Hospedagem com atitude e história

Quem é: Carlos Humberto Silva Filho

Por que é importante: criou o primeiro sistema de hospedagem compartilhada focado nos valores e na cultura da diáspora africana

Na manhã do dia 17 de julho, o carioca Carlos Humberto Silva Filho, 38 anos, criador do Diaspora.Black subiu ao palco do acanhado auditório do Oi Futuro Flamengo, no bairro de mesmo nome na Zona Sul do Rio de Janeiro. Estava acompanhado de outros quatro empreendedores selecionados para o processo de aceleração do Oi Futuro, o braço social da operadora de telefonia. Carlos Humberto e seus três sócios também se dividem em outra atividade semelhante no Pólen – Polo de Inovação, também baseado na capital fluminense. A entrada nestes destacados círculos de makers e empreendedores ajudam a dimensionar a relevância da plataforma Diaspora.Black, do ponto de vista de inovação com pegada social.

É por isso que as tentativas de se referir a esse negócio como sendo uma mera inspiração da gigante americana de hospedagem compartilhada são sempre rechaçadas pelo empreendedor. “Mais do que prover acomodação, nosso objetivo é conectar integrantes da diáspora africana às pessoas que prezam os valores dessa cultura”, diz. E isso se dá por meio de opções pouco convencionais. “Nossa plataforma possibilita conhecer comunidades quilombolas em locais paradisíacos, terreiros de umbanda e espaços de formação e resistência feminina”.

Porém, fazer parte do Airbnb já esteve nos planos desse empreendedor bissexto, graduado em geografia e que fez carreira como articulador de redes e facilitador para ONGs dos movimentos sociais. Isso aconteceu em 2011, quando se mudou para Santa Tereza, o charmoso bairro histórico da região central do Rio, e pensou em engordar o orçamento ofertando ao sistema um dos quartos do apartamento. “Percebi que meus colegas, que moravam em regiões menos atrativas sempre recebiam mais demandas do que eu”, lembra. A eclosão de denúncias de racismo envolvendo usuários da plataforma acabou fazendo com que Carlos Humberto decidisse assumir o desafio de empreender.

(a partir da esq.) Antonio, Gabriel, Carlos Humberto e André, os sócios da Diaspora.Black

Para colocar a Diaspora.Black de pé ele raspou a poupança e usou o limite do cartão de crédito na aquisição de licenças de software. Pouco tempo depois, ficou sem fôlego. A partir daí, percebeu que para seguir em frente precisaria recrutar sócios com expertise em áreas vitais para o sucesso da empreitada. Cesar Chaves é responsável pelas áreas jurídica e financeira, Gabriel Oliveira, cuida da produção de conteúdo e André Ribeiro, é o designer da turma. O reforço ajudou a dar uma dimensão mais profissional à inciativa, que foi destaque na plataforma de vaquinha virtual Benfeitoria. A lista de anfitriões inclui moradores do Rio de Janeiro e de outras quatro cidades brasileiras, além de 10 países. Muitos dos quais na África, como Guiné Bissau, onde Carlos Humberto posou para a foto que abre este texto.

No quesito parcerias, não são apenas as aceleradoras que têm procurado o portal de hospedagem. No início de agosto, o quarteto liderado por Carlos Humberto fez um evento no tradicional Dida Bar, situado na Praça da Bandeira, para celebrar a parceria com a Câmara de Comércio Brasil-África. A aceitação do público, em especial das mulheres, tem surpreendido os sócios da startup. Segundo o empreendedor, desde o lançamento oficial da plataforma, em 15 de julho, aumentou em 126% o número de anfitriões cadastrados em relação ao período de funcionamento experimental (beta).

Mais. Nada menos do que 74% dos cadastrados são mulheres, o que mostra a assertividade de outro componente do Diaspora.Black que é a possibilidade de geração de renda. E, de acordo com Carlos Humberto, este é apenas o começo. “Neste momento, estamos atuando apenas com o site, mas a expectativa é dar um salto exponencial, a partir de 2018, quando o aplicativo estiver operando”, destaca.

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