Negócios negros

Quem é: Vitor Coff Del Rey

Por que é importante: Criou o primeiro aplicativo voltado exclusivamente para empreendedores afro-brasileiros

Quem frequenta os espaços de discussões sobre empreendedorismo e diversidade racial já deve ter “trombado” com Vitor Coff Del Rey, 32 anos. Polemista de primeira, ele usa especialmente o Facebook para “mandar a real” sobre inúmeros assuntos. Especialmente o lugar no qual ele considera que os afro-brasileiros deveriam ocupar na sociedade. Contudo, mais do que falar, esse quase graduando em ciências sociais na FGV-RJ, faz. E muito.

No início de 2016, ele colocou no ar o Kilombu, o primeiro aplicativo de serviços destinado aos empreendedores deste recorte racial. Na época, o app tinha um viés muito mais, digamos, social do que empresarial, funcionando como vitrine para profissionais de todas as áreas. Do pedreiro ao médico, passando pelo advogado e a quituteira.

De certa forma, o Vitor que chegou na universidade graças a uma bolsa intermediada pela Educafro, rede de cursinhos pré-vestibular criada pelo frei David, se transformou num homem de negócios. Sem deixar de lado o viés de responsabilidade social. “Percebi que para colocar de pé os projetos sociais precisava, antes, desenvolver meu lado empreendedor”, diz.

Facilitou nesta transição o contato com jovens igualmente sonhadores, porém pragmáticos, como o assessor de investimentos Gilvan Bueno Costa, 35 anos. Os dois se conheceram no ano passado e não demorou muito para se tornarem sócios no Kilombu. Gilvan ocupa o cargo de CFO (finanças), enquanto Vitor é o CEO (direção geral) e Thiago Campos é o CTO (tecnologia). Hoje, a plataforma conta com 2,3 mil negócios cadastrados e deverá fechar o ano com R$ 100 mil em transações.

Gilvan, Vitor e Thiago, os três sócios do Kilombu

Mas, de acordo com Vitor, as expectativas são extremamente ambiciosas. A meta é chegar em junho de 2018 com 10 mil prestadores de serviços e um giro mensal de R$ 250 mil. Para isso, o Kilombu está investindo e tecnologia e seus sócios passando por uma série de processos de mentoria e aprendizados. A começar pela incubação na abeLLha, aceleradora de negócios de impacto social. Além disso, o Kilombu contratou uma empresa para cuidar das redes sociais e está acertando uma parceria com a Gato Mídia, projeto de difusão de tecnologia focado em jovens das favelas cariocas. “Temos de aprimorar cada vez mais nossa força diante deste público único”, conta.

Enquanto trata de assimilar o que classifica de a “gramática das startups”, Vitor segue em frente. Apesar do atraso de um semestre, motivado pelas viagens para ampliar a penetração do aplicativo em outros estados, ele diz que conclui o curso na FGV-RJ até o final deste mês. Antes mesmo de deixar a escola, Vitor foi contratado para atuar como consultor na FGV Projetos. Mais. Ao lado do sócio Gilvan, ele ancora o programa mensal sobre empreendedorismo na rádio Roquete Pinto, do Rio.

Apesar de gostar muito do ambiente acadêmico, Vitor quer mesmo é atuar como empreendedor. Por conta disso, ele e os dois sócios, que hoje também acumulam outras atividades, definiram julho de 2018 como a data para se dedicarem integralmente ao Kilombu. Um sonho com o qual eles esperam fazer história no mundo empresarial.

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