Movimento Vozes Inclusivas une Brasil e Portugal para falar de cidadania digital

Movimento Vozes Inclusivas une Brasil e Portugal para falar de cidadania digital

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O carioca Renato Peixoto Pinto, 35 anos, é o que se pode chamar de um sujeito multitarefas. Graduado em marketing e cinema, ele acabou optando por fazer carreira como executivo-ativista focado em projetos de impacto social.

Nos últimos 10 anos, o cargo de diretor de parcerias globais da Endless, empresa americana especializada em inclusão digital, lhe permitiu viver experiências marcantes em diversos países. A lista inclui Guatemala, México, Estados Unidos e Indonésia onde atuou na implantação do sistema operacional da startup americana. O modelo de negócio sofreu uma guinada (ou foi pivotado, como se fala no jargão desse segmento), e a Endless passou a atuar como uma fundação cujo objetivo é trabalhar pela democratização digital.

Uma tarefa mais que urgente. Afinal, de acordo com inúmeros estudos e pesquisas, um dos efeitos perversos da pandemia de COVID-19 é o impacto na aprendizagem de crianças e jovens, cujos reflexos serão sentidos na economia do país. O estudo Perda de Aprendizagem na Pandemia, liderado pelo economista Ricardo Paes e Barros, do INSPER, colocou a questão em cifras: a renda futura de milhões de brasileiros vai se reduzir entre R$ 723 bilhões a R$ 1,5 trilhão.

A maior fatia de perdas está sendo imposta aos mais pobres, especialmente aos integrantes da comunidade afro-brasileira. Isso porque, é neste contingente racial que se concentram as maiores carências socioeconômicas. De modo geral, o ensino remoto, já consagrado em diversos países, depende de conectividade. Algo corriqueiro ou banal para integrantes dos grupos economicamente privilegiados, mas um sonho distante para milhões de crianças e jovens de famílias que estão na base da pirâmide econômica (ver quadro abaixo). E essa triste realidade não se resume ao Brasil. “O problema da falta de cidadania digital é uma constante em diversos países do mundo”, destaca Renato.

Quadro Summit

Para ele, mesmo em se tratando de uma questão que depende da ação governamental, não significa dizer que a sociedade organizada não possa fazer a sua parte ou mesmo que esteja de braços cruzados. Ao contrário. “Em minhas andanças conheci inúmeros projetos e iniciativas exitosas de ativistas e empreendedores sociais atuando como agentes de mudança”, diz. E foi exatamente para reunir esse contingente e viabilizar as trocas de experiências e a interação, em rede, que Renato decidiu criar o Movimento Vozes Inclusivas.

A ambiciosa iniciativa nasceu global e, em menos de seis meses de vida, já se prepara para colocar de pé o Summit Inclusão Digital (ver detalhes abaixo), reunindo ativistas sociais, pesquisadores e influenciadores baseados no Brasil e em Portugal. O objetivo é que ao longo de oito dias sejam divulgadas iniciativas, aconteçam trocas experiências e o estabelecimento de parcerias visando a fortalecer os mecanismos e ações de promoção da cidadania digital.

A seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva concedida por Renato Peixoto Pinto, cofundador do Movimento Vozes Inclusivas, a 1 Papo Reto:

Renato Peixoto Pinto Summit Inclusao digital Vozes inclusivas 1 papo reto“A cidadania digital também é uma forma de acessar direitos básicos como educação e trabalho”

Quais os fatores que motivaram a criação do Movimento Vozes Inclusivas?

Nos últimos 10 anos trabalhando na Endless tive a oportunidade de visitar inúmeros lugares em vários continentes. Convivi de perto com seres humanos fantásticos e conheci histórias incríveis, mas que estavam apartadas da tecnologia pela falta de acesso a computadores e smartphones, ou porque não dispunham de uma rede de banda larga. A partir daí, me desafiei a imaginar uma forma de conectar essas pessoas, para ajudá-las a potencializar seus trabalhos. Em muitos casos, vi empreendedores sociais começando do zero iniciativas que poderiam ser aceleradas utilizando mecanismos e processos já consagrados em outros locais.

Como falar em cidadania digital, foco do Summit que você está liderando, num momento de emergência econômica, social e sanitária trazida pela COVID-19. Dá para pensar em acesso à internet quando se corre o risco de morrer de fome?

De fato, a humanidade está lidando com grandes desafios ao mesmo tempo. Porém, não se trata de privilegiar uma pauta em detrimento de outra. Não há concorrência entre elas. O Summit não ignora a pandemia. Ao contrário, pretendemos mostrar que exclusão digital é um fato que já existia, mas que foi potencializado com a pandemia. E é neste contexto que a cidadania digital cresce em importância porque ajuda as pessoas a acessarem direitos básicos, como educação e trabalho.

O que o sr. espera atingir com o Summit?

De imediato, posso dizer que já atingimos nosso primeiro objetivo, que era o de ampliar as conexões entre diversos ativistas que já fazem coisas fantásticas. Os 48 palestrantes já estão dialogando, e dessa interlocução já nasceram boas trocas de experiências. Trata-se de uma surpresa, porque, normalmente, esses processos aconteces no pós-evento.

O sr. poderia citar outros exemplos práticos?

Claro. Apesar de todo evento ser colaborativo e gratuito, estamos angariando recursos junto a empresas e doadores individuais para ajudar a potencializar quatro iniciativas no Brasil. Já selecionamos duas: o Instituto Guetto, do Rio de Janeiro, e a OSC Refúgio 343, de Roraima. A ideia é que o Movimento Vozes Inclusivas se torne embaixador dessas causas, ajudando na divulgação e captação de recursos de empresas e entidades. Deveremos incluir outras quatro na lista, assim que fecharmos a primeira etapa do processo.

Quando se fala em exclusão digital, é mais fácil lembrar da África que da Europa. Por que incluir Portugal no Summit?

Por se tratar de um evento que está sendo organizado por voluntários, estruturamos o projeto a partir dos inputs da nossa rede de contatos. Infelizmente, não chegou nada da África ou do Oriente Médio, neste primeiro momento. Mas vamos partir para uma busca ativa nos próximos encontros, pois adoraria ter uma diversidade ainda maior de vozes e experiências sendo compartilhadas de forma gratuita e em nível global.

 

 

SAIBA MAIS

O que: Summit de Inclusão Digital 2021 (seminário on-line)

Quando: 9 a 19 de agosto

Onde: Brasil e Portugal

Quanto custa: inscrições gratuitas

Quem organiza: Movimento Vozes Inclusivas

Inscrições: https://zoom.us/webinar/register/WN_ABUrgrs2SOKUh5djzjzorA

Redes sociais: @vozesinclusivas 

Site: vozesinclusivas.org/

Inf. adicionais: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

 

 

 

*O portal de notícias 1 Papo Reto é parceiro de mídia do Summit de Inclusão Digital 2021