Os millennials e o mundo do trabalho

Alguns os classificam como folgados. Outros os chamam de mimados. Mas todos, de uma forma ou de outra, se sentem instados a entender esse fenômeno. Estamos falando dos integrantes da geração millennials, que abarca os nascidos a partir de 1978. “Durante muito tempo se falou sobre a chegada deles ao mercado de trabalho, agora, eles comandam as empresas”, foi a partir dessa premissa que a jornalista Maria Prata fez a introdução para um dos mais concorridos debates do Festival GloboNews Prisma, que aconteceu no sábado 2, em diferentes locais de Pinheiros e do Alto de Pinheiros, bairros de classe média alta da Zona Oeste de São Paulo.

O evento reuniu milhares de pessoas em cerca de 35 atividades como mesas de debate, workshops e palestras espalhadas por quadro coworking. O bate papo realizado no espaço Ahoy! Berlin, no Alto de Pinheiros, contou com dois profissionais de Recursos Humanos de empresas consideradas moderninhas: Red Bull e Linkedin. O que mais chamou a atenção foram as estratégias dessas empresas para potencializar e reter talentos. “A cultura da organização precisa estar alinhada aos mínimos detalhes do dia a dia”, destacou Deborah Gouveia Abi-Saber, gerente de RH da Red Bull.

Como exemplo, ela citou que sua primeira providência ao chegar na empresa foi mandar remover o relógio de ponto da entrada do prédio. “Não fazia sentido nos depararmos com um relógio de ponto ao entrar numa empresa que preza a flexibilidade da jornada de trabalho”.

Alexandre Ullmann, diretor de RH do Linkedin, destacou que a diferença entre classes sociais também se reflete no comportamento deste grupo de jovens. “Muitos dos profissionais desta faixa etária, oriundos das camadas mais pobres, acabam se comportando como integrantes da geração X”, conta. “Principalmente quando têm de cuidar da família e têm contas para pagar”.
É, definitivamente, nem todos podem largar tudo para curtir um período sabático ou ser feliz vendendo brigadeiro!

Maria (GloboNews), Deborah (Red Bull) e Alexandre (Linkedin)

Voltemos ao debate em si. Mais do que as características intrínsecas dos profissionais desta geração, o que chamou a atenção foi a forma como as empresas lidam com eles. Na Red Bull, ao mesmo tempo em que existe o incentivo à jornada flexível as apostas da empresa recaem sobre jovens que demonstrem resiliência, sejam menos imediatistas e mais colaborativos.

Parece um paradoxo, em se tratando de millennials. Mas tanto Debora quanto Alexandre se apressam em justificar essa aparente contradição entre o discurso e a prática tanto das empresas, quanto dos profissionais. Afinal, uma empresa, por mais moderninha que seja é feita de donos, acionistas e subordinados.

“No Linkedin a hierarquia existe e é levada em conta na hora da tomada das decisões”, destacou o executivo da gigante que atua na rede social. Por sua vez, Debora contou que algumas “experiências” na organização da rotina de trabalho da Red Bull enfrentam resistências até entre os funcionários mais jovens. “Deixamos de reunir profissionais por áreas, passando a agrupá-los por projetos. E isso nem sempre é bem aceito por todos”.

Ao longo de quase uma hora de bate papo (que passou voando!), ficou evidente que a contribuição dos millennials tem sido importante para chacoalhar as estruturas das empresas, ajudando-as a rejuvenescer. “O que legitimava a liderança era o medo de perder o emprego. Agora, é a capacidade do líder de inspirar e ensinar coisas novas ao time”, destacou Alexandre.

 

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