Campeãs da sustentabilidade

Poucos projetos possuem a longevidade do Prêmio Benckmarking Brasil que acaba de completar 15 anos. Neste período, ele se tornou um dos mais respeitados Selos de Sustentabilidade do país, incentivando organizações de diversos ramos na prática de ações socioambientais e na busca de melhores resultados de seus negócios. Idealizado por Marilena Lino Lavorato, editora da Benchmarking Magazine, presidente do Comitê de Sustentabilidade do Instituto MAIS e diretora executiva da Mais Projetos, o programa vem selecionando, certificando, reconhecendo e compartilhando cases, estimulando empresas, universidades, escolas técnicas, órgãos e entidades representativas e governamentais, além de personalidades, a agir de maneira sustentável.

A festa de premiação da edição 2017 aconteceu na quinta-feira (29/7), no Hall Nobre do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), localizado na Avenida Paulista, e contou com presenças ilustres, tais como Gilberto Natalini, secretário do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo; Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica; Suzana de Pádua, do Instituto Pesquisa Ecológica (IPE); Consuelo Yoshida, desembargadora Federal; e Cecília Marcondes, presidente do TRF3, sem falar nos  inúmeros especialistas e pesquisadores que participaram do júri nos últimos 15 anos.

“Fico muito feliz em ver reunidos nessa sala profissionais do Brasil todo, organizações de todo o país, seniores e juniores, compartilhando o que o ser humano tem de melhor: seu conhecimento e suas práticas em benefício próprio e em benefício da coletividade” destacou Marilena.

Em sua 15º edição foram selecionados dez temas-bases para o Programa Benchmarking: arranjos produtivos, energia, emissões, educação e comunicação socioambiental, ferramentas e políticas de gestão, manejo e reflorestamento, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, proteção e conservação, recursos hídricos e efluentes e resíduos.

Conheça os Cases

Redução da Pegada de Resíduos:  Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar)

O Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar), baseado na cidade de São Luís, produz prioritariamente alumina e alumínio. Infelizmente, essa produção gera um número alarmante de resíduo diariamente, o que se tornou um grande infortúnio para a empresa.

Anualmente, são gerados aproximadamente 2.500 toneladas de RGC (revestimento das cubas eletrolíticas), resultante da produção de alumínio, e 2.500 toneladas de fino de carvão, concebido em caldeiras alimentadas por carvão afim de gerar vapor para as refinarias.

Segundo Larisse Aires, engenheira ambiental da Alumar, através de estudos realizados nos últimos 4 anos, acompanhando a produção e as características dos detritos resultantes, as equipes da área química, desenvolvimento de materiais e engenharia ambiental, buscando entender a área técnica para captar oportunidades de desenvolvimento e erradicação do impacto ambiental, desenvolveram o projeto Redução da Pegada de Resíduos, que visa a diminuição da estocagem de resíduos, gerando-lhes outra finalidade, eliminando consequentemente sua disseminação em aterros e áreas verdes e na localidade da empresa.

O RGC e o fino de carvão podem ser uteis como insumos na fabricação de cimento, promovendo assim, a redução do custo de produção e dando um valor à essa matéria como produto. Essa ação diminuiu o 20% do custo das cimenteiras na produção de cimento, auxiliando assim, na economia de ambas as empresas.

O projeto prioriza a parceria com empresas locais, favorecendo o desenvolvimento da região do Maranhão e Nordeste.

A Alumar conta com mais de cinco parceiros e acompanha constantemente o processo e alterações químicas desses novos insumos para garantir sua usabilidade.

Plantas Medicinais – Itaipu Binacional

A Política Nacional de Medicina Natural é uma criação da empresa Itaipu Binacional e visa ao atendimento de pacientes do SUS com plantas medicinais e fitoterápicos e em outras modalidades de tratamento, como por exemplo, a homeopatia e a acupuntura.

Segundo Viviane Cardina Antunes Moraes Pires, responsável pela divisão de ação ambiental da diretoria de coordenação de Itaipu, o programa surgiu com o intuito de auxiliar na preservação da biodiversidade, diminuição do lixo gerado por medicamentos industriais e principalmente no aumento da qualidade de vida e saúde da população brasileira, que pode ser observado no terceiro objetivo da ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU.

Segundo ela, desde 2003 a empresa vem agindo junto à Pastoral de alguns municípios na região de Foz do Iguaçu, mas somente em 2012 recebeu apoio municipal. A iniciativa ganhou força e passou a ter mais objetivos, tais como o desenvolvimento sustentável regional, a conscientização da população local quanto ao extrativismo, estimulação de formação de profissionais na área da saúde regionais, conhecimento popular alinhado ao cientifico e incentivo a produção para alternativa de renda para agricultores familiares, garantir uma segurança alimentar e desenvolver uma cadeia produtiva que agregue a população.

