Em busca da cidade dos sonhos

Cidade Sustentável: projeto avalia a possibilidade concreta de as promessas da campanha municipal se tornarem realidadeUma cidade sustentável já é objetivo de muitos brasileiros. Baseado nesta premissa, o projeto Cidade dos Sonhos, lançado neste ano, acumula a experiência de um pleito municipal em que o tema apareceu com mais força. No próximo domingo (30/10), com o fim das eleições em todo o país, recomeça a articulação até agora bem-sucedida entre sociedade, governo e organizações provocada pela Purpose, uma aceleradora de movimentos com base em Nova York. O Cidade dos Sonhos é o braço brasileiro da Purpose em relação a mudanças climáticas. Outros movimentos, como Minha Sampa e Meu Rio, foram incubados por ela. O projeto é tocado em São Paulo a partir de uma pequena sede, localizada no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste, mas sua minúscula equipe de quatro pessoas conseguiu um grande feito. Reuniu 36 organizações brasileiras, entre elas gigantes como o Greenpeace e outras bem consolidadas em suas áreas de atuação como o Idec e a Bike Anjo. A ideia era saber como os futuros prefeitos estão lidando com as questões da sustentabilidade. Para tanto foram monitoradas  as propostas dos candidatos na área e colhidas as opiniões da população em relação a quatro eixos bem específicos: energia, mobilidade urbana, resíduos sólidos e áreas verdes. [caption id="attachment_11013" align="alignleft" width="200"]cidadedossonhos_gabrielavuolo Gabriela: investir no sonho[/caption] Se de um lado a população corroborou o que o Cidade dos Sonhos já visualizava, ou seja, o povo quer mais áreas verdes e até topa diminuir a velocidade nas ruas (veja resultados no site), de outro, os candidatos ainda não adotaram amplamente esse discurso. Pelo menos é o que indicou o monitoramento contínuo dos candidatos em três capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Para Gabriela Vuolo, representante da Purpose e da Cidade dos Sonhos, Recife saiu na frente nas propostas sustentáveis durante a campanha. Falou-se sobre o entorno do Rio Capiberibe e a coleta seletiva. No Rio de Janeiro, o tema do custo alto das tarifas surgiu com força, ao lado da ausência de ar-condicionado na frota. Na capital fluminense também se questionou a instalação do BRT, que eliminou algumas linhas de ônibus. Para a representante da Purpose no Brasil, os candidatos paulistanos tocaram de leve no tema. "O debate ficou centrado na história da redução da velocidade. Apareceu um pouco a questão das ciclovias aqui e ali", afirma. Ela diagnostica o problema: muitas vezes falta aliar a teoria à prática. Muitos prefeitos assinam documentos alinhados aos esforços mundiais para combater os efeitos negativos das mudanças climáticas, mas tomam decisões na direção contrária. Gabriela se lembra de um caso concreto. Há uma lei municipal, de 2009, que obriga a troca de combustível diesel por renovável de toda a frota de ônibus na capital paulista até 2018. "Quando apareceu a licitação no ano passado, sequer isso foi mencionado", diz. "O Ministério Público acabou por entrar na história e fez uma discussão para colocar as pessoas envolvidas na mesma mesa." De acordo com Gabriela, apesar dos esforços, o prazo legal não será cumprido. Para checar a efetividade das propostas, o Cidade dos Sonhos contou com a parceria da agência Aos Fatos. No YouTube, foram postados vídeos que elucidam, nos quatro eixos principais do projeto, o que foi falado por João Doria, eleito logo no primeiro turno em São Paulo. Doria propôs em seu plano de governo aumentar as áreas verdes da metrópole. Para Tai Nalon, da Aos Fatos, faltou "especificar" como; se por meio de desapropriação ou de outro jeito. No vídeo abaixo, além de Tai, participam Claudia Visoni (MUDA-SP) e Augusto Aneas (Rede Novos Parques). Confira: https://youtu.be/Qm3Sf_7Gm3E Abaixo, segue outro vídeo postado pelo Cidade dos Sonhos, que compara tudo o que foi falado por Doria durante a campanha e a opinião de ativistas de duas organizações, sobre o tema "Pedestres nas ruas com segurança". https://youtu.be/xSGIq-d-Nkw   Sobre a crise na arrecadação e a possibilidade de ter de investir para implantar medidas sustentáveis, Gabriela é categórica. "Acho que existe sempre uma decisão do tipo de investimento que é feito", diz. Ela cita a troca do combustível. "Chegamos à conclusão de que existe um investimento inicial, mas ao longo de 20 anos isso se paga. Mais do que 'de onde vai sair o dinheiro, é como usar'."  

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