se tornou o principal argumento de vendas para os executivos da subsidiária. Tudo colocado sob o ponto de vista empresarial, é claro. E isso ficou evidente nos dois dias do evento de lançamento da Plataforma Super, realizado há cerca de 10 dias, em um resort de Itupeva (SP).

“Desde 2019, quando foi introduzida a nova família de caminhões, a marca garantiu aos seus clientes uma economia de 120 milhões de litros de diesel, equivalente a R$ 864 milhões. Mais. Do ponto de vista ambiental, isso representou a não emissão de 997 mil toneladas de dióxido de carbono na atmosfera”, destacou Genezini.  

Minha primeira vez

O editor do site de notícias 1 Papo Reto foi um dos cerca de 30 profissionais de comunicação, entre blogueiros e jornalistas, convidados para o evento. Na ocasião, ele teve a oportunidade de comprovar alguns dos atributos da linha Super, destacados pela montadora. O teste drive (assista o vídeo no player de nosso site) misturou momentos de tensão e diversão. No primeiro caso, em função da responsabilidade de acelerar um veiculo que puxava uma carroceria com 10 toneladas de carga seca. No outro, pelo ineditismo. Afinal, foi minha primeira vez na boleia. E, cá entre nós, quem nunca pensou em pilotar um desses gigantes, né!?

Ah, também sobrou tempo para acelerar o P 340, movido a gás. Neste caso, o destaque ficou por conta do silêncio que reinava na cabine, além da potência do motor. Tanto em terreno plano quanto nas subidas.

 

Rosenildo Ferreira
Author: Rosenildo Ferreira
Sobre o/a Autor(a)
Rosenildo Ferreira é o fundador e publisher do portal de notícias 1 Papo Reto e cofundador da Vale do Dendê.
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