Aposta na inovação inclusiva

Já passa das 9h de terça-feira (18/7), quando Suzana Santos, presidente da Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da operadora de telefonia, sobe ao acanhado palco do teatro situado dentro do Oi Futuro Flamengo. O centro cultural funciona em um prédio histórico, erguido em 1918 para abrigar a Estação Telephonica Beira-Mar e que ficou conhecido como o Museu do Telephone. Mas tudo indicava que os debates e apresentações da manhã conectariam a plateia ao futuro. Um futuro aberto a propostas e aprendizados que, nas palavras da executiva, será construído em parceria com diversos agentes da sociedade: acadêmicos, makers, especialistas em inovação e ativistas sociais. Alguns deles, aliás, presentes ao evento, ajudaram na modelagem do Labora – Laboratório de Inovação Social.

“O projeto é colaborativo mesmo, e fizemos questão de deixar isso bem evidente já em nosso logo, grafado com letras incompletas”, diz a executiva. “E esperamos que os parceiros nos ajudem a completar estes pontos”. De fato, o novo mote para atuação do Instituto é a parceria que abarca as demandas emergentes de uma sociedade em transformação em diversas frentes, e que cada vez mais valoriza a diversidade.

E o Laboratório já nasce com uma série de projetos sob seu guarda-chuva. No encontro de hoje, foram apresentadas as cinco startups aprovadas no 1º Programa de Aceleração de Negócios Sociais do Labora: Diáspora Black e 818 Energia Solar, ambas do Rio de Janeiro, Malalai Tecnologia de Segurança, de Belo Horizonte, Recicletool, do Recife, e Spindow, de São Paulo.

Suzana, presidente da Oi Futuro

Os empreendedores selecionados passarão por um processo de incubação e mentoria com a metodologia da Yunus Negócios Sociais, fundada pelo economista Muhammad Yunus, também conhecido como o banqueiro dos pobres e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 2006. Ao final de três meses, os dirigentes das cinco startups participarão de uma apresentação para investidores, o chamado pitch.

O evento também serviu de palco para o lançamento de um edital específico para inovação na área da cultura, no Estado do Rio de Janeiro. O foco são as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e os ativistas. A meta é incubar 15 projetos sociais e acelerar outros cinco negócios sociais que busquem novas ideias para desenvolver o setor. Quem não passar pela peneira terá a chance de adquirir capacitação nos cursos de formação previstos no edital, num total de 100 vagas.

Nesta vertente, o parceiro técnico é o Instituto Ekloos, especializado em programas de gestão e aceleração de ONGs. “A quebra de paradigma é levar o conceito das startups para a área social”, destaca Andréa Gomides, fundadora do Ekloos. O objetivo é ajudar a tirar do papel e potencializar iniciativas como a ONG Cinema Nosso, que promove cursos de formação de mão de obra para o setor, além de produzir documentários que valorizam a estética da periferia. A ONG foi criada por jovens moradores da favela da Rocinha em meio à efervescência da cena audiovisual carioca desencadeada com o filme Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund.

Zona de conforto

Mércia Britto (esq.) apresenta a Nosso Cinema, exemplo de ONG inovadora na área cultural

Em meio à festa de apresentação do Labora, um detalhe chamou a atenção. O desabafo de um ongueiro que usou o momento de perguntas e respostas, da primeira rodada de debates, para questionar a diretoria do Oi Futuro acerca da descontinuidade de projetos na área cultural. A “saia justa” foi encarada com naturalidade pela presidente do Instituto, Suzana Santos, que fez uma breve explanação sobre a dinâmica da estratégia de patrocínios. “Nenhum projeto foi abandonado”, garante. “O que fizemos foi uma readequação a partir das novas estratégias de ação”.

De certa forma, o braço de ações sociais e culturais da Oi ficou por um período preso a um modelo, digamos, antigo de atuação, focado em ações educacionais e patrocínios culturais. “Apesar de tanto a empresa quanto seu braço social possuírem uma longa trajetória calcada em inovações, estávamos numa zona de conforto”, reconhece ela.

A criação do Labora se dá num contexto no qual mais do que financiar projetos com recursos próprios ou por meio de renúncia fiscal, o Instituto deseja se tornar um indutor do ecossistema de inovação social. Para ganhar tração, como se diz no jargão das startups, chamou parceiros para as tarefas de cocriação e execução dos projetos. “Não tem como fazer tudo sozinho. Precisamos cada vez mais atuar de forma colaborativa e testar modelos e propostas”.

 

SAIBA MAIS SOBRE:

Diáspora Black

818 Energia Solar

Malalai Tecnologia de Segurança

Recicletool

Spindow

 

Crédito da foto de abertura desta reportagem: Empreendedores selecionados no 1º Programa de Aceleração do Labora (Paula Johas/Divulgação/Oi Futuro)

 

*O publisher e editor de 1 Papo Reto viajou ao Rio de Janeiro a convite da Oi, operadora de telefonia.

(Visited 80 times, 1 visits today)