Viagem pela cidadania

Quem é: Kumi Rauf

Por que é importante: A partir do movimento I Love Being Black, ele se converteu no maior ativista digital da comunidade afro-americana

Os desafios sempre fizeram parte da trajetória pessoal e profissional do empreendedor Kumi Rauf, 38 anos. Nascido na Califórnia, ele viveu dificuldades e dilemas que envolvem os problemas que afetam os filhos de famílias de baixa renda que integram a comunidade afro-americana. A passagem pela universidade e o domínio das ferramentas da Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) o ajudaram a virar este jogo. Hoje, ele desponta como um dos principais influenciadores digitais do planeta. Sua rede digital, ancorada sob a icônica frase I Love Being Black (Eu adoro ser negro), possui uma legião de 6,5 milhões de fãs no Facebook, espalhados por todo o planeta. E é a partir desta base que Kumi toca seus negócios.

Mas a palavra negócios, aqui, assume um contexto bastante diferente do tradicional. À frente da loja de roupas e acessórios ILBB (acrônimo de I Love Being Black) e da Travel.Black, agência de viagens criada em 2016, Kumi se tornou uma espécie de embaixador do orgulho negro. Nesta condição, já fez palestras em cerca de 40 países, incluindo o Brasil, onde esteve por nove vezes, nos últimos seis anos. Também passou a ser muito requisitado por empresas que desejam dialogar com os jovens na internet, especialmente os integrantes deste recorte racial.

O jovem empreendedor também usa sua liderança neste debate para fortalecer o chamado Black Money, movimento que defende a maior circulação do dinheiro entre os integrantes da comunidade afro. E a ambição de Kumi vai além das fronteiras americanas. “Existem irmãos e irmãs em todas as cidades do mundo. Por conta disso, nossa mensagem e nossa atuação têm de ser globais”, destaca. “E nada mais global do que o turismo focado na herança e nas tradições africanas”.

É por isso que as cidades do continente negro estão no topo das indicações da TDB (acrônimo de travel dot black, que é a maneira como se lê o domínio na internet). Mas nos roteiros sugeridos também despontam Colômbia, Cuba, Indonésia, Japão e Brasil. “O Brasil, é importante para nossa estratégia”, diz. “Não apenas pelo fato de contar com a maior população negra fora da África, mas porque se esse tipo de experiência for bem-sucedido lá servirá de exemplo para outros países”.

Kumi (ao centro) vestido com roupas típicas da nação Massai, no Quênia

Mais do que vender pacotes de viagens, a missão da empresa é evangelizar os integrantes da comunidade sobre as vantagens de explorar roteiros fora do território americano. Uma tarefa difícil num país no qual estimados 60% de toda a população não dispõem sequer de passaporte. Para isso, além de usar as redes sociais, Kumi vem cavando espaço em programas de TVs de grande audiência, como o Black Renaissance, da CBS A ideia é mostrar que é possível viajar para inúmeros destinos de forma segura e gastando poucos recursos.

Tanto a trajetória empreendedora quanto a porção ativista de Kumi se fortaleceram a partir de embates vividos no campus da Universidade da Califórnia, assim como mostrado na série Dear White People (disponível na Netflix). E ele resolveu marcar posição por meio da arte, ao estampar I Love Being Black numa de suas camisetas, em 2003. De imediato, a frase conquistou uma legião de fãs. Todos queriam saber onde poderiam comprar uma camiseta igual àquela.

Entretanto, foi somente cinco anos depois que Kumi viria a se tornar um empreendedor. É que depois que deixou a universidade ele trabalhou em diversas empresas de TI, mas se via infeliz confinado entre quatro paredes. A página ILBB no Facebook começou como um repositório de histórias inspiradoras de jovens afro-americanos e deu origem a uma plataforma de negócios que não para de crescer.

 

(Visited 54 times, 1 visits today)