O gigante Bradesco atrás dos pequenos

No lado de fora do prédio de número 2.529, da av. Angélica, no bairro do Pacaembu, área nobre da cidade de São Paulo, vê-se um caminhão descarregando material de construção civil. Operários vão de um lado a outro com suas ferramentas, ajeitando u detalhe aqui outro acolá. O movimento é intenso também em boa parte dos 11 andares do prédio. Só que em vez de operários da construção civil são os jovens que “suam a camisa”. Acomodados em estações de trabalho, aboletados em sofás, dentro de salas de reunião ou de espaços de criatividade, eles buscam soluções para fazer crescer seus negócios: um aplicativo (app) ou sistema que poderá revolucionar algum segmento empresarial. Essa é a primeira impressão de quem visita o inovaBra habitat, como foi batizado o novo centro de inovação e trabalho compartilhado do Bradesco.

“O modelo de negócio tradicional já não nos garante tranquilidade para continuar crescendo”, diz Mauricio Minas, vice-presidente do Bradesco (que aparece no centro da foto acima). “O crescimento virá de parcerias com startups”. O executivo não revela o montante gasto nas diversas fases e ações do projeto inovaBra. Contudo, não deve ser pouca coisa. Afinal, apenas em 2017 os gastos com TI do banco estavam estimados em R$ 6,5 bilhões.

Conhecido pelo apego a tradições e o jeito muito peculiar de fazer negócios, a instituição financeira fundada por Amador Aguiar na cidade de Marília (SP), em 1943, e cujo quartel-general fica na Cidade de Deus, em Osasco, município da Grande São Paulo, enxerga na inovação aberta um dos caminhos para seu futuro.

Especialmente quando o serviço de intermediação financeira, uma das principais fontes de lucros dos bancos, começa a ser desafiado pelas fintechs, empresas de menor porte, mais ágeis e que têm no uso intensivo da tecnologia uma forma de reduzir riscos e ganhar escala. Mas não se trata do surrado adágio: “Se não pode vencê-los, una-se a eles!” Pelo menos é o que garante Antranik Haroutiounian (à esq., na foto acima), diretor de pesquisa e inovação do Bradesco. “A inovação sempre foi parte integrante de nosso DNA”, destaca.

Prova disso, segundo o executivo, é que o banco da Cidade de Deus foi pioneiro em diversas áreas, no Brasil. Desde a automação, até na criação de mecanismos de saque em pontos de atendimento (precursor dos caixas eletrônico, conhecidas como ATMs), passando pelas transações via internet, como o depósito de cheques por meio de aplicativo no celular. Tudo isso construído a partir do desenvolvimento de tecnologias exclusivas, contratadas sob medida junto a parceiros do Brasil e do exterior.

Agora, a ambição é acelerar o processo, a partir da cocriação em cinco áreas: blockchain, big data algoritmos, internet das coisas, inteligência artificial e plataformas digitais. “Neste espaço temos a possibilidade de ver as ideias fluírem de uma forma mais rápida, facilitando o contato entre fornecedores e desenvolvedores com os dirigentes do banco”, explica Walkiria Schirrmeister Marquetti (foto), diretora de tecnologia do Bradesco.

Esse modelo de inovação começou a ser adotado há oito anos, e já engloba inúmeras experiências sob o guarda-chuva inovaBra, como o fundo que financia as startups (o inovaBra ventures). Outro braço que chama a atenção é a inovaBra Startups, aceleradora destinada a “vitaminar” empresas iniciantes. Em seu quarto ciclo, houve 1,5 inscrições e apenas 32 selecionadas. Foram estes empreendedores que inauguraram o modernoso prédio da avenida Angélica. Durante uma semana, em janeiro, eles participaram de dinâmicas em diversas áreas do conhecimento.

Apesar de ter Bradesco até no nome, o espaço será gerido pelo We Work, a maior rede global de coworking. O complexo da avenida Angélica, com saída para a rua da Consolação, ocupa uma área de 22 mil m², espalhada por 10 andares de escritórios e um longe ao ar livre. Lá, será possível abrigar 18 startups, 50 empresas e 1,5 mil posições de trabalho para os habitantes (como são chamadas as pessoas que dão expediente no local) residentes e não-residentes. Todos os espaços terão custo, que começa em R$ 700/mês, valor ocnsiderado subsidiado pelo pacote oferecido. A curadoria do espaço será dividida entre a We Work e o Bradesco.

Para facilitar a vida de que quem atua ou frequenta o local, está prevista a instalação de serviços 24h no térreo do complexo: farmácia (Drogaria SP), cafeteria (Suplicy Cafés Especiais), minimercado (Express, do Carrefour) e agência bancária. Precisa dizer de qual banco? “Escolhemos a região da avenida Paulista porque este é o novo eixo de desenvolvimento das artes e da tecnologia, da cidade”, justifica Minas, vice-presidente do Bradesco.

 

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