Com o auxílio luxuoso dos pequenos

No início do ano, uma pesquisa de fôlego, conduzido pela HBS Alumni Angels of Brazil, fez um amplo Raio-X da relação entre as startups e as grandes empresas brasileiras. Batizado de Panorama de Corporate Venture no Brasil, o trabalho chamou a atenção por trazer dados reveladores e também preocupantes. Afinal, a parceria entre startups e empresas privadas, movimento iniciado há mais de 30 anos, nos Estados Unidos, e que acabou impulsionando empresas como a Microsoft (veja trailer do filme Piratas do Vale do Silício em nosso player de vídeos, ainda caminha a passos lentos por aqui.

  • Apenas 23% recorrem as startups para resolver problemas ligados ao negócio
  • Somente 33% das empresas ouvidas colocam suas áreas de estratégia para conversar com as startups
  • 56% das corporações pesquisadas se relacionam com este contingente apenas de forma pontual (em eventos como Hackathons e Demo Days)

Neste contexto, fica evidente que ainda há muito a ser feito para aproximar as grandes corporações das pequenas empresas. Tanto no campo científico quanto no social. Mas aqui e ali pipocam exemplos de tentativas destinadas a encurtar essa distância. Na semana passada, a Oi, empresa de telefonia que opera nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, anunciou a criação do Oito, um hub de inovação que vai funcionar em Ipanema, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro (cuja fachada é retratada na foto que abre essa reportagem).

E a operadora chega com apetite. Para isso, se uniu a potências como IBM, Oracle, Amazon, Senai, Oi Futuro (o braço social da operadora de telefonia) e o CPqD, apenas para citar alguns, para atrair, capacitar e potencializar negócios disruptivos. Cada empreendimento selecionado receberá um aporte de R$ 150 mil.

E as ambições da Oi não são nada modestas, de acordo com Carlos Brandão, diretor administrativo e financeiro da operadora de telefonia. “Queremos investir em novas empresas com conexão com o nosso negócio e que ajudem Oi e parceiros a desenvolverem serviços mais inovadores que atendam às novas demandas dos clientes e gerem economia de custos e aumento de produtividade, buscando mais competitividade para a companhia”, disse, em release distribuído à imprensa.

Igualmente ambiciosos são os planos da Alphaville Urbanismo, baseada na cidade de São Paulo e pioneira no segmento de condomínios horizontais. Além de dar suporte financeiro a startups, a empresa pretende criar o Parque Tecnológico Alphaville, no entorno do Brasília. Na sexta-feira, 1º de setembro, acontece o Alpha Inova Day, que terá por objetivo selecionar as 15 startups que receberão apoio da empresa. O foco são os empreendedores que atuam nos seguintes segmentos: Construção e Sustentabilidade, Relacionamento e Atendimento, Processos Internos, Crédito e Cobrança, Marketing e Vendas, além de Comunidade e Serviços.

Claudia Yassuda, diretora da Alphaville Urbanismo

De acordo com a direção da Alphaville, a definição das áreas se deu como resultado de uma pesquisa interna, destinada a mapear as “maiores dores” da empresa. A partir daí, foi decidido que o ideal era ir ao mercado buscar ajuda. “Não queríamos atuar com o modelo de inovação fechada”, explica a arquiteta Claudia Maria Ayres Yassuda, diretora de negócios da empresa. Segundo a executiva, o resultado do chamamento surpreendeu. “No início, imaginávamos que teriam cerca de 100 startups inscritas. Mas o número total chegou a 165”.

De certa forma, tanto a Oi quanto a Alphaville esperam se beneficiar de um fenômeno que já é bem conhecido da Ford América do Sul. A subsidiária foi uma das primeiras do setor no país a enxergar o universo das startups como uma opção para se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo. Foi na Campus Party de 2013, em São Paulo, que a montadora foi buscar auxílio para incrementar a central multimídia de seus veículos.

Agora, por meio do Ford Fund Lab: Inovação e Mobilidade, uma parceria entre o braço filantrópico da montadora e a aceleradora Artemisia, seus executivos acreditam ser possível ajudar a melhorar a vida nas grandes cidades. O processo de incubação e aceleração dos negócios é visto como um piloto para a Ford Fund, em termos globais.

“O objetivo da parceria é formar uma base para o desenvolvimento de negócios de impacto social na área da mobilidade e transporte no Brasil, com foco principalmente nas famílias de baixa renda, e sua dificuldade de acesso a serviços essenciais como escolas, hospitais, bancos e até oportunidades de emprego”, afirma Adriane Rocha, gerente de relações corporativas e responsabilidade social da Ford, em comunicado distribuído pela empresa. Cada uma das três startups que se destacarem ao final do longo funil será contemplada com US$ 6,6 mil (equivalente a R$ 21 mil), a título de capital semente.

SAIBA MAIS:

Sobre a Ford e as startups

Sobre o Ford Fund Lab

Sobre a Alpha Inova

Sobre o Oito, da Oi

 

 

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