Negócios sob a benção do astro-rei

Quem são: Marco Aurélio Silva de Souza e Alex Lang

Por que são importantes: criaram um sistema inédito de comercialização de energia solar, que dispensa o uso de painéis e outros equipamentos

O nome do programa Shark Tank – Nadando com Tubarões dá pistas de se tratar de uma “parada indigesta”, apesar de estes seres aquáticos não se alimentarem de carne humana. Mesmo assim, é preciso bastante coragem para interagir com um dos maiores predadores do planeta. A dupla de empreendedores catarinenses, Marco Aurélio Silva e Souza, de 37 anos, e Alex Lang, de 36 anos, sócios da Cartão Solar, baseada em Florianópolis, não entrou exatamente num tanque, apenas participou do reality show exibido no Brasil, pela Sony. Para quem não conhece, a atração consiste em fazer uma rápida apresentação (pitch, no jargão dos makers) para um grupo de investidores, com o objetivo de seduzi-los a se tornar sócios.

O pitch no sexto episódio do reality rendeu um cheque total de R$ 40 mil, assinado por João Appolinário, dono da Polishop, e Caito Maia, fundador da Chilli Beans, que ficaram com 25% da empresa. “Com isso, teremos acesso a redes de distribuição no varejo e um amplo networking, em condições bastante favoráveis”, destaca Marco Aurélio, COO da startup de energia e que aparece à esquerda, na foto acima.

Mas, afinal, qual é o modelo de negócios da Cartão Solar? Bem, a empresa se apresenta como a primeira do setor a simplificar o acesso dos consumidores à energia solar. E isso se dá, hoje, a partir da compra de uma lâmpada de LED, acompanhada de um cartão. A lâmpada custa R$ 80 (cerca de R$ 50 a mais do que o cobrado por uma similar no mercado) e dá direito a um crédito mensal de energia equivalente aos quilowatts gastos pela lâmpada. Até o final do ano, serão incluídos no portfólio produtos de consumo intensivo: geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, televisores de computadores.

A diferença entre o valor pago pelo cliente e o custo de aquisição do produto, no caso a lâmpada, é usada pela dupla para financiar a compra e a instalação de usinas solares. A energia gerada neste processo é distribuída em forma de créditos diretamente na conta de luz dos proprietários dos produtos comercializados pela startup. Para lançar a empresa, Marco Aurélio e Alex investiram R$ 350 mil do próprio bolso para implantar um sistema capaz de atender uma demanda equivalente ao consumo de 20 mil lâmpadas.

O empreendedor diz que a economia potencial dos clientes pode chegar a 90% em relação ao valor da conta de luz atual. O único problema é o custo na largada, representado pela aquisição do aparelho em cujo valor de venda é aplicado um percentual para a Cartão Solar. “A amortização se dá entre cinco e seis anos, dependendo do perfil de consumo”, explica o empreendedor. “A partir daí, nos cerca de 15 anos restantes de duração do contrato, tudo que entrar de desconto pode ser contabilizado como lucro”.

A lâmpada e o cartão que habilita ao desconto na conta de luz são entregues em domicílio

De fato, uma das grandes inovações desta plataforma é permitir que as pessoas que moram em edifícios tenham a possibilidade de se beneficiar da força do sol. No modelo tradicional de geração solar individual é preciso contar com espaço no telhado para instalação dos painéis fotovoltaicos. Graduados em TI e administração, respectivamente, Marco Aurélio e Alex se conheceram em 2001, quando trabalhavam numa empresa de TI. Logo depois, cada um seguiu seu rumo. Alex se aventurou no mundo do empreendedorismo, enquanto Marco Aurélio apostou na carreira de piloto de helicóptero. Exerceu a função de 2013 até o início deste ano, quando foi convocado pelo amigo.

A exposição na mídia ajudou na decolagem da Cartão Solar. Outro fator positivo foi a persistência. Alex inscreveu a empresa em todas as disputas de startups e processos seletivos de aceleração. Um deles foi o certame promovido pelo grupo português EDP, no qual eles acabam de ser aprovados. Na prática, a Cartão Solar começou a operar somente em 27 de julho, quando o site entrou no ar. A partir de outubro, Marco Aurélio diz que a lâmpada começará a ser comercializada no Paraná e em Minas Gerais, onde também serão instaladas fazendas solares para atender os clientes da empresa.

 

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