Mobilidade urbana não é prioridade nas eleições

Além da falta crônica de dinheiro para grandes obras, e apresentação obrigatória dos planos de mobilidade municipais foi adiada para 2018Nas eleições de 2014, a maior parte dos candidatos à Presidência da República fez propostas no campo da mobilidade urbana. Isso tem justificativa porque a população brasileira é majoritariamente urbana e depende de transporte de massa. Como este ano teremos eleição para as Prefeituras, vamos dar uma recordada no que foi prometido naquela ocasião. -  Foco no transporte sobre trilhos - Renovação da frota de trens, metrôs e ônibus - Integração dos diversos modais de transporte público - Adoção de horários variados para jornadas de trabalho para evitar períodos de rush. - Uso de combustíveis mais limpos - Pedágio urbano nas grandes cidades - Uso da bicicleta - Tarifa zero - Veículos leves sobre trilhos (VLTs) - Corredores de ônibus integrados (BRT) - Privatização de aeroportos, ferrovias, hidrovias, estradas públicas e serviços relacionados a área de transporte Um cardápio com variadas soluções, talvez uma ou outra mais questionáveis, mas pelo menos ideias concretas. Tudo empaca, porém, quando a questão é organização e dinheiro. A grana, como se sabe, está escassa com estados e municípios de pires na mão. O que de certa forma cria o ambiente para soluções criativas – igualmente escassas na administração pública – e o aumento da participação do capital privado no transporte. Bem feito o processo, com regras claras, obrigações bem definidas e controles transparentes, não há pecado algum em passar para as empresas a construção e operação dos sistemas de transporte. Além do mais, a sociedade já pegou o gostinho de fiscalizar os poderes, mesmo que ainda em escala reduzida e com o suporte sempre bem-vindo das mídias sociais e das ruas. Ocorre que a apresentação obrigatória de Plano de Mobilidade Urbana, por parte dos municípios com mais de 20 mil habitante, foi postergada de abril de 2015 para abril de 2018. E, pior, ninguém tomou conhecimento disso... Aí, não dá para ficar otimista.  
Fernando Neves é jornalista e sócio da Argonautas Comunicação & Design