Lobby vegano se alia à biotecnologia pela carne feita de plantas

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As maiores contribuições da biotecnologia têm sido na área da saúde,especialmente na produção de medicamentos que garantam o bem-estar das pessoas. Mais recentemente, contudo, as startups do setor começaram a enxergar na manipulação genética de compostos de origem vegetal um grande (e lucrativo!) filão a ser explorado. Colaborou para isso a pressão desencadeada pela onda vegana, filosofia que defende uma alimentação ambientalmente e eticamente sustentável. Este movimento começou na década de 1940, na Inglaterra, e ganhou impulso a partir da fundação da ONG Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, da sigla em inglês), em 1980, na Virgínia (EUA).

A entidade conseguiu adeptos em todos os continentes, notadamente na Europa, graças às performances chocantes e agressivas contra açougues, frigoríficos e redes de alimentação que faturam alto com a venda de produtos derivados de proteína animal. O radicalismo, porém, acabou perdendo espaço para o advocacy. Hoje, entidades e ativistas ligados ao bem-estar animal vêm apostando em ações de convencimento. A ideia não é “criminalizar” os carnívoros, mas sim dar a eles opções. Uma delas é o hambúrguer com cara de hambúrguer, gosto de hambúrguer e textura de hambúrguer, mas produzido com elementos vegetais.

Protesto da Peta contra a carne processada no Brasil

Mais. O movimento em torno do hambúrguer vegetal assumiu tamanha proporção que gerou uma corrida entre os processadores de proteína animal convencional, como a brasileira BRF e a suíça Nestlé, e as food techs, como são chamadas startups do setor, pela primazia desta mercado. A brasileira Behind the Foods e a americana Impossible Foods são exemplos de food techs apontadas como de grande potencial por parte dos investidores.

Embrapa na linha de frente

Além da propaganda e da ação dos ativistas, outro grande instrumento usado pelo GFI para levar adiante sua agenda é o financiamento de pesquisas. Tanto no setor público quanto no privado, por meio do Programa de Incentivo à Pesquisa. Na terça-feira (7/4), a ONG anunciou as 21 iniciativas premiadas globalmente. A lista inclui nove países, entre eles o Brasil. Aqui, duas pesquisadoras da Embrapa foram beneficiadas: Caroline Mellinger e Ana Paula Dionísio, terão uma verba total de US$ 4 milhões para levar adiante seus estudos.

Lobby vegano Embrapa 1 Papo Reto 1 585x518Arte: GFI/Edição Marcos Moulin/Embrapa

Caroline atua na Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, e desenvolve um projeto para otimizar o isolamento dos compostos proteicos do feijão carioca. A pesquisa conta com a parceria da Embrapa Arroz e Feijão, situada em Santo Antônio de Goiás (GO), e o objetivo é acelerar a escala de produção de alimentos à base de vegetais, a partir desse grão amplamente cultivado e consumido no Brasil.

Por sua vez, Ana Paula está ligada à Embrapa Agroindústria Tropical, de Fortaleza, e pesquisa uma forma economicamente viável para transformar os resíduos do caju em alimentos vegetais, capazes de “enganar” o paladar, se passando por alimentos de origem animal. Leia-se, carne vegetal.

Dados do GFI indicam que o mercado global de alimentos à base de vegetais poderá movimentar entre US$ 100 bilhões e US$ 370 bilhões, até 2035. Por trás dessas cifras e dos lobbies e advocacies estão algumas interesses e narrativas dos mais diversos. O primeiro ponto se refere a necessidade de garantir alimentação para os 7,5 bilhões de habitantes do planeta. Hoje, cerca de um bilhão de pessoas vivem em estágio de fome ou carência alimentar. Por outro lado, o crescimento da criação de animais esbarra no potencial impacto ambiental, especialmente no que se refere ao consumo de água e ao desmatamento de áreas verdes. A carne vegetal é apresentada pelos veganos como a solução ideal.

*Com informações da Agência de Notícias da Embrapa