Dow entra na quadra, no campo...

Na arena olímpica, as empresas também correm atrás das medalhas. Conheça a estratégia da americana DowDaqui a cerca de 100 dias o mundo estará com os olhos e os ouvidos ligados no Rio de Janeiro. Mais especificamente nas arenas e demais espaços onde acontecerão as disputas por medalhas de ouro, prata e bronze, em 42 modalidades esportivas. Mas o olhar aguçado em direção aos Jogos Olímpicos Rio 2016 ou a preocupação em fazer bonito não se resume a atletas e técnicos. Isso porque, faz tempo que as competições esportivas também se converteram numa arena para negócios em alto nível. Mais do que fabricar equipamentos e oferecer serviços, o objetivo dos representantes do setor privado é impregnar suas marcas com alguns dos principais atributos positivos dos jogos: performance, competitividade e trabalho em equipe. Isso vale tanto para fabricantes de roupas e calçados, quanto para quem desenvolve insumos químicos utilizados em uma enormidade de produtos, inclusive na construção das arenas e estádios. É neste último filão que a americana Dow pretende deixar um legado. A empresa embarcou na onda dos jogos em 2010, quando assinou um contrato de 10 anos com o Comitê Olímpico Internacional (COI). Como uma das 10 patrocinadoras fixas dos jogos de inverno e de verão, a Dow desfruta de uma posição privilegiada na hora de dialogar com os fornecedores de produtos e serviços para as cidades que abrigam os jogos. “Na verdade, nossa ligação com os jogos é mais antiga. Iniciou-se na década de 1980, quando começamos a vender insumos e aditivos utilizados no segmento construtivo”, conta Júlio Natalense, gerente de Tecnologias e Sustentabilidade para Operações Olímpicas da Dow. "Na época nosso foco eram os produtos que já faziam parte de nosso portfólio." A partir dos jogos de Londres 2012, no entanto, a companhia começou a orientar algumas de suas pesquisas para insumos específicos visando o aprimoramento da performance esportiva. Um bom exemplo é o fio de polietileno usado na produção do piso sintético das quadras de hóquei (veja foto de abertura desta reportagem). “O produto foi pensado para aumentar a velocidade dos atletas e reduzir o atrito com a pele”, destaca Natalense. Uma curiosidade: em vez de utilizar a cor verde, os técnicos da Dow optaram por tingir os fios de azul para melhorar a visão do público e do árbitro. [caption id="attachment_9687" align="alignleft" width="240"]Erin Hamlin festeja o bronze no Luge, em Sochi-2014 Erin Hamlin festeja o bronze no luge, em Sochi-2014[/caption] As incursões esportivas da Dow não se limitam a aditivos para construção civil, desenvolvimento de fios sintéticos ou mesmo insumos usados em painéis solares. A gigante americana também construiu os sleds (carrinhos) usados na prática do luge. A parceria com a equipe olímpica dos Estados Unidos deu certo logo de cara. “Na olimpíada de inverno de 2014, em Sochi (na Rússia), foi a primeira vez que um atleta dos Estados Unidos subiu ao pódio numa disputa individual na modalidade, ao ganhar a medalha de bronze”, conta o gerente de Tecnologias e Sustentabilidade para Operações Olímpicas da Dow. O feito da jovem Erin Hamlin entrou para a história pois, até então, os americanos haviam conquistado apenas duas medalhas de prata, em duplas. Natalense se apressa em explicar que a produção de sleds em série não faz parte dos planos da Dow. Na verdade, a gigante americana quer mesmo é abrir espaços em novos mercados. Até porque, a decisão de patrocinar o COI veio junto com a determinação da direção mundial de que a equipe de vendas adicionasse US$ 1 bilhão ao faturamento anual, a partir dos negócios ligados às olimpíadas de forma geral. Para fechar a conta, a empresa montou times que se dedicam 24 horas por dia à prospecção de negócios e ao desenvolvimento de novos produtos. No Brasil, a equipe da Dow Olimpics and Sports Solutions é composta por seis integrantes. Eles trabalham em tempo integral e conectados com a área de Pesquisa e Desenvolvimento global. Natalense diz que os jogos do Rio vão ajudar a empresa a atingir a medalha de ouro no desafio imposto pela direção global da Dow.