Desabafo empresarial e social

Quem é: Lucas Santana

Por que é importante: criou a Kumasi, um marketplace dedicado à venda de roupas e acessórios de grifes tocadas por afro-brasileiros

Nem o dia, tampouco o horário, eram favoráveis. Afinal, haja coragem para sair de casa logo cedo, num domingo de outono na fria São Paulo. No entanto, para alívio do empreendedor Lucas Santana, 24 anos, o debate sobre a importância da diversidade no mundo dos negócios seduziu um número considerável de pessoas que se dividiam entre as inúmeras atrações da edição 2017 do Festival Path, naquele 7 de maio. Ao lado de mais dois empreendedores, o jovem nascido em Salvador falou sobre suas experiências nesta área. Começou lembrando de um episódio ocorrido no começo de 2016, quando estava num encontro sobre empreendedorismo, no Senai da capital baiana. “Eu questionei o fato de a mesa não ter um único afro-brasileiro”, contou. A réplica não apenas o surpreendeu como o deixou pilhado. “Eles disseram que praticamente não existiam empreendedores com este perfil”.

Entre a raiva, a indignação e o espanto, Lucas conta que preferiu tomar aquela experiência como um desafio. A partir dali, conversou com a sócia Monique Evelle e com a mãe dela Neusa Nascimento e foi à luta. De uma forma bem resumida foi assim que nasceu a plataforma de e-commerce Kumasi. O nome é uma referência à segunda maior cidade de Gana, onde existe um mercado no qual boa parte das lojas é comandada por mulheres. “Fomos pioneiros em matéria de marketplace focado na venda de produtos fabricados por afro-empreendedores”, diz.

De fato, desde o nascimento da Kumasi surgiram outras experiências como o Kilombu, um aplicativo baseado no Rio de Janeiro que conecta clientes e prestadores de serviço baseados em morros e favelas da cidade, além do Afrobox, de Salvador, loja multimarcas destinada a dar espaço para grifes das periferias da capital da Bahia. Hoje, a Kumasi reúne nove grifes entre roupas e acessórios, e possui demanda de outras 100. Uma das que já fazem parte do portfólio é a Desabafo Social, tocada por Monique e sua mãe Neusa e que aposta em camisetas com mensagens de empoderamento racial e social, especialmente das meninas. As frases “Se a coisa está preta, a coisa está boa”, e “Respeita as Mona, as Mina, as Mana, os Mano” viralizaram nas redes sociais.

Lucas, no entanto, prefere seguir no esquema de startup enxuta, crescendo de forma paulatina e sem se deixar levar pela pressão de demanda. “Para que a Kumasi deslanche e tenha uma presença global, precisaríamos investir cerca de R$ 40 mil”, explica ele. A injeção de capital é importante para garantir que a plataforma consiga suportar um acréscimo no volume de vendas, além de garantir o suporte apropriado às grifes.

Reprodução do site da Kumasi

Prestes a completar o curso de engenharia elétrica na Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele e a sócia, que integra o time do programa Profissão Repórter, da TV Globo, resolveram se radicar em São Paulo. A mudança atende as necessidades de Monique, que pode ficar mais perto dos clientes da consultoria que leva seu nome e é especializada em diversidade racial. Além disso, Lucas se aproxima de potenciais investidores institucionais: fundos de investimento e aceleradoras de grande porte.

Hoje, cerca de 60% das vendas feitas pela loja virtual da Kumasi têm como origem as cidades do eixo Rio-São Paulo. “Tudo que fizemos até agora serviu para validar a plataforma”, destaca o empreendedor. “Agora chegou o momento de trabalhar o seu crescimento”. Apesar da pouca idade, Lucas já acumula uma larga experiência no mercado de trabalho. Sua principal fonte de renda é o desenvolvimento de sites e portais de e-commerce. Além disso, durante a faculdade ele integrou a EletroJr., empresa júnior criada no curso universitário, e foi sócio da Dendê Digital.

 

 

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