Do “blá-blá-blá” à ação para reduzir a ameaça climática. Será?

Do “blá-blá-blá” à ação para reduzir a ameaça climática. Será?

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O primeiro “resultado prático” da COP26, Conferência da Organização das Nações Unidas, que acontece em Glasgow, foi o anúncio feito no “Dia das Finanças”, que reuniu cerca de 500 empresas financeiras (bancos, seguradoras e corretoras de valores) cujos representantes se comprometeram em alinhar US$ 130 trilhões - cerca de 40% dos ativos financeiros mundiais - com as metas climáticas estabelecidas no Acordo de Paris, incluindo a limitação do aquecimento global a 1,5ºC.

Na prática, isso significa que os recursos serão utilizados para financiar projetos ambientalmente sustentáveis, capazes de deter a elevação da temperatura do planeta. “A mensagem central hoje é que o dinheiro está aí, o dinheiro está aí para a transição e não é blá-blá-blá”, disse Mark Carney, enviado especial da ONU para Ação Climática e ex-presidente do Banco da Inglaterra, aos delegados durante um evento de finanças climáticas na COP26 . “É uma questão de foco no cliente, indo até onde estão as emissões para ajudar a reduzi-las. Então, as empresas que têm planos para reduzir as emissões vão encontrar o capital, as que não têm, não vão. Portanto, é altamente recomendável colocar esses planos em prática ”, explicou.

O compromisso vem com um caminho pelo qual as empresas envolvidas, incluindo a maioria dos principais bancos ocidentais, devem usar diretrizes baseadas na ciência para alcançar emissões líquidas zero até 2050, e se comprometer com metas provisórias para uma redução de 50% até 2030, e também uma redução de 25% nos próximos cinco anos. Isso significa ajustar seus modelos de negócios, desenvolver planos confiáveis ​​para a transição e, em seguida, implementá-los. “E com relatórios anuais críticos, teremos o retorno sobre quem está indo bem, quem precisa fazer mais e em termos de política, o que existe e o que não existe”, destacou Carney.

Para Patricia Espinosa , Secretária executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), não há dúvida de que deve haver uma transformação profunda da economia mundial e o setor privado deve fazer parte dela. “O setor privado está percebendo que os riscos climáticos são muito importantes para seus portfólios e precisam alinhá-los a uma forma mais sustentável de fazer as coisas”, disse ela a jornalistas em uma entrevista coletiva.

Mark Carney COP26 1 papo retoMark Carney, enviado da ONU à Conferência Climática COP26/ Foto: Miranda Alexander-Webber/UNRIC

Por sua vez, o chefe do Programa das Nações Unidas para o meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, destacou os efeitos benéficos do compromisso assumido pelo setor financeiro na construção de uma agenda ambiental de resultados práticos. Ele lembrou que os esforço atuais não são suficientes. “Nosso Relatório de Lacunas de Emissões mostra isso: restam cerca de 500 gigatoneladas (de emissões de CO2), com os atuais NDCs (planos nacionais de redução de emissões), eliminamos 4 gigatoneladas (das emissões), mas estamos emitindo 55 por ano. A conta não bate... Existem algumas oportunidades reais para o setor financeiro, precisamos ficar longe do carvão, petróleo e gás”, explicou Andersen. 

Promessas e mais promessas

Apesar do tom de emergência dado à questão climática é bom ficar com o “pé atrás”. Isso porque desde a Rio92, a conferência eu colocou o meio ambiente no centro dos debates globais, que diversos agentes públicos e privados têm deixado de cumprir muito o que é acordado nestes encontros. Um exemplo recente é o fracasso na aplicação anual de US$ 100 bilhões em projetos ambientais, no período 2010-2020, pactuado na COP15, em 2009. O acerto de contas foi jogado para 2023.

“É lamentável que seja altamente improvável que cumpramos a meta de US$ 100 bilhões em 2021, mas com base nas informações apresentadas pelos doadores, a análise mostra que os países desenvolvidos farão avanços significativos para a meta de US$ 100 bilhões em 2022, e eu acredito que também oferece a confiança de que atingiremos a meta em 2023”, disse o presidente da COP26, Alok Sharma, em entrevista coletiva.

 

*Com informações da ONU.

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