O que o futuro nos reserva

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Acredite, mas dar carro para filho vai cair em desuso!Uma (provável) boa notícia para os pais de filhas e filhos pequenos: quando eles crescerem é bem possível que não nos peçam carro de presente. Acreditem, mas a cultura da posse do automóvel poderá ser algo do passado. Em um estudo feito pela consultoria Roland Berger, que li no portal da Abrapark - Associação Brasileira de Estacionamentos, essa ideia de um futuro com o mundo menos ligado na vontade de ter um veículo próprio já começa a se desenhar. Antes de seguir adiante é bom deixar bem claro que compartilhar não é emprestar, certo? O carro é de uso comum mas para girar a chave precisa pagar por isso. Retomando...O estudo é bom e selecionei somente a parte específica de carros. De acordo com a consultoria a mobilidade é considerada um setor da nova economia de grande potencial de crescimento nos próximos anos pela aplicação do conceito de compartilhamento de veículos. Assim em nome da mobilidade compartilhada novas formas de negócio estão surgindo e sendo postas à prova, criando para isso novas formas de uso e conexão de diferentes infraestruturas de transporte que existem, como os estacionamentos, carros, bicicletas, etc. Segundo a consultoria temos diante de nós o surgimento de uma cultura de consumo baseada no uso ao invés da posse de bens e produtos. Essa forma de encarar a vida é resultado das informações que dão conta da escassez de recursos, como matérias-primas, dinheiro e espaço urbano. Assim ter carro poderá deixar de ser uma aspiração sendo substituída pela mobilidade mais adequada às suas necessidades e em alguns casos com uma boa dose de criatividade. Voltando aos números, o estudo da consultoria indica que o compartilhamento de carros é um mercado global com projeção de crescimento de 30% ao ano podendo gerar de 3,7 bilhões a 5,6 bilhões de euros ao ano até 2020. Isso mesmo. Bilhões de euros. Se a projeção já fala em números é porque compartilhar carro é uma realidade pelo mundo. E no Brasil? Sim no Brasil também a ideia de compartilhar automóveis não é mais teoria de botequim ou conversa de visionário. Já há algum tempo quem quiser experimentar tem algumas opções. Vamos a elas. Em São Paulo a Zazcar (veja na foto acima) opera desde 2013 com aluguel de carros por hora ou por dia o que dá para classificar como compartilhamento. Já tem 50 pontos de retirada e entrega de veículos e quer chegar a 150 até o final de 2016. O sistema funciona por cadastro no site que gera um cartão em um dos pontos de distribuição da empresa. A pessoa reserva o veículo desejado pelo site ou aplicativo e pega o carro em um dos pontos de retirada, desbloqueando-o com o cartão. Outro modelo é o explorado pelo site Fleety que atua como intermediário entre donos de automóveis e pessoas que querem alugar um carro. As pessoas anunciam o veículo no site, indicam quando querem ganhar por hora e aí são conectados aos interessados. [caption id="attachment_12523" align="alignleft" width="300"] VAMO é o sistema de carro compartilhado, em Fortaleza/Foto: Divulgação[/caption] No Recife, na área do moderno Porto Digital, o sistema de compartilhamento está em operação desde dezembro de 2014 e os modelos são os chineses da marca Zhidou, todos elétricos. Fortaleza deu início ao seu projeto de compartilhamento, e a exemplo do Recife, oferece carros elétricos da mesma marca chinesa. (N.R.: Na capital do Ceará, o programa é patrocinado pela Hapvida, a maior operadora de planos de saúde do Norte-Nordeste). Em Porto Alegre está sendo desenvolvido a implantação do sistema, também com automóveis elétricos, e quem comanda o empreendimento são os integrantes de uma startup formada por estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No Rio de Janeiro idem para a adoção do compartilhamento com carros movidos a eletricidade. O negócio é tão interessante e parece tão promissor que os próprios fabricantes de automóveis estão ingressando nele. Ao menos três empresas que operam no Brasil já têm seus sistemas próprios. A General Motors trouxe para o Brasil o programa Maven de compartilhamento de veículos que inicialmente vai atender somente os empregados da fábrica em São Caetano do Sul. A Ford opera um sistema igualmente restrito aos seus funcionários e que é acessado por aplicativo ou inscrição no RH da fábrica em São Bernardo do Campo. E a Audi tem o Audi Shares ação inédita da marca no mundo e à disposição dos funcionários das empresas instaladas no condomínio corporativo Morumbi, na zona Sul de São Paulo, onde está a sede da filial brasileira da marca alemã. Se somar todas as iniciativas das prefeituras e empresas privadas não deve chegar a nenhum volume elevado de carros postos em sistema de compartilhamento. Mas de qualquer forma o mérito está em serem experiências razoavelmente controladas, seja pelo número pequeno da frota disponível para compartilhamento seja pelo acesso restrito a poucas pessoas. Na prática as ações são laboratórios para avaliar a aceitação e procura do modelo pelo público. Isso vai gerar naturalmente conhecimento a ser estudado e que poderá ser útil na futura expansão do modelo de negócio. Onde o uso comum deverá se sobrepor a posse individual.