Pedalando contra o vento

Quem é: Yuri Berezovoy

Por que é importante: lidera a equipe de engenheiros que desenvolveu um veículo elétrico que mistura bike, skate e patinete

Quem transita pelas ruas da Zona Sul do Rio de Janeiro, ou pelos bairros da Zona Oeste de São Paulo já deve ter dado de cara com um bike estilosa e com jeitão futurista, cujas linhas remete ao patinete e ao skate. Provocar espanto e desejo fazem parte do conceito criativo do e-Patinete SURFER, a bike elétrica desenvolvida por um grupo de engenheiros brasileiros, capitaneado Yuri Berezovoy, 42 anos, e que inclui William Makant e Fabio Pagotti Silva, amigos desde os tempos de colégio.

Apaixonado por mountain bike, Yuri foi pioneiro nesta modalidade esportiva no Rio, ele sempre enxergou nas magrelas uma opção viável para pequenos deslocamentos pela cidade. Mas até colocar 20 unidades da SURFER no mercado, no início deste ano, o trio teve de ralar bastante. Tudo começou em 2011, durante trocas de emails e chats na internet com William, que atuava no departamento de engenharia da Ford, na Inglaterra. “Inicialmente, pensamos em desenvolver um veículo de duas rodas, com apelo sustentável. Foi aí que nasceu a SOMA Veículos Elétricos.

O projeto de motocicleta foi abandonado de cara, por diversos motivos. Primeiro por se tratar de um território muito masculino, o que limitaria o alcance das vendas. Além disso, a produção dos componentes é muito concentrada na China, gerando dependência na aquisição de peças. Os ensaios e testes tendo como base o Crazy Jay, protótipo que pode ser considerado o avô do SURFER, aconteceram em Salvador. Na época, a empresa recebeu uma subvenção de R$ 1,5 milhão em recursos, tecnologia e serviços graças à parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e o Senai-Cimatec, além de fundos privados. Esta primeira fase serviu para validar o conceito e definir os materiais. “Foi um período de grande aprendizado para nós”, destaca o sócio da SURFER.

Só que o dinheiro acabou e a vida do trio de empreendedores foi tomando novos rumos no campo profissional e pessoal. Para viabilizar a guinada do projeto para seu formato atual foram feitos dois movimentos: mudança da sede para o Rio de Janeiro e o lançamento de uma vaquinha virtual. O montante arrecadado (R$ 36,9 mil) mais o valor investido pelo trio (cerca de R$ 500 mil, desde 2011, entre horas de trabalho e capital) ajudaram a transformar o sonho em realidade.

O e-SURFER é apresentado numa escola do Rio de Janeiro

Hoje, existem 20 SURFER rodando pelas ruas de inúmeras cidades brasileiras. A lista inclui Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. “Fizemos questão de pulverizar a distribuição para que o conceito fosse conhecido por mais pessoas”, explica Yuri. O preço de cada unidade está fixado em R$ 8 mil, para os modelos com bateria de lítio, e R$ 6 mil no caso das baterias de chumbo. Valores que o empreendedor considera palatáveis para o padrão brasileiro. Os principais apelos são: praticidade, baixo custo de manutenção e autonomia, que varia de 50 km a 25 km, dependendo do modelo.

Agora, a energia e as atenções do trio de controladores da SOMA estão direcionadas à busca de parceiros estratégicos nas áreas que eles não dominam: vendas e distribuição. “Somos uma startup de hardware, nossa expertise é produzir, e não vender”, justifica. Para acelerar a SURFER, Yuri acredita ser necessária uma injeção de R$ 700 mil, montante suficiente para produzir, distribuir e comercializar 100 unidades, num período de dois anos.

A confiança se deve à tendência global de troca dos automóveis, especialmente os movidos a derivados de petróleo, por veículos ecologicamente corretos. Como 70% da população mundial se deslocam diariamente num trajeto inferior a 40 km por dia, ele acredita que um veículo como a SURFER, que alia a agilidade de uma pequena motocicleta aos benefícios da bicicleta, tem grande futuro. Especialmente em cidades que contam com amplas malhas de ciclovias.

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