Pilotando o próprio futuro

Quem é: Gabriela Correa

Por que é importante: fundou e comanda o maior aplicativo de serviço de transporte guiado por mulheres, da América Latina

Os casos de assédio contra mulheres no sistema público de transporte demonstram que andar de táxi, ônibus, trem ou metrô pode ser uma experiência bastante desagradável, para se dizer o mínimo. Afinal, estamos falando de um crime! A paulistana Gabriela Correa, 34 anos, também coleciona alguns episódios ruins, especialmente do tempo que utilizava o serviço de táxi. Esse conjunto de experiências desagradáveis fizeram com que ela resolvesse tomasse uma decisão radical: criar um sistema de transporte focado 100% nas mulheres. Das motoristas às passageiras, passando pelo corpo diretivo da empresa.

Foi assim que, em 23 de março, nasceu o aplicativo Lady Driver. A startup é uma das que mais crescem no setor de transporte de passageiros. São 6,5 mil motoristas cadastradas e uma carteira de clientes que deu um salto de 1000%. “Já somos o maior aplicativo de transporte para mulheres, da América Latina”, festeja Gabi, como ela é mais conhecida entre os amigos. “Vinte por cento das parceiras trabalham exclusivamente com nosso aplicativo”.

Tamanho sucesso fez com que a startup, que surgiu na esteira do Uber e do Cabify e da Easy Taxi, despertasse a atenção de investidores estrangeiros. A entrada do Fundo KICK Ventures, uma aceleradora que possui um portfólio composto de 70 empresas, espalhadas por 16 cidades de Brasil, Israel, Estados Unidos, Chile, China e Estônia, fez com que Lady Driver tivesse seu valor de mercado fixado em R$ 18 milhões. Um salto e tanto para um negócio que nasceu a partir do uso de parte da poupança amealhada no trabalho como executiva de uma multinacional brasileira, tendo como parceiras a irmã Raquel Correa e a cunhada Bianca Saab. No cenário traçado por Gabi, que é graduada em gestão financeira pela FGV-SP, a Lady Driver reúne as condições para pisar fundo no acelerador.

Banner de divulgação do serviço Lady Driver

O sócio dará condições para que a área de atuação do aplicativo seja expandida. Hoje, já atua em São Paulo e em Guarulhos. A próxima parada é o Rio de Janeiro, onde as motoristas já estão sendo cadastradas. Outras capitais brasileiras também estão na trilha projetada pela empreendedora, assim como as demais cidades da América do Sul e até da Europa. Gabi destaca que sua intenção nunca foi criar um “clube da Luluzinha”, mas sim colocar as mulheres como protagonistas. “A motoristas e a usuária do aplicativo são obrigatoriamente mulheres, contudo, nada impede que homens sejam transportados”, explica. “Desde que a chamada seja feita pela usuária e a motorista concorde”.

Além dos investidores e usuárias, a Lady Driver também entrou no radar da Launch Academy, o maior hub de startups de Vancouver (no Canadá), por onde passaram 500 empresas com base tecnológica, desde 2012, movimentando cerca de US$ 100 milhões em recursos. Segundo Gabi, o programa de cinco semanas incluirá mentorias e conversas com investidores focados na América do Norte. A expectativa é grande pois o Canadá possui uma tradição de valorização da mulher e respeito à diversidade e a igualdade de gênero. “A Lady Driver é a primeira startup do Brasil, fundada por mulheres, a participar deste programa”, destaca.

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