Uma conversa sobre entendendorismo

O mundo das startups é cheio de jargões e frases de efeito. O objetivo, na maioria dos casos, é se mostrar cool e antenado com o que ocorre no Vale do Silício, a meca da Nova Economia. Esse universo também é repleto de histórias de jovens bem-sucedidos que largaram a faculdade para construir empresas bilionárias, a partir do trabalho na garagem de casa. Bem, essa é a parte, digamos, folclórica ou mesmo lúdica deste processo. Sem dúvida, muitas empresas nasceram na garagem e se tornaram potências. Outras, foram gestadas nos laboratórios de tecnologia de universidades e ganharam o mundo. Mas outra tantas ficaram pelo caminho.

E tudo isso vale também para o Brasil.

Na noite de terça-feira, 3/10, millenials, integrantes da geração X e muitos veteranos, por assim dizer, se reuniram na faculdade Insper, na Vila Olímpia, bairro de classe média da Zona Sudoeste de São Paulo, para debater alguns aspectos que norteiam o empreendedorismo no mundo digital.

Durante quase duas horas, o trio, formado pelo apresentador de TV e empreendedor Marcelo Tas, o investidor serial Fábio Igel, cofundador da Monashees Capital, e Isabel Humberg, ex-fundadora e ex-CEO do portal QVestir (a partir da esq. na foto que abre esta reportagem), discorreu sobre o mundo das startups e das tecnologias disruptivas. E não se limitaram ao glamour. “Fui atropelado pela bolha de internet, logo depois que montei o fundo”, conta Fábio. “Mas entendi que as perdas faziam parte do aprendizado”.

De fato, se tem um fundo de venture capital que acredita em relacionamentos longos é a Monashees. “Nosso foco são os investimentos de longo prazo”, explica ele. “Os ciclos são de 12 anos, prorrogáveis por mais três anos”. Fundada em 2005, a empresa possui ativos consagrados em carteira, como a 99 (ex-99Taxis) avaliada em US$ 800 milhões.

O discurso e a prática da Monashees era tudo que Isabel gostaria de ter tido à disposição quando largou a sólida carreira de executiva de banco para se aventurar na QVestir, o primeiro marketplace de moda do Brasil. O negócio começou em 2008 e sofreu os percalços de quem desbravava um território novo. “Nossa ideia foi disruptiva para os padrões brasileiros”, avalia. De fato, o QVestir ajudou a evangelizar os consumidores, quebrando paradigmas de consumo de vestuário, calçados e acessórios de moda. “Nós abrimos espaço para os grandes jogadores do setor”.

Serviço de aluguel de bike, no Recife

Com a experiência de quem construiu um negócio do zero e saiu no auge (ela vendeu o controle da empresa em 2015), Isabel usa parte de seu precioso tempo com o trabalho de mentoria para empreendedores. Tanto na Endeavor quanto no Grupo Mulheres do Brasil e no Winning Women Brasil, da consultoria EY. “O Brasil está crescendo a partir do interior, onde brotam muitos negócios inspiradores e disruptivos, não apenas no agronegócio”, diz.

Tanto Fábio quanto Isabel acreditam que a onda das empresas de tecnologia veio para ficar. Para eles, os negócios que deverão crescer estão na área na mobilidade em pequenos percursos (aluguel/compartilhamento de bicicletas, por exemplo), nas fintechs (startups especializadas em serviços financeiros) na educação e na saúde. Não à-toa segmentos nos quais existem inúmeras carências no Brasil.

Mas, atenção, as oportunidades se encontram tanto no universo online quanto no offline. O primeiro leva vantagem porque o custo de uma empresa baseada na internet é infinitamente inferior à que atua apenas no meio físico. ” As startups de base tecnológica exigem menos recursos humanos e são menos intensivas em capital”, destaca Fábio.

No papel de mestre-de-cerimônia Tas contou algumas histórias envolvendo sua ligação com o mundo da tecnologia. Que, aliás, começou logo cedo, quando ingressou na Escola Politécnica de Engenharia da Universidade de São Paulo (Poli-USP), na qual se graduou em engenharia. “Mas eu gostava é mesmo de comunicação”, diz.

Mas, afinal, e onde entra o tal do entendendorismo? Na verdade, o neologismo foi um jeito provocativo e inusitado que os controladores da consultoria Signium encontraram para cativar a audiência. Nem precisava!

 

SAIBA MAIS:

Sobre a Monashees

Sobre a QVestir

Sobre o Grupo Mulheres do Brasil

 

Foto de abertura desta reportagem: Túlio Vidal/divulgação

(Visited 64 times, 1 visits today)