Lavou, tá novo!

Quem é: Ricardo Pereira

Porque é importante: desenvolveu um aplicativo que se converteu numa franquia de lavagem de carro em domicílio, a seco

Desde janeiro, o Distrito Federal (DF) enfrenta um de seus mais agudos períodos de seca. Um cenário que, à primeira vista, seria devastador para atividades econômicas que dependam de recursos hídricos, como é o caso da lavagem e higienização de veículos. Pois é exatamente neste setor que o brasiliense Ricardo Pereira, 39 anos, vem se notabilizando. Só que o criador da Lavô uniu sustentabilidade e praticidade ao seu negócio. A lavagem é a seco e é feita no local onde o carro se encontra. “Cada cliente que contrata nosso serviço economiza o equivalente a 350 litros de água”, diz o empreendedor.

Porém, a maior sacada deste negócio foi a sua transformação na primeira franquia nascida a partir de um aplicativo. Tudo isso em menos de seis meses de existência. Para entender como Ricardo entrou nesse segmento é preciso recuar a março de 2016, quando ele, a mulher e os três filhos foram passar um período em Miami. “Atuava na área de eventos e os negócios foram minguando. Até um ponto que não via mais perspectivas e resolvi me tornar empreendedor nos Estados Unidos”.

No entanto, a meta de atuar na gestão de serviços domésticos não vingou e o empreendedor acabou assumindo uma rotina doméstica. Até que um dia ele saiu para levar o carro para lavar e deu de cara com um profissional uniformizado ao lado de uma van adesivada. “Parei para me informar e descobri, de cara o potencial daquele negócio, capaz de resolver uma das grandes questões de quem vive nas grandes cidades que é a falta de tempo”, conta. Apesar de custar US$ 40, ante os US$ 10 cobrados no posto, a demanda era altíssima.

Antes mesmo de retornar a Brasília, em novembro, o criador da Lavô começou a desenvolver a plataforma e a montar o time de trabalho. Toda operação foi precedida de muitas pesquisas. Numa delas, ele descobriu que 53% dos brasileiros lavam o próprio carro todo final de semana, outros 35% acessam este serviço a cada 15 dias, enquanto 12% só tiram a poeira do veículo esporadicamente. “Meu serviço foca nesta última fatia, que representa cerca de cinco milhões de pessoas em todo o Brasil”, explica. “São, em geral, mulheres que trabalham fora e que não se dão ao luxo de perder até duas horas dentro de um lava-rápido”.

Por meio do aplicativo é possível agendar o dia e horário para a execução do serviço onde quer que o veículo esteja: na garagem do prédio, na rua ou num estacionamento privado. O valor varia de R$ 30 a R$ 145 e a localização do automóvel é feita por meio de GPS. Quando a lavagem é concluída, o operador envia fotos para o cliente. Tudo feito pelo app, incluindo o pagamento. Hoje, a Lavô reúne cerca de 17 mil prestadores de serviço que atuam no modelo semelhante ao dos motoristas por aplicativo. No acumulado março-agosto, eles realizaram cerca de 1,3 mil lavagens.

Veículo usado pelo prestador de serviço da Lavô

O que os mantém ligados à plataforma é a praticidade do sistema. Cada um deles recebe treinamento pela internet e só é liberado para atuar se for aprovado numa prova prática, presencial. Os insumos são comprados diretamente na Lavô. A expansão do negócio para além das fronteiras do DF está sendo feito no modelo de franquia. Hoje, já existem representantes em Belo Horizonte, Natal, João Pessoa, Goiânia, Vitória, Fortaleza e Recife. “Mesmo antes de fazermos qualquer anúncio já recebemos cerca de 60 consultas de interessados”, conta o empreendedor. No total, 70 mil pessoas, entre cadastrados no app e profissionais, estão conectados à plataforma.

Para ganhar escala e ampliar as receitas, Ricardo criou, também, a divisão Lavô for Business focada em frotistas, empresas com muitos funcionários e nos carros vinculados a aplicativos de transporte. Essa nova fase da Lavô está sendo bancada com a entrada de sócios que embolsam parte da rentabilidade da empresa. É melhor ter 5% de muito do que 100% de nada”, filosofa. Para colocar o negócio de pé, ele calcula ter investido cerca de R$ 2 milhões, amealhados com a venda de três imóveis. Hoje, a empresa está avaliada em R$ 22 milhões, mas o empreendedor diz ter recusado uma oferta de R$ 30 milhões.

(Visited 61 times, 1 visits today)