Unicef aponta falhas na educação pública brasileira

Unicef aponta falhas na educação pública brasileira

No momento em que milhões de meninas e meninos voltam às aulas no Brasil, o Fundo da ONU para Infância (Unicef) faz um alerta: 56,4% das crianças matriculadas no 2º ano do Ensino Fundamental na rede pública não atingiram o nível esperado de alfabetização, segundo dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica. Isso contribui para um número expressivo de alunos em todo o país que frequentam a escola sem dominar a leitura e a escrita.

O cenário, que já preocupava antes da pandemia de Covid-19, no período 2020-2022, se agravou ao longo dela. Em 2019, 39,7% de crianças não estavam alfabetizadas, de acordo com a mesma fonte. Segundo a agência da ONU, a piora das estimativas leva a uma crise urgente, que precisa ser enfrentada em cada município brasileiro, com apoio de todos os estados e do governo federal.

Na avaliação da chefe de educação do Unicef no Brasil, Mônica Dias Pinto, ciclos de alfabetização incompletos têm um impacto significativo na trajetória escolar de crianças e adolescentes, resultando em reprovações e abandono.

Ela diz que ao enfrentarem repetidas reprovações, os estudantes muitas vezes abandonam a escola. Mesmo os que continuam, acabam acumulando atrasos acadêmicos. 

A representante do Unicef afirma que a ausência de oportunidades de aprendizado se torna um fator determinante para a saída definitiva desses alunos do sistema escolar.

Propostas para reverter o cenário

O Unicef aponta que para enfrentar esse desafio é preciso adotar, simultaneamente, duas estratégias: a primeira é investir em práticas pedagógicas de qualidade, voltadas à alfabetização das crianças que estão chegando agora aos primeiros anos do Ensino Fundamental, para que aprendam a ler e escrever na idade certa. 

A outra é implementar propostas de recomposição das aprendizagens voltadas a aqueles estudantes que não aprenderam a ler e escrever até o 2º ano do Ensino Fundamental e que, agora, precisam de um apoio específico para aprender, recuperar o tempo perdido e avançar.

As duas propostas são parte do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que busca recompor as aprendizagens com foco na alfabetização de 100% das crianças matriculadas no 3°, 4° e 5° ano afetadas pela pandemia. Até o final de 2023, 100% dos estados e mais de 90% dos municípios haviam aderido ao programa.

Para contribuir no desenvolvimento e na implementação de boas práticas voltadas à recuperação da aprendizagem, o Unicef e parceiros contam com a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, em parceria com Secretarias Estaduais de Educação. 

O objetivo é facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes.

 

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