Do tijolo à floresta. Com uma parada na cidade

O Partenon, templo situado na Grécia e concebido em homenagem à deusa Atena, foi erguido com o “entulho” resultante das obras de outros locais sagrado. Boa parte das casas construídas na Europa, após à Segunda Guerra também tiveram como matéria prima o entulho gerado pela destruição de prédios, durante os combates. Pois é com estes argumentos que a jovem estudante Paula Bergami tenta evangelizar, quem encontra pelo caminho, em relação à viabilidade do Bloco Ecológico, feito a partir de sobras da construção civil e bagaço da cana-de-açúcar recolhido em feiras livres.

Na quinta-feira (9/2) ela repetiu essa pregação no Fórum de Sustentabilidade promovido pelo Instituto Mais e o Programa Benchmarking Brasil, em São Paulo. A Bloco Ecológico é uma inciativa que nasceu como trabalho de conclusão do curso na ETEC Getúlio Vargas e acabou sendo um dos cinco premiados na edição 2016 do Ranking Benchmarking Junior.

A contar pelo interesse despertado na audiência, o Bloco reúne condições de se tornar uma opção de negócio dentro do segmento de produtos para construções sustentáveis. “A prefeitura de São Paulo gasta R$ 4,5 milhões, por ano, com o recolhimento de entulho de obra descartado irregularmente”, citou Fernanda, uma das idealizadoras do Bloco Ecológico, ao lado de Laissa Araujo e Mariana Siqueira.

Outro que roubou a cena foi Lucas Harada, coordenador de comunicação da Juntos com Você, especializada em crowdfunding para projetos sociais. Em apenas três anos, a plataforma já conseguiu algumas marcas de destaque: R$ 7,4 milhões em arrecadação, 34.970 doadores e 544 projetos atendidos.

Fernanda, da Bloco Ecológico

O sucesso, de acordo com Harada, se deve ao modelo de negócio. “Fazemos um trabalho de curadoria e consultoria para nossos parceiros”, conta. “Com isso, conseguimos maximizar os resultados”. Os criadores da Juntos com Você possuem um diferencial interessante em relação à concorrência. Além das doações individuais eles também atuam com o Match Funding. Esta ferramenta permite que as empresas engajem seus funcionários nas captações e também possam participar do processo.

Um caso emblemático apresentado por ele, durante o seminário, foi a campanha institucional Juntos pelo Rio Doce, com o objetivo de dar assistências aos moradores das áreas atingidas pela barragem da mineradora Samarco, em Minas Gerais. No total, foram arrecadados R$ 200 mil, dos quais o Google entrou com R$ 50 mil, divididos em partes iguais entre funcionários e a empresa.

Aliás, foi a partir da participação do Desafio de Impacto Social, promovido pelo Google, que a plataforma começou a deslanchar. “O carimbo do Google funciona como uma vitrine para nosso trabalho”, diz.

Quem também marcou presença na primeira edição dos Fóruns de Sustentabilidade, do Instituto Mais, foi o empreendedor social Lucas Caldeira Brant. Ele apresentou o projeto Entrega por SP, que atende a população em situação de rua. Mais do que prestar assistência, o objetivo é o resgate social a partir do empoderamento dessas pessoas.

Tanto Lucas quanto Fernanda, da Bloco Ecológico, foram muito acionados por integrantes da plateia dispostos a costurar acordos de parceria. “O objetivo destes encontros é fazer com que as boas práticas sejam conhecidas por um grupo cada vez maior de pessoas”, destaca Marilena Lavorato, fundadora do Instituto Mais.

Além da exposição dos empreendedores, o evento contou com a apresentação de dois estudos de caso apresentados pelos ambientalistas Magno Botelho Castelo Branco e Homel Marques. O primeiro falou sobre a importância da prestação de serviços ambientais, a partir do trabalho para zerar as emissões de carbono do papel Report, da Suzano, envolvendo a recuperação de matas ciliares, no interior de São Paulo. O outro discorreu sobre a experiência de iniciativas de geração de renda e emprego no campo, a partir de projetos de agroflorestas, no interior de SP.

Legenda da foto de abertura: (da dir. para a esq.) Brant, Castelo Branco, Harada e Marques

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