Dinheiro jogado fora

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O blogueiro Fernando Neves faz as contas: não sai nada barato limpar os monumentos históricos pichados Brasil afora, e a verba sai dos cofres públicos...Se existe uma verba que lamentavelmente as prefeituras jogam fora é a que custeia a necessária limpeza para remoção de pichações. É dinheiro da arrecadação municipal que certamente seria mais bem empregado em outras áreas mas que precisa ser gasto com limpeza porque tem gente que não respeita patrimônio público. Uma navegada simples, sem muita profundidade, pela Internet dá uma boa medida de quanto se perde com limpeza do patrimônio público, vítima dos pichadores. O Rio de Janeiro é de longe a cidade com a maior área exposta para a ação dos vândalos. O município tem 694 obras públicas – fora escolas, museus, teatros, centros culturais e outros imóveis públicos que pertencem a todos nós. Em 2012 a Prefeitura gastava mais de R$ 1 milhão ao ano com esse tipo de limpeza, incluindo aí R$ 3 mil por cada par de óculos que é roubado da estátua em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade, na praia de Copacabana. Quatro anos depois o valor que a prefeitura do Rio é obrigada a pagar para manter o patrimônio público limpo das ações dos vândalos não deve ter ficado menor. Em Curitiba, a Prefeitura gastava ao ano, em 2013, R$ 1,5 milhão pelas mesmas razões dos governantes cariocas. No ano passado, Belo Horizonte precisou empregar R$ 2 milhões de dinheiro dos contribuintes para limpar o patrimônio público das pixações. E na capital paulista recentemente a cultura da cidade foi vandalizada: jogaram tinta no monumento às Bandeiras e na estátua do Borba Gato. A conta de limpeza paga como sempre pelos cidadãos para tirar a sujeira jogada nas esculturas é de R$ 37 mil. O que dá para fazer com esse dinheiro? Muita coisa, naturalmente. E para sair do achismo no ano passado o Ministério Público de Minas Gerais fez as contas e o resultado foi alarmante. Com base nos custos apresentados pela prefeitura da capital mineira para se retirar um metro quadrado de pichação são gastos R$ 60. Dinheiro esse que daria, no ano passado, para pagar seis consultas médicas do SUS ou vinte refeições em restaurante popular de Belo Horizonte. E se esse dinheiro pudesse ser usado na educação? O Ministério da Educação definiu o custo mensal por aluno na rede pública, educação básica, em R$ 212,10 (2015). Cabe uma explicação: esse é o valor mínimo que o estado deve gastar por estudante. Pode por mais dinheiro se tiver ou quiser, mas menos não. Nesse caso se o governo não tem como arcar com esse valor mínimo deve pedir complementação ao governo federal por meio do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação). Pronto? Calculadora na mão e vamos lá: Os R$ 3 mil gastos toda vez que algum idiota rouba os óculos do Drummond em Copacabana bancariam um ano de educação para 1 estudante. Os R$ 37 mil gastos pela prefeitura da capital paulista para limpar a pichação nas estátuas bancariam um ano de educação básica para 14 alunos. Os R$ 1,5 milhão que a prefeitura de Curitiba gasta pela má educação e desrespeito das pessoas pagariam um ano de educação básica para 589 estudantes Os R$ 2 milhões que o contribuinte da capital mineira vê jogarem fora por causa das pichações bancariam um ano de educação básica para 785 estudantes. A conclusão é livre.
Mas e na iniciativa privada, qual o impacto? A degradação dos espaços públicos, incluindo aí os imóveis particulares, não beneficia ninguém e prejudica diretamente a economia e como consequência direta os empregos e a renda. No mercado imobiliário é ponto pacífico que o patrimônio afetado por pichadores causa má impressão visual, ninguém aluga ou compra prédio ou loja pichada porque dá sensação de insegurança. Ou seja, sem geração de negócios não há postos de trabalho nem salários. Simples assim. Em pesquisa feita pelo Sebrae ano passado foi revelado que a melhora do visual da loja amplia as vendas em até 40%. A piora certamente afasta os clientes. Então, qual a vantagem em pichar? Será algum distúrbio de personalidade como vontade exacerbada de se exibir? Bom aí para resolver isso trago uma excelente notícia que não é nova mas vale ser lembrada: o SUS oferece atendimento psicológico gratuito no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Esses centros dispõem de psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas prontos para atender a população. Uma solução bem melhor que prender ou descer o cassetete nesses vândalos.
Fernando Neves é jornalista e sócio da Argonautas Comunicação & Design