Proibido para maiores de 21 anos

Quem é: Richard Martinez

Por que é importante: dirige um dos mais longevos bancos dos EUA que atende exclusivamente crianças e adolescentes 

Os rankings de empreendedorismo nem sempre fazem justiça à potência empreendedora dos americanos. Um bom exemplo disso é que os Estados Unidos aparecem na terceira colocação no estudo elaborado pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2016. O que explica isso é, sem dúvida, a metodologia utilizada, que leva em conta o percentual da população adulta que é dona ou sócia de empresas. O grande número de trabalhadores autônomos, conhecidos, hoje, como Micro-Empreendedores Individuais (MEIs), ajudam a distorcer os números. Afinal, é preciso que haja um ecossistema e uma cultura que favoreçam o empreendedorismo. E nisso, os americanos dão um banho.

Duvida? Pois olha só o trabalho do Young Americans Bank, baseado em Denver (Colorado) e que atua com uma clientela bastante específica: na faixa etária de zero (sim pode-se abrir uma caderneta de poupança em nome do bebê) a 21 anos. A carteira de crédito varia de acordo com a demanda. Quando essa entrevista foi realizada, no final de 2016, existiam 16 empréstimos ativos, totalizando US$ 48,6 mil (R$ 160,3 mil). As garantias são próprias deste universo: bicicleta usada, patinete, console de game ou até mesmo o cachorrinho de estimação.

“Até hoje não precisamos executar nenhuma dessas garantias”, explica Richard Martinez, presidente e CEO. Apesar do caráter lúdico, o banco é registrado e obedece às regulamentações da FDIC, agência federal do setor. Isso lhe permite oferecer produtos como cartões de crédito e de débito, além de talões de cheque. Nos últimos anos, foram criadas versões eletrônicas dos produtos, para acompanhar o desenvolvimento do setor. “Esperamos que a experiência de lidar com o ambiente financeiro desde cedo, os ajude se tornar adultos mais conscientes sobre o uso do dinheiro e do crédito”.

Jovens ligados ao banco estudam o sistema monetário de países como Brasil

O banco é a parte mais visível do projeto criado por William Daniels Jr. (1920-2000), em 1987. Considerado o pai da TV a cabo nos EUA, o bilionário, que foi dono do time de basquete Los Angeles Lakares, ficou indignado ao ler uma reportagem num jornal falando da dificuldade de jovens de 17 anos para conseguir empréstimos na rede convencional de crédito.

Mais do que conceder pequenos empréstimos, o Young Americans Bank atua fortemente com educação financeira e empreendedorismo. Os cursos possuem uma pegada bastante prática. O método é inspirado no trabalho da ONG Young Americans Center for Financial Education e envolve cerca de 50 mil crianças e jovens por ano. Eles são desafiados a conhecer a realidade financeira de diversos países. Inclusive do Brasil, cujo sistema econômico (câmbio, taxa de juros, tarifas de comércio exterior e o estilo de diplomacia) foram objeto de estudo.

De acordo com Richard, todas as atividades acontecem de forma lúdica e com elevado grau de praticidade. Além do uso responsável do dinheiro, o despertar para ações de filantropia é outro pilar da linha educacional do banco, que sobrevive das doações deixadas em testamento pelo magnata da TV a cabo. “Nosso objetivo não é criar milionários, mas cidadãos mais conscientes”, destaca o presidente e CEO do Young Americans Bank.

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