Emprego para a melhor idade

Quem é: Mórris Litvak

Por que é importante: criou a MaturiJobs, a primeira agência de empregos especializada em profissionais com mais de 50 anos

O paulistano Mórris Litvak, 34 anos, sempre transitou pelo universo da terceira idade. Muito ligado à avó Keila, ele atuou como voluntário num asilo e acabou criando o Conectando Gerações, em 2014, projeto destinado a aproximar jovens e idosos por meio da internet. Mas faltou funding para levar a proposta adiante. Neste percurso, ele foi incluindo em sua rotina pesquisas sobre temas como longevidade e mundo do trabalho. “Percebi que uma ocupação regular mantém essas pessoas ativas e mais dispostas”, lembra. Que o diga sua avó que trabalhou até os 80 anos como tradutora e secretária.

Foi neste contexto que o empreendedor teve um estalo: por que não criar um serviço para cuidar da empregabilidade de pessoas com mais de 50 anos? Hoje, a MaturiJobs, baseado em São Paulo, é uma das mais importantes iniciativas do gênero no Brasil. O mais bacana dessa história é que Mórris decidiu arriscar as fichas no negócio antes mesmo do amadurecimento do debate sobre a reforma na previdência, que exigirá dos brasileiros um tempo maior de contribuição. “Nunca imaginei que o serviço ganharia toda essa repercussão, especialmente na mídia”, diz. “Estava muito focado em resolver um problema e ver até aonde essa ideia me levaria”.

Além da presença constante em jornais e revistas impressos, reportagens na TV e em emissoras de rádio, além de palestras no universo maker, como a edição 2017 do Festival Path, realizado em São Paulo, Mórris possui outras métricas para falar do sucesso de sua iniciativa. A principal delas é o número de cadastrados na plataforma: 52 mil. Além disso, 530 empresas já usaram o serviço para recrutar funcionários. Na média mensal, o site da MaturiJobs recebe 60 mil acessos.

Números, de fato, impressionantes para um projeto autoral, desenvolvido de modo independente, aproveitando a experiência no segmento de internet e a formação acadêmica em engenharia de software. Antes de se lançar em carreira-solo, Mórris foi sócio do pai numa agência eletrônica de vagas em hotéis. A empresa foi vendida, e ele pegou sua parte para investir no novo projeto.

Reprodução do site da MaturiJobs

O fato de o debate sobre a nova pirâmide etária e a longevidade dos brasileiros ter entrado na ordem do dia, segundo ele, ajuda, mas resolve todas as equações. “Apesar da repercussão e de contarmos com mais de 52 mil pessoas cadastradas na plataforma, o modelo de negócio da MaturiJobs como algo escalável e com receita recorrente, ainda não está claro”.

Mas isso não significa dizer que haja dúvidas sobre a viabilidade do negócio. Ao contrário. Mórris pensa até em internacionalizar a plataforma, uma vez que as questões ligadas à longevidade e ao esgotamento do modelo de financiamento da previdência não se dão apenas no Brasil. O foco da expansão são os demais países da América do Sul e da Europa. “Em três anos acredito que podemos chegar a dois milhões de pessoas cadastradas, sendo 5% deles pagantes, e mais de cinco mil empresas publicando oportunidades”, aposta.

O reconhecimento como um negócio de impacto social e alinhado aos Objetivos do Milênio, por parte do PNUD, braço das Organização das Nações Unidas (ONU), certamente ajuda neste processo de internacionalização. Contudo, mais do que ser uma agência virtual de empregos para profissionais com mais de 50 anos, Mórris acredita que o futuro da MaturiJobs é se converter numa comunidade global na qual as pessoas passarão a oferecer seus serviços.

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