Atualmente, possui um viveiro e banco genético com mais de 400 mil espécies que são distribuídas para produtores, abrange 29 municípios, além de Foz do Iguaçu, analisa a fitoterapia  como sistema alternativo no sistema único de saúde, ajuda a comunidade na geração de renda e auxilio na saúde, promove cursos para a população e agricultores, implanta hortas em escolas e coopera com produtores.

Os próximos objetivos a serem alcançados é ter uma gestão cada vez mais multidisciplinar, buscar parcerias com instituições publicas e privadas, atuar em mais regiões que tem como renda o extrativismo e valorizar a cultura brasileira de plantas medicinais através do apoio da população e instituições governamentais.

Jovem Sustentável – Aprendiz Fundação Alphaville 

A Fundação Alphaville já tem 17 anos de atuação e está em 23 estados no Brasil, com mais de 210 projetos de desenvolvimento comunitário e pessoal. O projeto Jovem Sustentável em Goiás foi criado com o objetivo de motivar jovens e afastá-los da marginalidade. Apenas em 2016, as pesquisas apontaram 190 mil jovens cumprindo medidas sócio educativas por conta de pequenos delitos no país.

Com apoio da prefeitura de Goiás, o programa foi desenvolvido como opção de medida socioeducativa nas cidades de Senador Canedo e Caldazinhos, com o intuito de trazer uma visão diferente e apresentar novos valores e expectativas para adolescentes de comunidades carentes de idade entre 14 e 17 anos.

Com foco na sustentabilidade integral, programação neurolinguística e dinâmicas para ampliar  a visão do jovem, além de cursos de capacitação da formação de inclusão digital, o projeto foi realizado com o suporte do Ministério Público e Ministério do Trabalho, possibilitando oportunidades de inserção do jovem no mercado de trabalho, juntamente com parcerias com empresários locais.

“Foi indispensável na transformação de vida desses jovens o acompanhamento da família e integração dos mesmos”, destacou Fernanda Toledo, gerente de sustentabilidade da Fundação Alphaville.

Houve planejamento de três meses para cada programa, com duração de 45 dias cada curso, onde foram atendidos 39 jovens.

Devido aos resultados positivo, como a ressocialização, inclusão social, mudança de visão sobre a vida e o reflexo na segurança local, ficou evidente que essa metodologia pode ser reaplicada e já estão sendo feitos estudos e parcerias com outras cidades afim de que outros adolescentes sejam beneficiados e salvos.

Cola à base de bitucas de cigarro – Senai Fundação Zerrenner  

Um dos projetos mais inovadores apresentado por estudantes é a cola a base de bitucas de cigarros, desenvolvido por um grupo de alunos da escola profissionalizante Senai Fundação Zerrenner, localizada na cidade de Cambuci, em São Paulo.

Bilhões de bitucas são descartadas diariamente no mundo todo, o que afeta drasticamente o meio ambiente, alguns países já realizam a coleta seletiva de bitucas, mas esse tipo de programa ainda não foi implantando no Brasil.

O projeto visa a gerar uma nova utilidade para esse detrito aparentemente inutilizável, e estudando as substancias contidas na bituca, descobriram que elas poderiam ser tratadas e selecionadas para então serem  utilizadas na fabricação de cola, que foi formulada a partir da fusão e tratamento químico de polímeros, resinas e acetado de celulose encontrados.

Sendo assim, foi possível desenvolver três tipos de cola não tóxicas: líquida, termoplástica (cola quente) e em bastão.

Foi necessário aquecer as substancias por exatas 20 vezes em água para ter certeza de que os metais pesados teriam sido expulsos da matéria que seria usada no processo de desenvolvimento da cola. Após outros processos, como a secagem e mistura de componentes, a base para a cola pode ser criada. Com elas, é possível colar papel, papelão, tecido e até madeira com ótima fixação e durabilidade.

 

Plástico Comestível – ETEC Trajano Camargo

Outro projeto criado por um grupo de alunos do ensino médio na ETEC Trajano de Camargo em Limeira, São Paulo, é o desenvolvimento de plástico comestível.

A pectina, matéria prima utilizada, foi extraída de cascas de laranja com auxilio de ácidos para então, através de processos químicos ser transformada em plástico. Esse plástico, por ter bases orgânicas, tem mais facilidade de se decompor se estiver no meio ambiente, além de não causar danos à flora e fauna.

Apenas 10% das frutas e hortaliças produzidas chegam no consumidor devido ao rápido processo de deterioração. O plástico desenvolvido aumenta a durabilidade do alimento em até 5 dias de diferença em relação ao PVC.

 

 

LEGENDA DA FOTO DE ABERTURA DESTA REPORTAGEM: a partir da esq. Marilena (Instituto Mais), Viviane (Itaipu) e Fernanda (Fundação Alphaville)

 

Texto: Priscila Estevão

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