Rede de talentos

Quem são: Lisiane Lemos, Vinícius Vidica Rosa e Wagner Cerqueira

Por que são importantes: criaram a primeira rede independente de profissionais negros, focada na inclusão de jovens talentos nas grandes empresas

É praticamente impossível não reparar no sorriso farto de uma jovem cuja foto estampa uma das páginas da edição especial da revista Forbes, dedicada aos 91 brasileiros mais influentes abaixo dos 30 anos. De fato, a gaúcha Lisiane Lemos, 28 anos, esbanja simpatia, no trato pessoal, e talento, no mundo corporativo. Foi parar ali graças aos muitos predicados de sua curta, porém intensa, carreira corporativa. Nesta jornada, um dos destaques é a Rede de Profissionais Negros de São Paulo (RDPN – SP), na qual divide a liderança com os paulistanos Wagner Cerqueira, 35 anos, e Vinícius Vidica Rosa, 25 anos. Inspirada em entidades similares dos Estados Unidos, a Rede possui menos de três anos de vida, mas já tem muita história para contar. Foi vencedora do Prêmio SP Diverso, em 2016, e entrou no radar de grandes empresas interessadas em recrutar talentos.

O padrinho dessa turma é o ativista americano Joe Beasley, integrante da Rainbow Push Coalition que engloba ONGs de diversos pontos dos EUA e tem como figura de proa o reverendo Jesse Jackson. Foi em 2015, durante um jantar em São Paulo, que reuniu um grupo de jovens executivos negros de multinacionais em torno do ilustre convidado, que a Rede ganhou contornos. “Em menos de uma semana nós colocamos a página do Facebook no ar e começamos a divulgar nossas ideias”, lembra Wagner, graduado em marketing e funcionário de uma multinacional da área química, de origem americana.

A Rede não possui uma figura jurídica, nem cobra mensalidade de seus associados. Sua atuação está assentada em três pilares: comunicação, educação e networking. O caráter informal e gratuito foi pensado com o objetivo de funcionar como um espaço de acolhimento. “Nosso objetivo é valorizar quem veio antes de nós, ajudar quem está nesta jornada no mundo corporativo e inspirar aqueles que virão depois”, destaca Lisiane, graduada em direito e que atua numa gigante de TI, baseada no Vale do Silício. Além da interlocução no universo virtual, o trio promove reuniões mensais destinadas a troca de ideias e aprendizado. Os encontros têm um perfil bastante inclusivo: ocorrem em locais de fácil acesso, normalmente perto do metrô, não possuem dress code e tampouco é exigido o consumo mínimo de produtos ou serviços.

A rápida visibilidade obtida pela RDPN fez com seus líderes se tornassem conselheiros informais de empresas em processos de recrutamento de jovens. Especialmente daquelas que valorizam a diversidade racial. Vinicíus é um exemplo disso. Analista de sistemas num banco de investimentos de origem americana, ele foi incentivado pelos superiores a conhecer a Rede. Acabou sendo convidado para ocupar uma das vagas na diretoria, em substituição a colega de banco que foi transferida para Nova York. “Quando entrei neste processo não tinha ideia da dimensão que a Rede iria tomar”, lembra.

Eventos de networking incluem palestras em empresas e  happy-hours na avenida Paulista

A proximidade com empresas nas quais a diversidade racial não apenas é desejada, mas cobrada pelos acionistas, acabou colocando a Rede noutro patamar. Agora, além dos encontros de relacionamento eles estão promovendo sessões de workshops e intermediando a indicação de candidatos a cursos de idioma. Estas iniciativas serão bancadas por empresas como Google, Microsoft e Bloomberg e têm como foco os potenciais candidatos aos processos seletivos destas companhias.

Para acelerar as carreiras daqueles que já estão no mercado de trabalho, a Rede criou um núcleo de mentoria. As dinâmicas serão ministradas por profissionais voluntários. A cultura empreendedora é outro pilar que está ganhando força dentro da estrutura da RDPN. Wagner espera poder transformar a iniciativa numa espécie de franquia social, espalhando-a pelas principais cidades do País com o objetivo de ampliar o grau de diversidade dentro das empresas. Antes, porém, o trio pretende melhorar os mecanismos internos de mapeamento de dados. É que apesar de a rede contar com mais de cinco mil integrantes, não existem dados consolidados de quantos jovens conseguiram estágio ou emprego a partir de indicações do grupo.

 

Legenda da foto que abre a reportagem: (a partir da esq.) Vinícius (terceiro), Wagner (de paletó) e Lisiane (ao lado)

(Visited 26 times, 1 visits today)